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Como limpar a Baía de Vitória

Ninguém vê, mas a bela baía capixaba tem 138 saídas de esgoto

Embora esteja investindo atualmente 53 milhões de dólares no Estado, a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) só terá condições de atacar o problema da poluição da baía de Vitória a partir de 1994, quando devem começar as obras correspondentes ao financiamento de 285 milhões de dólares, em fase de negociação junto ao Banco Mundial. A região metropolitana capixaba deve consumir aproximadamente 70% do empréstimo, sem contar as partes do Estado e dos municípios. Os recursos devem ser empregados em estações de tratamento e redes coletoras de esgotos na região central de Vitória e na Praia do Canto; na Praia da Costa e no Bairro de Paul, em Vila Velha; no Bairro de Fátima, na divisa entre Vitória e Serra; e no Bairro de Campo Grande, em Cariacica. Além da Grande Vitória, o superprojeto de saneamento ambiental do Governo vai implantar estações e redes de esgotos em 17 municípios da faixa litorânea, beneficiando diretamente cerca de 950 mil habitantes (36,5% da população do Estado). A expectativa dos técnicos da Cesan é de que o projeto de despoluição da baía de Vitória e do litoral entre em obras em 1994, prolongando-se por cinco ou seis anos. Como o trabalho envolve aspectos educacionais, estima-se que sejam necessários 10 anos até que esteja concluída a despoluição dos ecossistemas litorâneos do Espírito Santo, um nome pomposo que vem provocando dúvida e desagrado entre ambientalistas.

A lentidão do projeto deve-se às exigências feitas pelo Banco Mundial, que pediu recentemente a montagem de um modelo de gestão de recursos hídricos no Estado. Uma das variáveis que vai compor esse modelo é a regulamentação dos vários usos da baía de Vitória, cujas águas servem à pesca, ao esporte, ao transporte de cargas e passageiros, ao turismo e ao lançamento de esgoto e lixo. A gestão de recursos hídricos está em fase de normalização em âmbito federal.

As exigências do Banco Mundial estão mostrando à Cesan, aos técnicos e às autoridades do Espírito Santo que despoluir não significa apenas tratar os esgotos, mas um processo amplo que começa e termina na educação ambiental.

Muito esgoto para uma ilha só

As marés depuram a poluição, menos nos "pontos negros"

Engenheiro civil e economista com especialização em saneamento ambiental, Sérgio Neves Sant'Anna, um dos principais técnicos da Cesan, considera inadequada a expressão "despoluição da baía de Vitória". Embora ela tenha locais em que o oxigênio é igual a zero, na maior parte da baía as águas têm índice de 6,5 miligramas por litro d'água, enquanto em águas puras, como em Meaípe, o índice seria de 9 mg/1.

"As duas marés diárias são suficientes para purificar as águas da baía, que ainda não atingiram um ponto de saturação, mesmo considerando a descarga de esgotos equivalente a uma demanda biológica de oxigênio (DBO) de 40 toneladas por dia", afirma Sant'Anna, salientando que o problema é outro. Graças à soma de fatores como a urbanização das margens, a impermeabilização da superfície, a ocupação dos mangues e morros e o lançamento de lixo e esgotos nos córregos, a demanda de oxigênio é intensa em todas as margens da baía, sobrecarregadas por 138 bocas de esgotos, apenas na ilha de Vitória. Isso dá origem aos problemas negros, assim chamados porque nesses locais a água é escura e fétida. A eles se somam os pontos de despejo de lixo inorgânico, um problema colorido que contribui para assorear o fundo da baía e até espantar turistas.

A poluição da baía tem seus reflexos até sobre a população de beira de mangue que aprendeu a tirar alimento da água e agora começa a enfrentar dificuldades. Os consumidores já desconfiam do marisco da baía pois sabem que ele pode estar contaminando. Embora a baía não seja depósito de lixo tóxico, basta a poluição por coliformes fecais para fazer do marisco um perigo para a saúde pública. Um único sururu filtra de 3 a 4 litros d'água por dia, retendo coliformes.

O consórcio dá prioridade a região serrana

Também à espera de recursos, faz parte do programa de saneamento da baia de Vitória o trabalho desenvolvido em nove municípios pelo Consórcio de Gerenciamento das Bacias Hidrográficas dos rios Santa Maria da Vitória e Jucu, os dois mais importantes cursos d'água a banhar a região metropolitana do Espírito Santo.

Mantido graças à contribuição das prefeituras dos nove municípios, que dão 0,1% do seu Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o Consórcio Santa Maria-Jucu está dando prioridade à parte serrana das bacias, onde se encontram 50% da população estadual e mais de dois terços do produto interno bruto do Estado. Embora o trabalho do consórcio tenha se concentrado inicialmente na realização de levantamentos e na formação da consciência ambiental nas comunidades, obras físicas já estão sendo feitas em Domingos Martins, Marechal Floriano, Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá. O rio Santa Maria, o maior curso d'água a alimentar a baía de Vitória, é importante não pelo volume de água, mas pelos sedimentos que transporta, tanto que os fluxos de água doce no seu delta mudaram devido à formação de bancos de areia.

 

Fonte: Os Capixabas, A Gazeta 14/12/1992
Pesquisa e textos: Abmir Aljeus, Geraldo Hasse e Linda Kogure
Fotos: Valter Monteiro, Tadeu Bianconi e Arquivo AG
Concepção gráfica: Sebastião Vargas
Ilustração: Pater
Edição: Geraldo Hasse e Orlando Eller
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2016

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