Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando desde 2000 a Cultura e História Capixaba

Vitória Cidade Presépio – Por Ester Abreu

Vista de Vitória - Foto Victor Frond 1860

Presépio, manjedoura, representação do nascimento de Cristo. Lembra visitas de reis e pastores, povo e um deus-homem. Herodes e uma estrela guia.

No Presépio há uma história de vida familiar, de solidariedade de grandes e pequenos, de arbitrariedade e tirania. Logo, nele pode existir povo, cidade e tudo o que haja mister para a realização do sonho do artista. Por isso, nas representações do estábulo de Belém, que se organizam em dezembro, há junto com a Santa Família: pontes, patos, peixes, lagos, rodas, vida e vidas. Há morros e planícies, igrejas e fiéis, seres celestes junto com humanos, toda uma miniatura do universo.

Presépio lembra ainda Natal, reuniões festivas, cantos, magia nos presentes infantis, luzes nos frontispícios e no interior das casas, nas árvores, nos topos dos morros e nos reflexos das águas. Reflexos das águas que contornam o maciço da ilha de Vitória.

Natal, fantasia das árvores, quando o verde desaparece num pirilampear de cores...

Presépio, lembra Vitória noturna com cintilantes pontes, ruas, faróis e casa ou diurna, com exibições de sua rochosa topografia, prolongação da Serra do Mar no Atlântico, num abraço que proporciona a construção de casas amontoadas nas encostas, de escadarias que lembram o sonho de Jacó, num barraco moderno, de ladeira quase a tocar as nuvens, de avenidas no contorno dos oiteiros e da beira-mar.

A multiplicidade de linhas e cores dão à cidade beleza e harmonia. Deixam, diante dos olhos do observador, um mágico e alegre encanto da vida que ali palpita nas variedades social, filosófica, política e religiosa. E isso faz da ilha uma outra Belém, tão atrativa como a da Estrela Guia.

Na oscilação dia-noite, a paisagem, na vulcânica e prodigiosa ilha, é grandiosa.

Quando desperta

Alvorada vitoriosa. Vitória.

Vitória de luzes.

O astro rei penetra na rubra cabeleira

E a lua,

Acompanhada da Estrela d’ Alva

Sorri palidamente.

(Eterno retorno

No redil celeste)

No lusco-fusco da manhã,

A curvilínea ponte

Engaste de luz insular-continental

Acelera a vida.

As excelsas luzes se mesclam à da Escelsa.

O ouro grita nos contornos da ilha.

O luxo pisca pelas desvalidas

Vertentes

Pelos ventos

Afligidas

Sobrepujança de cores

Fere a alma.

 

Escritos de Vitória – Uma publicação da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Vitória-ES, 1997

Prefeito Municipal: Paulo Hartung

Vice-Prefeita Municipal: Luzia Alves Toledo

Secretária Municipal de Cultura: Cláudia Cabral

Sub-secretária Municipal de Cultura: Verônica Gomes

Diretor do Departamento de Cultura: Joca Simonetti

Adm da Biblioteca de Adelpho Poli Monjardim: Lígia Maria Mello Nagato

Bibliotecárias: Elizete Terezinha Caser Rocha, Lourdes Badke Ferreira

Conselho Editorial: Álvaro José Silva, José Valporto Tatagiba, Maria Helena Hees Alves, Renato Pacheco

Revisão: Gilson Soares

Capa: Ângela Cristina Xavier

Editoração: FCAA

Impressão: Gráfica ITA

 

Fonte: Escritos de Vitória, nº 18 – Cidade Presépio, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo – PMV, 1997

Texto: Ester Abreu Vieira de Oliveira

Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2018

 

Ester Abreu Vieira de Oliveira,

Nascida em Muqui (ES)

Cidadã vitoriense em 1995.

Professora e escritora, membro da Academia Espírito-Santense de Letras, doutora em Letras Neolatinas: Língua Espanhola e Literatura Hispânicas (UFRJ).

Literatura e Crônicas

Quando o Penedo falava, 1927 - Por Elpídio Pimentel - Parte VIII

Quando o Penedo falava, 1927 - Por Elpídio Pimentel - Parte VIII

Quando o Brasil começou a ser colonizado, o rei de Portugal, D. João III, a quem pertencia a nossa Pátria, repartiu-a em diversos quinhões e deu-os, em paga de serviços prestados ao seu reino

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

O Diário Proibido da Maçã do Amor - Por Adilson Vilaça

Conto de paixões desamorosas em três sketches, ambientado em três feiras

Ver Artigo
PARA A CIDADE E PARA O MUNDO - Por Fernando Achiamé

Mas o eterno mercado da Vila Rubim acabou: o edifício cheio de colunas construído nos anos 20 e derrubado nos 70

Ver Artigo
Cronistas - Os 10 mais antigos de ES

4) Areobaldo Lelis Horta. Médico, jornalista e historiador. Escreveu: “Vitória de meu tempo” (Crônicas históricas). 1951

Ver Artigo
Lançamento da Biografia de Dona Domingas na Basílica de Santo Antônio

No mês de junho será lançado a biografia de dona Domingas na Basílica de Santo Antônio. Em breve estaremos divulgando o dia do evento

Ver Artigo
Vitória de muitas Pontes – Por Anilton Candido Trancoso

Perto desta ilha, de príncipe e mercado tem uma ponte, que por entre a exuberância de suas ferragens guarda segredos

Ver Artigo