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Coronel Bimbim

Coronel Bimbim - Século Diário

Com força arrasadora, o coronelismo imperou na política capixaba durante grande parte do século passado, deixando marcas profundas em nossa história. Alguns coronéis, no exercício do mandonismo local, gostavam de fazer justiça com as próprias mãos – eram implacáveis e impiedosos em suas ações punitivas.

O noroeste do Espírito Santo conheceu a trajetória de um famoso justiceiro chamado Secundino Cypriano, o coronel Bimbim, que passou impunemente em cima das leis e das autoridades – seu lema foi “inimigo a gente não perdoa, mata!.

O coronel Bimbim foi fazendeiro no Contestado, comerciante de café, agiota e, também, senhor absoluto sobre a vida e morte dos habitantes do Vale do Rio Doce de 1920 até meados da década de 1960. Nesse tempo, a região viveu o período mais violente de sua história, ajudado, em parte, pela disputa de sua posse pelo Espírito Santo e Minas Gerais.

Cálculos exagerados dão conta de que o coronel Bimbim, com o auxílio de seus jagunços, foi responsável por cerca de 8 mil mortes. Entre os “criminosos justiçados” incluíram-se estupradores, ladrões, posseiros, coronéis rivais, adversários políticos, maridos e esposas infiéis etc. O período de crimes foi tão extenso no Espírito Santo que coronel Bimbim e seus asseclas acabaram conhecidos como integrantes de uma organização secreta, mafiosa, chamada de Sindicato do Crime.

Alguns chegam a estabelecer comparações entre o coronel Bimbim e o cangaceiro Lampião, principalmente no que se refere ao código de justiçamento de ambos. E, tal como o matador nordestino, o coronel foi, por um lado, venerado pela população pobre, mas por outro, odiado pelas famílias de suas vítimas.

Para frustração de uma legião de inimigos e alegria de amigos seguidores, Bimbim foi, de certa forma, premiado, simplesmente por ter morrido de morte natural em 1964 – uma parada cardíaca tirou-lhe a vida. Muitos se tivessem oportunidade, gostariam de ter sido o algoz deste lendário coronel que, por 40 anos, reinou inconteste nas terras sem lei do Contestado.

 

Fonte: História da Espírito Santo – Uma Abordagem didática e atualizada 1535-2002
Autor: José P. Schayder
Apud Rogério Medeiros. “Bimbim escreveu seu nome à bala”. Revista Século, Vitória, nº 21, pp. 6-15, novembro de 2001 – adaptado por Schayder 
Compilado por: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2012

 

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