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Auxílio da Bahia – Fernão de Sá

Fernão de Sá (militar português filho do terceiro governador geral do Brasil Mem de Sá)

– “...e por me não deixar os moradores yr em pessoa” – contínua o governador geral – “mamdei a fernão de saa meu filho com sejs vellas e perto de dozemtos homens.”(40)

Brás do Amaral informa que, em companhia de Fernão de Sá, vieram os capitães Diogo Álvares e Gaspar Barbosa, que participaram voluntariamente da missão: (41) “em chegamdo a capitania do espirito Santo emtrou por comselho dos que comsiguo leuaua pello Rjo de cicaree e foi dar em tres fortallezas muito fortes que se chamauão marerique donde o gentio fazia e tinha feito muito dano e mortos muitos cristãos as quajs Rendeo com morte de muito gentio e elle [Fernão de Sá] moreo ally pellejando”.(42)

Relatando os fatos poucos meses depois, em carta ao “padre geral” da Companhia de Jesus, o irmão Antônio Blasquez escreveu que Fernão de Sá e seus homens “fueron a dar donde no los mandavan, y todavía rendieron dos cercas donde mataron mucha gentilidad y prendieron muchos yndios. Con este buen successo, queriendo el Capitão seguir la victoria, dió en la tercera cerca donde se acabava todo de vencer. En ésta lo dexaron todos los suyos con solos diez hombres a pelear, y se acogeron a los navios, unos por curar algunas heridas de poco momento, otros por recadar sus pressas que ellos más desseavan. Estos diez con su Capitán pelearon tan bien, que tenían ya la cerca rendida sy Le acudieran con dos ollas de pólvora que nunca se las quisieron llevar, hasta que los Yndios conocieron que eran tan pocos, con lo qual cobraron ánimo y cargaron sobre ellos y hiziéronlos venir recogiendo hasta los navios. Y quiso La desaventura que les avían tirado los navíos y barquos donde los dexara, que fué otro desatino nunca oydo; y alli en la playa pelaron un gran rato aguardando socorro de los navios, y al cabo nunca les vino; y allí mataron al Capitán hijo del Governador con cinco, porque los otros salváron-se a nado”.(43)

 

NOTAS

(40) - Instrumento, 132.

(41) - AMARAL, Notas, I, 338.

– Frei VICENTE DO SALVADOR assevera que a expedição constava de cinco embarcações, tendo por capitânia a galé São Simão. Os outros comandantes eram Diogo Morim, o velho,* e Paulo Dias Adorno. Em Porto Seguro, onde tocaram, foram informados de que no rio Cricaré** estava o grosso do gentio que guerreava contra o donatário do Espírito Santo. Diogo Álvares e Gaspar Barbosa juntaram-se ali à expedição com os seus caravelões (Hist. Brasil, 167).

* CALMON emendou: Diogo de Amorim Soares (Hist. Brasil, I, 270).

** “Kiri-kerê, o que é propenso a dormir, o dorminhoco. Nome que davam os índios a uma planta mimosácea, como a sensitiva. É o nome indígena do Rio São Mateus” (SAMPAIO, O Tupi, 192).

(42) - Instrumento, 132.

(43) - BLASQUEZ, Cartas, II, 439-40.

– JABOATAM informa que dois filhos (naturais) de Diogo Álvares, o Caramuru, morreram ao lado de Fernão de Sá: “Manuel Alvares, e Diogo Alvares, que matarão os Indios em Giquiriçá (sic), quando matarão o filho do Governador Men de Sá” (Orbe Seráfico, 55).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, julho/2018

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