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Espírito Santo – Jornalismo, Literatura e Dança

O livro capixaba já não é restrito à elite internacional

Espírito Santo – Jornalismo, Literatura e Dança

 

Jornalismo

Informação para o cidadão

O jornalismo no Espírito Santo emergiu, no início deste século, como um instrumento para atender a interesses político-partidários. Nas décadas de 60 e 70, com o desenvolvimento econômico e o fechamento político, os jornais tomam uma feição mais informativa e assumem uma importância cultural inegável. A geração de Cláudio Bueno Rocha produz, neste período, e apesar da censura, a primeira e a mais importante renovação no jornalismo capixaba. Nos anos 70, quando em todo o país proliferam os alternativos, o Espírito Santo se apresenta com o Posição.

Na década de 80, quando se consolidam as redes, desenvolvem-se as TVs e as rádios, é que ocorre o grande salto em direção a um jornalismo moderno e mais compromissado com o direito do cidadão à informação, à cultura e ao lazer. Embora entre 1983 e 1987, lamentavelmente, A GAZETA fosse o único jornal diário disponível nas bancas. A Tribuna não circulou neste período.

O mundo de hoje é o mundo da informação. Não há como se viver sem uma ligação com a realidade presente. O jornalismo é a atividade que se ocupa basicamente da difusão de informações, isto é, da constante sintonização com a atualidade, do provimento daquela orientação básica indispensável para as decisões cotidianas, desde as mais elementares até as mais complexas. O jornalismo é indispensável hoje: para que cada um se localize no mundo, em seu país, em sua cidade, situe-se diante do conjunto de circunstâncias que o cerca, organize sua vida a partir do conhecimento do volume de oportunidades que lhe são oferecidas, tome suas decisões e faça suas escolhas a respeito dos assuntos que lhe interessa.

Todas as grandes mudanças tecnológicas que o mundo experimenta hoje deverão produzir um grande impacto no jornalismo, multiplicando os jornais, que serão mais regionalizados, terão cadernos mais específicos e segmentados. O jornalismo será sobretudo informação, e se aperfeiçoará na busca de uma maior qualidade, de um maior respeito à privacidade, de uma maior oferta de serviços. Leitor, telespectador ou ouvinte serão entendidos como consumidores de informação e cidadãos.

O Espírito Santo não está atrás neste movimento. A incorporação das cores em A GAZETA, o surgimento de novas rádios mais voltadas para o jornalismo, os primeiros estudos para uma TV por assinatura mostram que, apesar da recessão, o jornalismo avança. Não é à toa, portanto, que A GAZETA ostente uma das melhores performances na relação entre o porte do jornal e a magnitude do mercado potencial. Isto num Estado que, apesar de localizado no Sudeste, tem suas maiores empresas direcionadas para o mercado externo.

Literatura

Prosa de valor

Falta conquistar o leitor de fora

A literatura capixaba é variada e consistente, compondo um retrato significativo da produção literária brasileira. O professor de Literatura da Ufes Francisco Aurélio Ribeiro aponta a pós-modernidade de Reinaldo Santos Neves, o realismo fantástico de Bernadette Lyra, Adilson Villaça e Fernando Tatagiba, o regionalismo de Renato Pacheco e o minimalismo de Sebastião Lyrio e Ivan Castilho.

Embora a dramaturgia capixaba seja fraca, Ribeiro destaca a qualidade da literatura infantil (Luís Carlos Almeida Lima, Sérgio Blank e Toninho Neves) e o crescimento da poesia, aberta a vários estilos e tendências, como a linha metafísica de Roberto Almeida.

Convencido de que a literatura capixaba vai furar o bloqueio dos grandes centros, "pela qualidade", o professor da Ufes lembra que o movimento literário do Espírito Santo já superou o grande problema de algumas décadas atrás: era preciso publicar fora. O obstáculo agora é na divulgação e na distribuição dos livros, que não conseguem furar o bloqueio exercido pelo eixo Rio-São Paulo.

Para se impor no cenário nacional, a literatura capixaba conta com o exemplo pioneiro de dois cronistas, Rubem Braga e José Carlos Oliveira, que conquistaram fama e prestígio, graças ao esforço individual realizado fora do Espírito Santo.

Dança

Considerada a "prima pobre" das artes cênicas, a dança no Espírito Santo não chega a somar dez profissionais de nível para competir no cenário nacional. Sem espaços para ensaios e apresentações, sem cursos de formação profissional e eternamente dependente de patrocínios escassos, a dança capixaba sobrevive graças ao esforço individual de alguns profissionais que atuam isoladamente ou fazem parte de pequenos grupos cuja produção, hoje, depende da Lei Rubem Braga, que protege as artes na capital do Estado. Além disso, há academias que ensinam técnicas do balé clássico e que mantêm apresentações anuais dos alunos nos palcos capixabas.

Curiosidades

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