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Coisas de sinuca – Por Pedro Maia

Pedro Maia - Sinuca de bico professor...

Para quem não sabe é bom saber que um salão de sinuca é sempre o ponto onde se fica sabendo de tudo que ocorre na comunidade, seja ela de uma pacata cidade de interior ou de uma capital com ares de metrópole. É no salão de sinuca que os homens, independentes de idade, cor ou religião, se transformam unicamente em parceiros, divididos somente pela habilidade de cada um em manejar o taco e encaçapar as bolas.

Vai daí que ali não tem rico nem pobre, aristocrata ou plebeu, doutor ou operário. É todo mundo uma elite só, onde o que importa é ter a grana para jogar e pagar as despesas que eventualmente ocorrem durante as partidas, porque afinal ninguém é de ferro! E neste clima de igualdade as pessoas desabafam com mais liberdade, tornando o salão de sinuca um dos poucos locais onde realmente se pratica a base da democracia, ou seja, cada um tem o direito de opinião, mesmo que esta não esteja de acordo com a opinião dos outros. E tudo numa boa, sem grilos nem fofocas.

Pois foi no salão do Haulime, em Jucutuquara, que ocorreu o seguinte diálogo entre um professor, bom em Matemática e ruim em sinuca, e um malandrinho, ruim em Matemática, mas bom de taco. Explicava o professor:

— O mal do brasileiro é que ele não raciocina direito. Não é difícil. Vou dar um exemplo: se dez pedreiros constroem um muro em cem dias é lógico que cem pedreiros vão construir este mesmo muro em dez dias.

Foi quando o malandrinho encostou o taco e respondeu à altura:

— To sabendo, ô meu! Quer dizer que se um navio leva dez dias para ir do Rio à Europa, logicamente dez navios vão gastar um dia só. É ou não é?

Mesmo sob a gargalhada geral o malandrinho continuou seu joguinho, encaçapando as bolas sem perceber o espanto do professor.

Pois é! Salão de sinuca é isso aí. Cada qual por si.

 

Capa: Helio Coelho e Ivan Alves
Projeto Gráfico: Ivan Alves
Edição: Bianca Santos Neves  e Lúcia Maria Villas Bôas Maia
Revisão: Rossana Frizzera Bastos
Produção: Bianca Santos Neves
Composição, Diagramação, Arte Final, Fotolitos e Impressão:
Sagraf Artes Gráficas Ltda
Apoio: Lei Rubem Braga e CVRD
Fonte: Cidade Aberta, Vitória – 1993
Autor: Pedro Maia
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2020

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Morava na Beira-Mar e, muitas vezes, percorria os olhos em direção ao Porto. Algumas coisas me intrigavam, a vida dos embarcadiços, as estórias de contrabando, as mensagens escritas nas pedras, os marinheiros do Bar Scandinávia, as prostitutas

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