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Graciano Neves e a “Doutrina do Engrossamento”

Capa do Livro - Doutrina do Engrossamento - Autor: Graciano Neves

Espírito arguto, dotado de um profundo senso filosófico, Graciano Neves, ao escrever A DOUTRINA DO ENGROSSAMENTO, quis, sem dúvida, focalizar uma época da vida nacional, época de transição que estava sendo atravessada pelo Brasil, mal saído de um sistema de governo, vigente há mais de meio século.

Durante o Segundo Reinado revezaram-se, no poder, os dois grandes partidos – o Conservador e o Liberal.

Dos quadros desses dois grandes partidos, saíam invariavelmente, os mentores dos destinos nacionais.

O Senado do Império era, inegavelmente, aquele lago tranqüilo, onde repousavam, sem maiores preocupações, os velhos chefes dos dois partidos, a quem a Nação devia serviços inestimáveis. A vitaliciedade senatorial evitava, e impedia, choques mais ásperos, entre os (pais da Pátria).

Quem não gozasse das simpatias, ou das benemerências dos antigos chefes do Império, dificilmente faria carreira política.

A república possibilitou uma ampla transformação quer no método da política, quer no conceito do novo sistema de administração.

A inversão dos quadros sociais era compreensível e fatal, mas os novos profissionais da Política tinham que chamar a atenção sobre as suas pessoas, até então desconhecidas.

E Graciano Neves, nas entrelinhas de seu livro, em cada período ou cada frase, deixa entrever essa fase de transição, essa ascensão dos novos defensores do povo, dos novos abnegados pela causa pública, como deixar entrever a luta surda entre os que alcançaram o poder e os que não conseguiram chegar até ele.

Na época, República foi sinônimo de igualdade, de nivelamento. O republicano, para ser mesmo republicano, devia ser licencioso e desabrido em seus escritos e discursos, que isto era demonstração de independência e de altivez.

Mestre Graciano, entretanto, não via com bons olhos, essa pseudo – altivez, e em seu livro, com uma boa dose de ironia e de filosofia mostra que:

 “são os detestáveis, irracionais e improdutivos ataques oposicionistas que deslocam o governo de sua serena moderação, obrigando-o à legitima defesa da própria existência. As oposições sistemáticas (como todos os fatos políticos provam à saciedade) são indisputavelmente os piores fatores de tirania.”

E acrescenta, ainda, que:

“O oposicionismo a todo transe, essa espécie sonora e campanuda que tanto delicia os gostos fáceis da vasta imbecilidade humana, é o mais triste expediente de que podem usar os ambiciosos, e o menos eficaz dos processos para influir na marcha da governação.

Bem sabem os mais inocentes políticos que todos os reptos patéticos dos oposicionistas não são de modo algum ardentes revelações de amor à pátria ou mesmo à retórica e sim evidências de ínfimos despeitos e cobiças malogradas”.

Para Graciano Neves, os ataques desabridos, à autoridade, produzem mais mal que bem, em favor da causa dos que atacam.

 

Fonte: Torta Capixaba, 1962
Autor: Nelson Abel de Almeida
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro de 2014

 

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