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Guarapari e Perocão

Perocão

Construída em posição pitoresca na embocadura do rio do mesmo nome, a Vila de Guarapari, em vez de estender-se pela margem do rio, ergueu-se perpendicularmente. Para se alcançar a praia era preciso atravessar toda a cidade. Na passagem por Guarapari em 1818, o naturalista Saint-Hilaire, descreveu que a rua que dava acesso ao rio era bastante larga e cercada de casas, a maior parte coberta de telhas.

Em frente das portas e das janelas de sacadas havia uma espécie de tela muito fina que substituía as venezianas. Sem calçamento, lembrava Cabo Frio, já que apresentava um gramado muito fino. Guarapari era mais importante do que Itapemirim e Anchieta (Benevente) por causa do comércio. Os moradores eram em geral pobres e tinham poucos escravos. Produzia-se cana-de-açúcar para a fabricação de aguardente, algodão, arroz, feijão e mandioca.

Sal e Formigas

Do outro lado do rio, que só podia ser alcançado a nado ou por uma rústica embarcação, a planície era arenosa, basicamente de restinga. Atravessando uma floresta, chagava-se a Perocão, local que emprestou seu nome a uma ribeira da qual as águas correm na vizinhança. Havia uma casa muito pitoresca, construída sobre o topo de uma pequena montanha que dominava uma enseada larga e onde se avistava também o alto mar. Em volta da casa estavam terrenos cultivados e algumas casas de negros.

Na base da colina avistava-se o vale que regava o Perocão. Imensas florestas se estendiam do lado oeste e à distância visualizavam-se as montanhas. Percorrendo o rio Perocão, Saint-Hilaire achou outra ribeira negra, a de Una, onde encontravam-se choupanas mal conservadas. “ Entrei numa delas e vi sal branco como neve. Esse sal magnífico se forma por evaporação natural, nos buracos onde o mar deixa água, depois das marés altas e os habitantes da região têm o cuidado de recolhê-lo.

Da mesma forma que o rio Perocão, a ribeira de Una se transpunha por uma ponte. Desde os arredores de Guarapari a Ponta da Fruta, as terras eram mais improdutivas que as de Itapemirim e as situadas mais ao sul. As grandes formigas destruíam as plantações e os estragos eram bem maiores do que em Itapemirim, porque os terrenos áridos eram propícios aos ninhos de formiga.

Fonte: Edição Especial de A GAZETA – Municípios do ES, Vitória, segunda-feira, 26 de setembro de 1994 .

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