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Abolição da escravatura no ES

Afonso Cláudio de Freitas Rosa, um dos grandes abolicionistas do estado

Já em 1869 a província possuía seu primeiro grêmio emancipador – a Sociedade Abolicionista da Escravatura do Espírito Santo, instalada em Vitória a dezessete de outubro daquele milésimo.(1) De igual ano, a lei provincial número vinte e cinco autorizava a presidência a empregar seis contos de réis, por exercício, na alforria de escravos de cinco a dez anos de idade.

A elite intelectual deu o melhor de seu entusiasmo à campanha redentora. Assim é que foram grandes propagandistas: em Vitória – Afonso Cláudio, Cândido Costa, Aleixo Neto, Aristides Freire, Lima Escobar, Ovídio dos Santos, Cleto Nunes, Urbano de Vasconcelos, Joaquim Aires, José Cândido, Pedro Lírio, Lídio Mululo, Amâncio Pereira, Antônio Aguirre, Tibúrcio de Oliveira, Paulo Morais; no norte – Souza Lé e Vicente Lopes; no sul – Gil Goulart, Leopoldo Cunha, Costa Pereira.(2) Numerosas associações,(3) a que estavam vinculados esses batalhadores, coordenavam as iniciativas, promoviam reuniões públicas, angariavam fundos,(4) agitavam a questão.

A província inteira festejou a Lei Áurea e o fez de maneira excepcional. “Parecia um frenesi de que o povo tinha sido acometido, tal foi o entusiasmo”, comentava o Espírito-Santense,(5) registrando as comemorações em Vitória.

Embora muito aquém de Minas Gerais, Rio de Janeiro e S. Paulo, o Espírito Santo formava entre as unidades do Império que mais escravos possuíam à data da abolição: 13.403, dos quais, no município de Cachoeiro de Itapemirim, 6.965.(6)

 

NOTAS

(1) - Primeiros estatutos e ata lavrada na sessão de instalação, in Homens e Cousas Espírito-Santenses, de AMÂNCIO PEREIRA.

(2) - FRANCISCO ATAÍDE, Breve Notícia, 17.

(3) - Em Vitória, destacaram-se: a Sociedade Libertadora Domingos Martins, o Clube Abolicionista João Clímaco, a Sociedade Libertadora S. Benedito do Rosário, a Sociedade Beneficente Libertadora Rosariense, a Emancipadora Primeiro de Janeiro.

(4) - Na tarefa imediata de agenciar donativos, até o presidente Francisco Ferreira Correia colaborou, nomeando, a vinte e um de março de 1872, para os diversos municípios, comissões de cinco membros encarregadas de angariar fundos destinados às manumissões (PEREIRA, Homens, 126).

(5) - Edição de dezesseis de maio de 1888, em que vêm noticiadas as passeatas, marches aux flambeaux, Te-Deums realizados em Vitória.

– A Província do Espírito Santo, de vinte de maio de 1888, dizia, referindo-se à superabundância de oradores: “De cada canto surgiu um Demóstenes; os Cíceros andaram em catadupa pelas ruas.”

– Durante toda uma quinzena a Capital esteve entregue às celebrações do treze de maio, das quais participaram os ex-escravos que, em grupos, abandonaram as fazendas de seu cativeiro.

(6) - TAUNAY, Hist. Café, VII, 449; SILVEIRA, Almanaque de 1889, 219.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, outubro/2017

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