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Educação e Cultura - Mediador: Luiz Carlos de Almeida Lima

Sonia Barreto e Agostino Lazzaro

Falando de Educação e Cultura

Agostino Lazzaro é diretor do Arquivo Público Estadual, cientista social e, também ator, contista e poeta. Sonia Barreto é escritora, historiadora e professora universitária, membro da Academia Feminina de Letras do ES. Ambos têm em comum a preocupação com a cultura, a reflexão e a pesquisa no estado.

Agostino: Como à senhora vê a participação das universidades públicas e privadas com os outros setores ligados à cultura e à produção do conhecimento no Espírito Santo?

Sonia: As instituições de ensino públicas e privadas, embora se articulem para a difusão da cultura, ainda apresentam modesta participação com outros setores da sociedade que também produzem cultura. A contenção de gastos ocasiona déficit em prol de projetos arrojados e, embora involuntariamente, fica uma lacuna na produção de conhecimento.

Agostino: As mídias digitais e suas redes de relacionamento são determinantes para o desenvolvimento de uma nova estrutura para a educação?

Sonia: O computador, como ferramenta colaborativa do processo ensino-aprendizagem utiliza softwares e aplicativos pedagógicos como recursos de ensino, não se colocando propriamente dito como um paradigma, mas como complemento das ações educativas.

Agostino: Nessa nova era da informação, as grandes empresas de comunicação estão ampliando ou perdendo espaço quanto à formação da opinião pública?

Sonia: O poder das mídias sociais é inegável, e há uma pressão muito grande sobre as opiniões e ações. Mas a mídia televisiva tem grande poder sob a população. O espaço para a opinião pública continua aberto, mas a manipulação de massa é muito mais abrangente, embora as empresas estejam preocupadas em saber o que se fala nas redes sociais.

Agostino: De modo geral, a questão da educação no Brasil sofre pela falta de investimentos ou está mais atrelada à formação cultural do povo brasileiro?

Sonia: Além de sofrer pela falta de investimentos, também sofre pela má administração dos recursos. Não é fácil mudar a cultura do povo brasileiro, acostumando com o compadrio, e pensar as prioridades, uma vez que cada um quer ser a própria prioridade. Para enfrentar grandes desafios se faz necessário ter uma visão holística para que a função da educação seja respeitada e cumprida de acordo com a legislação e sua função social compondo, assim, o caráter nacional.

 

* * *

 

Sonia: A atual estrutura física do Arquivo Público Estadual é adequada para o recolhimento da documentação de valor permanente?

Agostino: Com a inauguração da nova sede do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES), em 2011, o imóvel passou a acomodar toda a documentação permanente em diversos formatos e suportes, recolhida até a presente data (manuscritos datados dos séculos XVIII ao XX, documentos fotográficos, filmes em película cinematográfica...). A maior parte do acervo está acondicionada em ambientes climatizados, com controles de temperatura e umidade, de acordo com as normas internacionais para a preservação de acervos arquivísticos.

Sonia: O quadro de pessoal tem formação/qualificação profissional para orientar pesquisas e garantir aos usuários pleno acesso aos documentos?

Agostino: O quadro de pessoal do Arquivo do Estado é multidisciplinar. Além dos servidores formados em arquivologia, os trabalhos técnicos incluem profissionais com curso superior em história, artes plásticas e artes visuais (que atuam na área de conservação e restauração) e profissionais das áreas de comunicação social e ciências sociais.

Sonia: Há políticas públicas voltadas para restauro e manutenção do patrimônio histórico-cultural?

Agostino: A conservação e preservação do acervo estão contempladas pela Secretaria de Estado da Cultura no Plano Estratégico 2011-2014 / Preservação do Patrimônio Cultural. A política de preservação inclui restauração, microfilmagem dos documentos e sua posterior digitalização. Para a socialização do acervo criamos a Coleção Canaã que já publicou 20 volumes, os quais contemplam a história social e política do Espírito Santo, e destaco o Programa de Gestão Documental (PROGED) , o Projeto Memórias e o Projeto Arquivo Itinerante – através de um veículo tipo van o APEES atende estudantes e a população em geral com a distribuição de certidões gratuitas sobre a origem de seus antepassados.

Sonia: E como foi sua trajetória na literatura e na dramaturgia?

Agostino: No teatro capixaba desenvolvi, desde o final da década de 1970 e ao longo de toda a década de 1980, uma trajetória diferenciada não apenas como ator mas, também, como diretor e assistente de direção em diversas montagens. Atuei em diversos espetáculos como “Antígona”, “A Mãe Provisória” e Tem Xiririca na Bixanxa. Atualmente coordeno o Contra Cena – Núcleo de Pesquisa Teatral, criado em 2003. Quanto à literatura, nunca parei de escrever. Um dos meus livros, “A Árvore do Verão” (vencedor do Prêmio Literário Capixaba 1991) levei cinco anos para escrevê-lo. Outro livro, “Inventário do Tempo” (Prêmio Literário Capixaba 1992), é uma antologia de poesias escritas, ao longo de quase uma década. Considero o ato de escrever algo muito difícil e desafiador, pois exige um esforço concentrado de todas as nossas energias.

 

Fonte: Revista SIM Nº 74, julho/2014
Autor e Mediador: Luiz Carlos de Almeida Lima
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2014

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