Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Contestado: zona explosiva

Francisco Lacerda de Aguiar pelo ES e José de Magalhães Pinto, por MG

No transcurso das administrações de Carlos Lindenberg, Jones Santos Neves e Francisco Lacerda de Aguiar, nossa história foi marcada por violentos conflitos rurais ocorridos no noroeste do Estado, particularmente na denominada Zona do Contestado. O cenário para disputas fundiárias vinha se configurando desde os anos 1930, quando aquela região começou a ser colonizada por levas de imigrantes sul-capixabas, mineiros e baianos.

A Zona Contestado era um território de 10 mil km2 que, desde 1903, estava sendo disputado litigiosamente pelos governos do Espírito Santo e de Minas Gerais. Enquanto as negociações se arrastavam nos tribunais federais, a região limítrofe entre os dois estados ia sendo ocupada e devastada desordenadamente.

Adilson Vilaça, especialista nesse tema, informa que:

“(...) o Contestado era uma verdadeira terra sem lei, com muitos povoados sob jugo de dupla jurisdição, mineira e capixaba, e maior quantidade sem jurisdição alguma”. Sendo assim, continua o pesquisador, “a lei do mais forte fez império. Acorreram ao abrigo do Contestado criminosos de longínquos recantos. Desgarrados, aproveitadores, jagunços, charlatões, mascates, tropeiros e levas de sem-terra moviam-se na mira das enfurecidas polícias estaduais que tentavam, com pouco sucesso e uso de muita arbitrariedade, fazer prevalecer a ordem (...) Nem sequer os padres se entendiam, engalfinhando-se na disputa fronteiriça – padres mineiros e capixabas hostilizavam-se publicamente (...)”.

Para compor o já confuso quadro social do Contestado, podemos acrescentar um número grande de caçadores, lenhadores e madeireiros. Com a ocupação das terras, vivia-se o ciclo de derrubada de madeiras de lei como o ipê, o jacarandá, a peroba, o cedro a macanaíba etc. Uma madeireira multinacional holandesa, a Bralanda, instalou-se na região, montando diversas serrarias.

Encravadas neste contexto explosivos, estavam nas localidades de Nanuque, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Nova Venécia e Ecoporanga.

Em decorrência da disputa fundiária entre posseiros e fazendeiros, o atual município de Ecoporanga foi palco de episódios sangrentos e pouco conhecidos da história capixaba.

 

Fonte: História da Espírito Santo – Uma Abordagem didática e atualizada 1535-2002
Autor: José P. Schayder
Compilado por: Walter de Aguiar Filho, outubro/2012

 

 

 

 




GALERIA:

📷
📷


História do ES

A Imigração no Espírito Santo – Por João Eurípedes Franklin Leal

A Imigração no Espírito Santo – Por João Eurípedes Franklin Leal

A entrada de imigrantes europeus representou a maior transformação social e econômica que o Espírito Santo passou

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Prefeitos de Vila Velha

Relação de nomes e períodos de atuação dos Administradores Municipais de Vila Velha, ES

Ver Artigo
Daemon dedicou seu livro ao imperador, D. Pedro II

É, Senhor, o fruto de um trabalho aturado, feito e publicado sob nossas únicas expensas, e que, com dificuldade e sacrifício o concluímos

Ver Artigo
Donatários da capitania do ES - Por Basílio Daemon

Donatários da capitania, capitães-mores, ditos regentes e outros governadores, governadores da capitania, membros do governo da junta provisória, membros do conselho do governo

Ver Artigo
Esmeraldas! Esmeraldas! – Governo de Antônio Luis Gonçalves da Câmara Coutinho

O acontecimento culminante do seu período governamental foi a descoberta de minas pelo capitão Antônio Luís de Espinha

Ver Artigo
Duarte de Lemos, homem providencial

Duarte de Lemos rumou para o Espírito Santo com seus “criados e outras pessoas que por seu respeito vieram com ele”

Ver Artigo