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Figuras Populares - Por Maria Stella de Novaes

Foto de Maria Stella de Novaes em seu livro - Relicário de um Povo

Além de as figuras populares de tabuleiro na cabeça, para vender manuês, cocadas e pés-de-moleque, outros tipos femininos dever ser recordados. Em meados do século XIX, por exemplo, existia a pitonista Vitória-Bibi, que preparava o arroz do Sacramento, arroz doce, vendido, às quintas-feiras, com virtudes sobrenaturais: contra feitiços. Vitória-Bibi residia, no seu “consultório”, na Rua das Flores, rua cujo nome perpetuava a lembrança de três formosas jovens que, se existissem atualmente, seriam decantadas, entre as nossas misses, representantes da beleza espírito-santense. Gertrudes, Ana e Joaquina. Uma das jovens era mesmo tão linda que, de acordo com as crônicas antigas, atraía o povo, que a seguia, para a missa, no Carmo. Em Campos, foi chamada “A Estrela do Norte”.

O arroz-doce era uma verdadeira panacéia. Mas, fronteira à sua casa, Vitória-Bibi divisava sua competidora, Chiquinha do Diabo que, segundo o cronista de A Província do Espírito Santo, se metarmofoseava em Pata, nas sextas-feiras, à noite.

Quem não se recorda de Siá Maria dos Cágados, nos Pelames? Residia no porão da casa do carpinteiro Giovanotti, porão que era o seu paraíso e onde estava, igualmente, a original criação de cágados.

Em 1923, começou a impor-se outra figura folclórica: a rainha das Flores, assídua, na Catedral, prestativa e amável, quando os moleques a deixavam em paz. A Rainha das Flores imperou, nas ruas de Vitória, até 1950, quando foi para o Asilo, em Cachoeiro de Itapemirim.

- E Sinhá Honorina?

Era uma baiana, tipo mameluca, residente no Morro da Gamela, para os lados do Suá. Ali, fundou sua macumba, onde se reuniam pessoas de todas as classes sociais. Cúmplice de um Pai-de-Santo, Sinhá Honorina arranjava casamentos e realizava todos os “milagres” do seu ofício. Um dia, em 1923 ou 24, o delegado Henrique de Carvalho deu uma batida naquele reduto singular: arrebatou os troféus do combate ao fanatismo que dominava o pessoal assíduo às “funções”, ali promovidas, às sextas-feiras. – Quanta gente importante foi parar no Posto Policial?!

 

 

Fonte: A Mulher na História do Espírito Santo (História e Folclore), 1999
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2012 

 

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