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Vitória recebe a República sem manifestação e Cachoeiro comemora

Afonso Cláudio assumiu com a República

No final do século XIX, principalmente por causa da produção cafeeira, o Brasil, e o Espírito Santo, em particular, passaram por profundas transformações. Acelerou-se o processo de urbanização, expandiram-se os setores secundário e terciário da economia (indústria e serviços) e a agricultura tradicional do Vale do Paraíba e nordestina estava em plena decadência.

A região de São Paulo transformou-se no centro econômico do país, suplantando até mesmo a capital do Império, o Rio de Janeiro. Com isso, as elites passaram a desejar mudanças radicais, identificando-se com o projeto dos republicanos, sobretudo no que diz respeito à instalação do federalismo, que garantiria uma maior autonomia das províncias, em contraste com o centralismo do Império.

Três situações minaram as bases do Império: a pressão dos militares, que queriam um destaque maior no cenário nacional depois da campanha do Paraguai; o descontentamento dos latifundiários, privados da mão-de-obra escrava nas lavouras do café: e o afastamento da Igreja Católica, que condenou a Maçonaria e proibiu a participação dos seus fiéis nessa sociedade, o que levou o Governo, dominado por maçons a um choque com o clero.

Assim, menos pela ação dos republicanos, divididos e em minoria, e mais pelo isolamento em que ele próprio se confinou, o Império desabou a 15 de novembro de 1889. O governo provisório do marechal Deodoro da Fonseca assumiu com poderes ditatoriais e baniu a família imperial, que foi morar na França.

A notícia da Proclamação da República chegou a Vitória na tarde do mesmo dia. Na capital do Estado não houve qualquer tipo de manifestação, a favor ou contra. Em Cachoeiro do Itapemirim, no entanto, os republicanos promoveram passeatas em comemoração.

O jornal A Província do Espírito Santo noticiou assim o desdobramento local da nova situação:

"No Espírito Santo, dissolvida a Assembléia Legislativa no dia 16, os principais líderes republicanos reúnem-se para escolher o novo chefe do Governo Provisório; a opção foi o nome de Afonso Cláudio".

A notícia da posse de Afonso Cláudio foi dada pelo Jornal A Folha da Victória, no dia 21 de novembro

No País, consumava-se a vitória das elites regionais.

A Proclamação da República promoveu a divisão do poder político entre as elites regionais, ao contrário do centralismo do Império. O País foi dividido em Estados, e o conjunto deles formava a federação do Brasil.

Cada Estado da federação passou a ter maior autonomia, podendo escolher seus governantes, constituir forças policiais, arrecadar impostos, decidir gastos de acordo com suas necessidades.

A fase inicial da instalação da República até a Revolução de 1930 foi tumultuada.

Muitos adeptos da República, que lutaram para a sua implantação, se desgostaram com os rumos tomados pela política. Passada a euforia, o regime mostrou-se ineficaz para resolver os problemas da nação.

São Paulo e Minas revezaram-se na ocupação da presidência da República. No interior, o poder estava concentrado nas mãos dos chefes regionais, que controlavam o processo eleitoral.

O Espírito Santo também passou por uma crise  inicial. O próprio Afonso Cláudio, escolhido governador, ficou poucos meses no poder. E, como ocorreu nos demais Estados do Brasil, durante a República Velha predominou o poder de uma oligarquia, aqui representada pela família Monteiro.

O café foi a maior riqueza, tanto do País quanto do Estado, e graças a ele foi possível a realização de grande número de obras públicas. As indústrias se multiplicaram. A economia cresceu, o comércio se desenvolveu, assim como os meios de transporte, surgiram bancos. Ocorreu uma maior oferta de empregos, permitindo a ascensão social de um significativo número de pessoas. Nessa época, foi iniciado o processo de remodelação das cidades, com maior intensidade nas capitais, dando um novo aspecto aos centros urbanos, que perderam parte de suas características coloniais.

Vitória teve sua paisagem profundamente alterada, sobretudo a partir de 1908, quando ocorreram demolição de casas, alargamento de ruas, remodelação de fachadas, construção de pontes.

Até a Revolução 1930, destacou-se na vida política do interior a figura do "coronel". O termo se originou da patente da Guarda Nacional, concedida a fazendeiros.

Às vezes, também era concedida a comerciantes. A eles cabia o exercício do poder político. O "coronel" era o mais legítimo representante da ascensão das elites regionais.

O poder do "coronel" dependia, em grande parte, de sua capacidade de liderança. Ele protegia parentes e amigos, distribuía empregos públicos, emprestava dinheiro, apoiava protegidos para cargos eletivos, patrocinava festas, ajudava financeiramente as igrejas. Assim, controlava os votos.

Embora o coronelismo apresente características comuns em todo o País, no Espírito Santo teve sua feição própria. Suas raízes estariam na estrutura econômica que aqui vigorou a partir do século XIX, marcada pela monocultura do café.

Os coronéis conseguiam fortalecer sua autoridade graças a uma série de arranjos. O depoimento de Carlos Lindenberg, que por duas vezes governou o Estado, dá um exemplo desses arranjos do sistema:

"As fraudes eleitorais eram uma constante, ganhava o candidato que as forças políticas mais poderosas desejassem. Quase sempre ganhava o candidato apoiado pelo governo. Caso ocorresse de a oposição ganhar as eleições, restava ainda o parecer das Comissões de Verificação de Poderes que, em geral, expurgavam candidatos indesejáveis, alegando que teriam ocorrido fraudes e irregularidades nas eleições, impedindo assim a posse dos vitoriosos".

A república dos coronéis foi bem representada no Espírito Santo

Um exemplo foram as eleições de 4 de março de 1906. Os correligionários de Moniz Freire saíram vitoriosos, após terem anulado 47 das 74 seções eleitorais existentes no Estado.

No Espírito Santo, a partir de 1908, quando foi eleito Jerônimo Monteiro, a oligarquia comandada por ele conseguiu se manter no poder até os anos 30, quando ocorreu a revolução. Durante os anos seguinte, essa supremacia decaiu.

Os revolucionários, ao assumirem o poder, indicaram para governar o Espírito Santo um militar, João Punaro Bley, que não era oriundo do Estado.

Nos anos 40 ela voltaria, para permanecer mais três décadas na direção política do Estado.

 

Fonte: Jornal A Gazeta, A Saga do Espírito Santo – Das Caravelas ao século XXI – 18/11/1999
Pesquisa e texto: Neida Lúcia Moraes e Sebastião Pimentel
Edição e revisão: José Irmo Goring
Projeto Gráfico: Edson Maltez Heringer
Diagramação: Sebastião Vargas
Supervisão de arte: Ivan Alves
Ilustrações: Genildo Ronchi
Digitação: Joana D’Arc Cruz    
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2016

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