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Revolta dos índios de Iriritiba – Aldeia de Orobó

Vale do Orobó fica localizado por trás do Monte Aghá.

Foi justamente a vinte e nove de setembro de 1742, depois da procissão de São Miguel, que uma rusga de menor importância havida entre um minorista da Companhia de Jesus e o índio Fernando Silva, da aldeia de Iriritiba, deu origem a longo incidente, agravado – ao que parece – por incompatibilidades políticas entre os jesuítas e o ouvidor Pascoal Ferreira de Veras.

Houve lutas, mortes, assalto à casa das provisões dos padres, que se viram obrigados a embarcar para Vitória, onde a Junta das Missões – presidida pelo provincial da Companhia – conseguiu do capitão-mor Domingos de Moraes Navarro a promessa de que seria mandado um contingente de infantaria a Iriritiba, a fim de capturar os rebeldes e restituir os padres ao seu lugar. Faltando o capitão-mor ao prometido, os jesuítas dirigiram-se ao conde das Galveas, que, afinal, fez chegar ao conhecimento da Coroa as lamentáveis ocorrências.

A vinte e oito de julho de 1744, foi expedida carta régia mandando tirar devassa, de que resultaram a deportação dos índios Manuel Lobato e João Lopes para a colônia do Sacramento e a “exterminação para longe da aldeia” dos menos culpados.

Consequência dessas lutas foi a fundação da aldeia de Orobó, “nas cabeceiras do rio Reritigba, a três leguas do mar”, por um grupo de índios descontentes.

A política de hostilidades mútuas, que se estabeleceu entre os dois núcleos, obrigou o superior de Iriritiba a manter seus pupilos em pé de guerra, para a defesa de qualquer ataque dos contrários. A precaução exigiu mesmo fossem instaladas duas peças de artilharia junto à igreja que a piedade e a devoção do padre Anchieta ergueram sob a invocação de Nossa Senhora da Assunção.

Prosseguiram as animosidades até a expulsão dos inacianos do Brasil, sem que as autoridades da colônia se resolvessem a cumprir as determinações reais tendentes a pôr cobro à penosa situação.(6)

 

NOTAS

(6) - Os dados sobre a revolta dos índios de Iriritiba estão no capítulo IV, do III volume, de A Terra Goitacá, da autoria de ALBERTO LAMEGO, para onde encaminhamos o leitor interessado em maiores detalhes, inclusive no que tange à documentação. Ver, também, no mesmo vol. (p. 215 ss.), referências aos depoimentos tomados por ocasião da devassa aberta contra os jesuítas, após sua expulsão.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, junho/2018

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