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Visitantes Ilustres em Vila Velha - Regente Feijó

Diogo Antônio Feijó

Poucos sabem que o antigo Regente Feijó esteve de certa feita em Vila Velha, pois estava exilado em Vitória, e rezou uma Missa no Convento da Penha.

Ficou sob essa situação política, por alguns meses, porque participara de uma revolta dos liberais em São Paulo, contra fraudes em eleições que haviam ocorrido. Na época o próprio Caxias foi acionado pelo governo imperial, e tendo debelado o movimento, Feijó foi preso em Sorocaba. De lá recambiado para Santos e exilado no Espírito Santo.

Aqui era considerado uma região distante da Corte do Rio de Janeiro, e afastada de grandes centros, onde alguém aqui exilada não teria grandes plateias para prosseguir no seu ideário político e ameaçar iniciar um retorno triunfal, a partir de um levante que liderasse.

A população era pequena, e na época a comunicação maior era feita por navegação ao Rio de Janeiro, demorada e com pouco tráfego, e com a Bahia, era menor ainda, dado a distância até Salvador.

Contudo foi beneficiado por anistia dada por D.Pedro II em 1844 bem depois de sua curta temporada entre nós. Mas voltando ao Senado teve que responder processo por conspiração, mas foi absolvido.

Sua vida daria um filme. Era um padre à moda antiga, tendo sido político, proprietário rural e grande entusiasta da agricultura brasileira. Era contra a escravidão. Foi por certo tempo contra o celibato clerical, questão polêmica já em sua época.

Era comum clérigos ocuparem cargos políticos, eletivos ou por nomeação, dado notório saber e por ser na maioria homens letrados. Padre Magalhães nascido em Vila Velha é outro quase dentro desse figurino, merecedor também de pesquisa sobre sua atuação.

Feijó antes tinha sido Regente do Império entre 1833 até 1839, tendo sendo ocupado importantes cargos políticos, sendo enfim um grande estadista brasileiro e vivido grandes aventuras pela pátria. De certa feita antes da independência brasileira, teve que fugir de Lisboa para Londres.

Por conta da revolução dos liberais paulistas e mineiros, foi  exilado em Vitória com o Senador Vergueiro, e veio no vapor “Amélia”; e em 11 de agosto de 1852 já estava aqui, sendo que ficou por uns 6 meses no desterro.

Veio ao Convento da Penha, e cantou missa de Nossa Senhora das Dores, onde há inclusive altar específico dessa devoção. Aqui os exilados foram tratados muito bem.

Provavelmente veio com ele o pajem Agostinho, preto; e um agregado, Modesto, pardo, coroinha, clérigo tonsurado que andava de batina. Padre Diogo não usava batina por ser sitiante.

Na situação de desgraça , a devoção religiosa reapareceu , brilhando mais do que nunca, tendo escrito inclusive afetuosa carta à sua irmã.

Nascera em São Paulo em 17.8.1784 e aí morreu em 10.11.1843, aos 59 anos de idade. Pesquisa em suas memórias ou diários poderá trazer à luz algum comentário inédito de como era a Província no seu exílio, e informações preciosas.

 

Fonte: Enciclopédia Brasileira  Mérito, “O Sacerdote Diogo Antônio Feijó” – Cônego Luis Castanho de Almeida – Vozes – 1951 – pg. 120 a 121
Compilação: Roberto Brochado Abreu, setembro/2015

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