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Idéias para o futuro do ES

Espírito Santo em números

A sociedade capixaba quer ser rica, justa e equilibrada.

Faz parte da história do Espírito Santo. De tempos em tempos, as lideranças capixabas se preocupam em gerar um projeto para criar uma sociedade mais rica, justa e moderna, sem carências nem desajustes gritantes. O mais importante trabalho já realizado nesse sentido foi o projeto "Espírito Santo Século 21", que mobilizou toda a capacidade intelectual do Estado, entre 1985 e 1990.

A partir do roteiro organizado por Lélio Rodrigues, um capixaba brilhante que vive em Brasília, o projeto ES Século 21 promoveu dezenas de debates, painéis, reuniões e seminários em Vitória e em cidades do interior do Estado. Foram três fases, cada uma produzindo um documento. Na última, todo o esforço capixaba foi sintetizado no documento "Agendas para o Futuro".

Distribuído em janeiro de 1991, o documento final do projeto ES Século 21 enumera os sete desafios básicos da sociedade capixaba (ver o quadro nesta página), até os primeiros anos da próxima década. No fundo, trata-se de reverter o atual quadro de atrasos, carências e deficiências próprias do subdesenvolvimento sócio-econômico e cultural. Apesar do volume das tarefas para que o Espírito Santo vença as barreiras que o separam de um estágio desenvolvido, a realização do projeto ES Século 21 prova que o Estado possui recursos intelectuais para fazer a transição para o moderno. Faltam instrumentos políticos, recursos econômicos e quadros técnicos. Mesmo assim, o projeto ES Século 21 já está sendo tocado, aos pedaços. Os grandes projetos em estudo ou execução no Espírito Santo, no momento, são:

. A desconcentração econômica da Grande Vitória (ver o Documento Estado n° 4, de 26/10/92)

. A organização da Região Metropolitana de Vitória como uma nova forma de administração urbana (ver Documento Estado n° 5, de 30/11/92)

. A estruturação do Corredor de Transportes Centroleste

. A despoluição da baía de Vitória e o saneamento ambiental do Estado

. A implementação de um plano diretor de turismo

Na maioria dos casos, já existem soluções encaminhadas para todos os macroprojetos capixabas, que se interligam naturalmente entre si, na busca de soluções que abram novas oportunidades para todos. Embora sem contar com muitos recursos, o Espírito Santo está em obras, preparando a infra-estrutura para o século 21.

O litoral capixaba precisa de 15 anos para ficar maduro

A costa capixaba é tão parecida com o litoral espanhol, no trecho correspondente à Catalunha, que as autoridades turísticas do Espírito Santo contrataram um escritório técnico de Barcelona para ajudar, como consultor, na montagem de um moderno projeto de desenvolvimento do turismo no trecho litorâneo entre Vila Velha e Piúma, incluindo Guarapari e Anchieta.

São ao todo 20 praias tradicionalmente freqüentadas pelo público capixaba e por turistas vindos de outros Estados, principalmente do Rio, de Minas, de São Paulo e de Brasília. A "via catalã" é explicada pela engenheira Maria José Quintais Tabachi, coordenadora de turismo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo. "A região de Barcelona lembra a de Vitória pela beleza do litoral e a base industrial. Lá, eles fizeram uma opção turística há 30 anos cujos resultados estão sendo colhidos hoje", explica ela, lembrando que a costa espanhola é hoje o principal ponto de convergência do turismo europeu.

Baseado em dados colhidos no final dos anos 80, o projeto turístico do litoral Sul não foi tocado por falta de recursos. Retomado recentemente pelo Governo, ele se encaixa naturalmente no trabalho de zoneamento costeiro em execução no Espírito Santo (e em todo o Brasil). A premissa fundamental do projeto é a de que não há sucesso turístico sem um meio ambiente preservado. Por isso, a gestão do projeto das construções de Guarapari turística capixaba deverá ser transferida para as comunidades, como acontece na região da Catalunha.

Os responsáveis pelo projeto marcaram para dezembro o início de uma série de reuniões com as comunidades atingidas diretamente pelo plano, entre Vila Velha e Piúma. E um trabalho de conscientização que deve se prolongar por 15 anos, quando o litoral capixaba poderá estar maduro para explorar de verdade o turismo. Até lá, o mesmo trabalho terá chegado à região litorânea central e à costa norte. E também às montanhas.

 

Fonte: Os Capixabas, A Gazeta 14/12/1992
Pesquisa e textos: Abmir Aljeus, Geraldo Hasse e Linda Kogure
Fotos: Valter Monteiro, Tadeu Bianconi e Arquivo AG
Concepção gráfica: Sebastião Vargas
Ilustração: Pater
Edição: Geraldo Hasse e Orlando Eller
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2016

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