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Entrevista de Adelpho Poli Monjardim, um grande capixaba

Adelpho Monjardim e Emílio Bumachar - time de water polo

Neste volume, dedicado aos Esportes, a Comissão Editorial dos "Escritos de Vitória" resolveu prestar uma homenagem a nosso mais antigo desportista: o Dr. Adelpho Poli Monjardim.

Nascido em Vitória, em 16 de setembro de 1903, Adelpho é filho do Barão de Monjardim e de D. Beatrice Poli Monjardim. Foi deputado estadual e duas vezes prefeito da capital, sendo que da segunda vez o primeiro chefe do Executivo municipal a ser escolhido pelo voto direto. Presidente de Honra do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, e membro da Academia Espírito-santense de Letras, obteve em sua longa vida inúmeros e merecidos lauréis. Autor de inúmeras obras entre as quais se destacam O tesouro da Ilha da Trindade, 1942; Novelas sombrias, 1944; Vitória Física, 2a. edição PMV, 1995; O Saldanha do meu tempo, 1984.

A Biblioteca Municipal de Vitória recebeu o seu nome.

Dele disse o atual prefeito Paulo Hartung ser "uma das personalidades mais versáteis de nossa história. Autor de 22 livros, o ex-prefeito Adelpho Poli Monjardim foi um atleta vigoroso, praticou remo, natação, water polo, boxe, levantamento de peso e futebol. O ex-prefeito traduz a vitalidade e o potencial de Vitória".

Fomos encontrar o emérito cidadão em sua residência da Rua Coronel Monjardim, com sua prestimosa esposa, companheira de todas as horas.

Para começo de conversa perguntamos ao Dr. Adelpho como foi sua infância. E a resposta veio prontamente:

"Lá da minha distante e encantadora infância é-me grato recordar os dias felizes em que de camisola corria pelos campos da fazenda Jucutuquara ainda orvalhados pelo sereno das madrugadas. Tinha, então, seis primaveras. A Casa Grande era, como ainda é, o meu encanto.

A Pedra dos Olhos, como é conhecida, exercia sobre mim estranho fascínio, e que mais tarde iria proporcionar-me um prêmio literário. A Casa Grande, saudoso, deixei-a aos seis anos, por força das circunstâncias, pois eleito deputado federal meu pai transferiu-se para o Rio de Janeiro. Durante os anos que lá vivi jamais a esqueci. Ao voltarmos fomos morar na Chácara da Capixaba, na capital... Ali cresci e me desenvolvi."

— Como era o bairro da Capixaba quando de sua volta para Vitória?

"Não obstante a sua importância política, deixava muito a desejar. A via principal não era calçada e as suas casinhas pobres destoavam dos três ou quatro autênticos palacetes. Hoje é dos mais belos bairros da capital."

— E Vitória, naquele tempo?

"Vitória, que conheci em 1915, era cidade provinciana, sem grandes atrativos a não ser o Parque Moscoso, a baía de Vitória, a não ser a beleza física. Pouco movimentada e não possuía cais de atracação. Os navios que a movimentavam eram os "Itas" da Companhia Lage, o Lóide Brasileiro e a Comércio Navegação. Estrangeiro nenhum. Hoje é um deslumbramento."

— Havia algum ponto que centralizava a vida vitoriense?

"Outrora a praça Oito era o centro geográfico. Expandiu-se por todos os lados cercada por belíssimos arrabaldes. Camburi, à noite, é um mar de luzes, deslumbra e encanta.

Sinto existir uma prevenção contra o arranha-céu mas se há no mundo lugar onde o meio físico o impõe esse lugar é Vitória, espremida entre o mar e a montanha.

Edgar Castro, dileto amigo, conhecedor de meio mundo, considera Vitória uma das mais belas cidades da terra."

— Dr. Adelpho, vamos ao ponto que mais nos interessa. Qual sua opinião abalizada sobre nossa vida desportiva?

"Esportivamente estamos nos desenvolvendo, principalmente nos esportes náuticos, lutando, lutando de igual para igual com os demais Estados. No futebol também somos bons, o que nos falta é dinheiro. No vôlei e no basquete de primeira. É notável a tendência do capixaba para os esportes náuticos.

O "water, polo" e o boxe tiveram seus dias de glória. Eu mesmo os pratiquei. O bronze que se ergue na velha praça da antiga Prefeitura é do boxeur nordestino João Santos."

Esta mini-entrevista nos deixou encantados com a vitalidade de Adelpho Poli Monjardim, figura de proa de nossa sociedade, tanto na política, quanto nos setores cultural e desportivo de nossa capital.

 

ESCRITOS DE VITÓRIA — Uma publicação da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Vitória-ES.
Prefeito Municipal - Paulo Hartung
Secretário Municipal de Cultura e Turismo - Jorge Alencar
Diretor do Departamento de Cultura - Rogerio Borges De Oliveira
Coordenadora do Projeto - Silvia Helena Selvátici
Conselho Editorial - Álvaro Jose Silva, José Valporto Tatagiba, Maria Helena Hees Alves, Renato Pacheco
Bibliotecárias - Lígia Maria Mello Nagato, Elizete Terezinha Caser Rocha, Lourdes Badke Ferreira
Revisão - Reinaldo Santos Neves, Miguel Marvilla
Capa - Remadores do barco Oito do Álvares Cabral, comemorando a vitória Baía de Vitória - 1992 Foto: Chico Guedes
Editoração - Eletrônica Edson Malfez Heringer
Impressão - Gráfica
Fonte: Escritos de Vitória, nº 13 – Esportes- Prefeitura Municipal de Vitória e Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, 1996
Autor: Adelpho Poli Monjardim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2020

Personalidades Capixabas

Jeanne Bilich

Jeanne Bilich

Nasceu em 12 de outubro de 1948, no Rio de Janeiro. Jornalista, radialista, advogada. Mestre em História Social das Relações Políticas pela UFES

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