Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando desde 2000 a Cultura e História Capixaba

Os remadores noturnos – Por Maria Stella de Novaes

Plano do carregamento de um navio destinado ao transporte de escravos na África

Um dos afluentes do rio Doce, o "São José", tem o seu curso envolto em névoa lendária, que nos recorda os tempos idos da escravidão, quando exploradores de minas auríferas e madeireiros audazes, que levavam negros acorrentados, visavam a descobri-las, naquelas paragens.

Dizem que existe um encantamento, em suas margens, ou no seu próprio leito. Começa a manifestar-se, ao anoitecer, quando as juritis e outras aves demandam seus ninhos, reluzem os pirilampos e a jiquitiranabóia acende seus mágicos faróis. Atinge o máximo, à meia-noite: aumenta o rumor, na confusão de fortes remadas, gritos, súplicas, reprimendas..., como se houvesse, nalgum barco, o mistério de castigos e degredados, ou vingança, entre escravos e senhores. E tal é o poder da imaginação, nos que se deixam empolgar pelas narrativas locais sobre os chamados REMADORES NOTURNOS, que os novatos, no lugar, ou passageiros, em suas margens, se sentem presas de alucinação ou desvario, como se ouvissem a respiração ofegante dos oprimidos, num barco, o percutir forte das remadas, etc. Açoites! Gemidos! ... e o narrador informa, então, que, numa das entradas históricas dos exploradores do solo espírito-santense, poderoso senhor conservava alguns escravos algemados, ao relento, no tombadilho do seu barco. Aos clamores e às súplicas dos africanos cativos, respondia, com reprimendas e chicotadas, até que, na fúria do castigo, na revolta do branco, perante a reação do oprimido, a distração do comando levou o barco a chocar-se com uma rocha submersa.

Afundou-se, para sempre. Deixou, naquelas águas, apenas a perene gravação de vozes elevadas pelo sofrimento, que a bênção do Céu vem amenizar, com a réstia do luar e o beijo luminoso das estrelas.

À medida, por isso, que a noite avança, os astros cintilam e a Lua espraia o seu clarão, na tranqüilidade imponente do rio, vão-se acalmando os lamentos, dissipa-se o encanto, quietam-se as aves, repousam os animais, em suas tocas! ... Pode, então, o homem, apreciar o firmamento espelhado, na torrente misteriosa do "Rio São José", porque toda a Natureza é Paz, na magnificência do Belo.

 

Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2015

Folclore e Lendas Capixabas

Os Casarões do Contorno – Por Adelpho Monjardim

Os Casarões do Contorno – Por Adelpho Monjardim

Distanciados, ao longo da Estrada, três casarões se alinham, embora arruinados, atestam ainda a abastança dos seus antigos senhores

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Alcunhas e Apelidos - Os 10 mais conhecidos de origem capixaba

Edifício Nicoletti. É um prédio que fica na Avenida Jerônimo Monteiro, em Vitória. Aparenta uma fachada de três andares mas na realidade tem apenas dois. O último é falso e ...

Ver Artigo
A Academia de Seu Antenor - Por Nelson Abel de Almeida

Era a firma Antenor Guimarães a que explorava, em geral, esse comércio de transporte aqui nesta santa terrinha

Ver Artigo
Candomblé e Umbanda no ES - Por Milena Xibile Batista

Cabe ressaltar que o candomblé, é uma religião de criação brasileira

Ver Artigo
Congos e Bandas de Congos no ES - Por José Elias Rosa dos Santos

Essas duas informações registradas por Cleber Maciel criaram outro viés para se estudar as origens das bandas de congo no ES

Ver Artigo