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Dia da Bandeira - 19 de Novembro

Bandeira do Império e Bandeira da Revolução, respectivamente.

Adotando, em lugar da antiga declaração do órgão do partido liberal, o lema “Ordem e Progresso”, antes mesmo de conhecida aqui a nova bandeira republicana, o períodico “Província do Espírito Santo”, sem alterar a numeração, apareceu transformado em “Diário do Espírito Santo’. Fundado em 15 de Março de 1882 por Moniz Freire e Cleto Nunes, trouxe por último a seguinte declaração: - “Para deixar inteira a continuidade das afinidades de seu antigo título (“Província do Espírito Santo”), este jornal, de Janeiro próximo em diante passará a denominar-se “Estado do Espírito Santo”.

O Governo resolveu mantê-lo como órgão oficial na forma do contrato existente; e, nesse sentido, baixo uma resolução a 23 de Novembro. A “Folha da Vitória” de 24, noticiando o fato, declarou que, para isso, o Governador impusera aquela mudança de nome.

No dia 28, entre as notícias extraídas de jornais do Rio, o “Diário” descreveu a bandeira erguida no dia da proclamação da República, no mastro da Ilma. Camara, e posta, depois, também a tremular no “Alagoas”, quando partiu para a Europa levando a família imperial. Por uma deferência de Quintino Bocayuva, o “Alagoas” recebeu ordem, em S. Vicente, para usar o antigo pavilhão nacional enquanto a família imperial estivesse a bordo. Em Lisboa, quando o vapor recebia carga para voltar, as autoridades do porto fizeram um pedido para que não fosse usada a bandeira da República ainda não reconhecida por aquele país.

Ao gosto do pavilhão dos Estados Unidos, compunha-se de listas verdes e amarelas, em sentido horizontal ou sobre o comprimento, tendo no ângulo superior um retângulo escuro com 20 estrelas brancas: era a bandeira do antigo “Centro Republicano Lopes Trovão”.

A que esteve erguida na Camara foi, depois de rigorosa e devidamente autenticada, recolhida ao Arquivo do Distrito Federal, pelo conhecido republicano F. A. de Noronha Santos, quando dirigiu essa repartição.

O “Diário” esclareceu logo que não era a bandeira definitiva; e dava mesmo a descrição de outros projetos e sugestões ainda em estudo.

A 28 de Novembro, “A Folha da Vitória”, que suprimira igualmente a declaração de órgão do partido conservador e continuava a sair duas vezes por semana, publicou o seguinte:

- “O Sr. Capitão do Porto deste Estado recebeu da Capital Federal este telegrama: - Bandeira republicana federal é a mesma nacional, substituindo somente a coroa por estrela encarnada. Pelo ministro da Marinha, Henrique Pinto Guedes, Secretário”. Era um dos projetos citados pelo “Diário”, e que tivera bom acolhimento por parte do Chefe do Governo, desejoso de conservar tudo o que fosse possível manter da bandeira gloriosa do Império.

Ainda a 29 de Novembro altas autoridades federais em Vitória, recebiam telegramas oficiais recomendando-lhes que continuassem a usar a bandeira provisória, anteriormente descrita. Somente a 24 de Dezembro uma das mais importantes repartições, aqui, acusava recebido o modelo da bandeira definitiva, remetido por ofício.

Como ficou fixada no decreto n. 4, de 19 de Novembro, consoante a minuciosa exposição de motivos escrita pelo cidadão Raymundo Teixeira Mendes, a bandeira não foi logo conhecida neste Estado. Trouxe-a afinal o “Mayrink”, que saiu do Rio de Janeiro a 1 de Dezembro.

A bandeira branca, de Portugal, contendo apenas a cruz da Ordem de Cristo, aberta em toda a extensão, perdurou aqui, até 1649. Principado, o Brasil, teve como bandeira, até a vinda de D. João VI a esfera armilar em ouro, ao centro de um campo também branco. Além das conhecidas bandeiras da Inconfidência Mineira e da República de 1817, a Carta Régia de 13 de Maio de 1816 dera ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves as seguintes armas, mandadas empregar igualmente na bandeira:

- o escudo real português, inscrito na antiga esfera armilar de ouro em campo azul, com uma coroa sobreposta.

A Confederação do Equador teve uma bandeira, como depois também a república rio-grandense em 1835.

Proclamada a Independência Nacional, Pedro I substituiu a que havia sido estabelecida pela Carta de lei de 13 de Maio de 1816. A primeira bandeira imperial foi instituída a 18 de Setembro de 1822: - um paralelogramo verde, e nele um quadrilátero romboidal cor de ouro, tendo ao centro o novo escudo: este era, por sua vez, em campo verde, uma esfera armilar de ouro, atravessada por uma cruz da Ordem de Cristo, sendo a esfera circulada por uma orla azul contendo 19 estrelas de prata; a coroa real encimava o escudo, ladeado por dois ramos, de café e fumo. Depois de entregar solenemente essa bandeira ás tropas reunidas no dia 10 de Novembro, Pedro I modificou-a por um decreto de 1º de Dezembro de 1822, quando, resolvida a elevação do Brasil a Império, mandou substituir a coroa real por uma imperial.

Essa a bandeira que, depois de sobre pairar por mais de seis decênios sobre os destinos gloriosos do Brasil, foi por última substituída pelo pavilhão da Ordem e Progresso, há meio século glorificado e venerado.

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do ES, Nº 12 – ano 1939
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2014

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