Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Guarapari de ontem

Guarapari - Anos 70 aérea - Estádio Davino Matos 70

"Quem passasse pela ruazinha tranqüila, aquela ruazinha varrida pelo vento sul e cujo solo barrento todo se cobria de regatinhos formados pelas chuvaradas de verão, invariavelmente descobriria a velha rendeira curvada sobre a almofada, trocando os bilros, atenta ao trabalho e de toda alheia ao bulício e à agitação exteriores ..."

Guarapari de ontem, cheia de ruazinhas tranqüilas de barro, que se cobriam de regatinhos formados pela chuvarada de verão. Ah, que saudade! A Guarapari de hoje não tem mais ruazinhas tranqüilas onde se possam empoçar as chuvas de verão, que graças ao El Nino, à camada de ozônio e a tantos outros fenômenos meteorológicos, são cada vez mais raras !

Onde foram parar as rendeiras de outrora, de cabecinhas brancas e rostos enrugados, tão bem representadas pela Vovó Vitorinha ...

A renda de bilro não passa hoje de mera lembrança de um passado, não tão distante assim e, apesar de todos os esforços feitos para manter a tradição desse artesanato local, os segredos de sua confecção não passaram de geração a geração. Que pena !

"Em sua casa humilde, construída de taipa, com minúscula janela e porta de tábuas inteiras, quase nada havia. Quase nenhum móvel. Mas se alguém batia àquela porta era certo que se retiraria atendido a contento. Voltaria de lá trazendo o que desejava: mudas de plantas (jasmin, resedá, bogari, murta), um punhado de cheiro verde, colhido na hortazinha da casa, um pouco de urucum, um limão galego, um mamão em ponto de ser transformado em doces. O terreno era grande, estendia-se pela encosta de uma colina de cujo topo se descortinava o oceano largo. Na época das guabirobas, dos araçás roxos, das goiabas e das pitangas, as crianças acudiam em bandos, espantando os passarinhos que voejavam pelas árvores do pomar ..."

Casas humildes ainda existem, mas não mais construídas de taipa e sem janelas minúsculas, mas com reluzentes antenas parabólicas apontando para um céu, para o qual quase nunca se olha, por falta de ... tempo.

E de lá não mais se volta com mudas de plantas, um punhado de cheiro verde, limão galego ou mamão transformado em doces que, felizmente, e esperamos por muito tempo ainda, podem ser adquiridos na feira local, às quartas e sábados.

Terrenos grandes também já não existem e, só podemos descortinar o oceano largo, do último andar de um dos inúmeros edifícios que cercam nossas já tão ensombreadas praias.

Crianças em bandos não mais caminham, apenas voam, em cima de patins ou skates e só não espantam os passarinhos, porque estes já não voejam mais pelas árvores do pomar, que também não existe mais !

Se você, caro leitor, ainda se lembra do que é um pomar, deve concordar comigo que a fruta colhida no pé é muito mais saborosa ! 

Tempos que não voltam mais .... Quanta saudade !

Texto de: Magnólia de Aguiar - Moradora de Guarapari (19/03/2010).

Matérias Especiais

Bens tombados

Bens tombados

Confira a lista dos principais bens edificados tombados no Espírito Santo:

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Casa da Memória de Vila Velha - Sua História

Na Prainha, à beira mar, de frente para a Praça Tamandaré, havia um casarão geminado em ruínas, uma das últimas edificações do século XIX, datada de 1893, conforme inscrição em seu frontispício

Ver Artigo
A Herança Cultural Afro - Capixaba

Roger Bastide destacava, por volta de 1950, que não foi apenas no Rio de Janeiro que a Macumba difundiu-se, pois já era bem popular no Espírito Santo

Ver Artigo
Hermógenes - Amor pela Barra

Aos 12 anos, Hermógenes embarcou com a mãe e o irmão Ivo no navio de cabotagem Lud e, após longa viagem, aportaram em Vitória. Foi morar em Paul, município de Vila Velha

Ver Artigo
Memória Capixaba - O Arquivo e a Biblioteca (II) – Por Gabriel Bittencourt

O novo Congresso Legislativo construído sobre os escombros da antiga igreja da Misericórdia, que fora arrasada por ordem de Jerônimo Monteiro

Ver Artigo
A Polícia Militar na Historiografia Capixaba - Por Gabriel Bittencourt

A Policia Militar jamais suscitou tanta evidência, seja na imprensa ou no seio da comunidade cultural, como neste ano em que comemora 150 anos de existência

Ver Artigo