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De bonde com Grijó - Antes de seguir rumo à Jerônimo Monteiro

Prefeitura de Vitória, foto antiga

Antes de seguir rumo à Jerônimo Monteiro falarei de algumas ruas transversais a ela. Na rua existia uma casa de vendas de material escolar. Do outro lado a entrada do Hotel Canaã, já citado, hoje INSS. A Rua Graciano Neves é uma rua que sempre foi importante para a Ilha, nela por muito tempo funcionou a Chefatura de Polícia do Estado. Por ali passaram grandes chefes e delegados de polícia, como também honrados comissários e detetives, além de corregedores. Dentre eles Dr. Paulo de Tharso Velloso, Arnaud Cabral, Carlos Cunha, Etereldes Queiroz do Vale, Jurandir de Oliveira, Amulio Finamore. Os comissários Lins, Queiroz, Gentil Flores da Purificação, Campos, Américo Costa, José Cupertino, Peninha e Mona. Mais recentemente, na década de 60, tivemos Cylo Caldas Pinto, Isaac Ruy Menezes, Gilberto Martins Faria, Décio Martins, Otávio Fregonássi e Waldiner Frasson. Na parte de baixo funcionava "o depósito" de presos, onde existiam as famosas celas "Três Marias", que eram uma espécie de "solitária", um local infecto-contagioso sem as mínimas condições para acolher alguém. Nos fundos funcionava o Instituto Médico Legal, que era dirigido pelo médico Pedro Feu Rosa. Na parte superior funcionavam a Chefia de Polícia, delegacias, corregedorias, e o Gabinete de Identificação, dirigido por Danglard Ferreira da Costa. Mais tarde, na década de 60, o governador Christiano Dias Lopes fez sua transferência para um galpão, que primeiro pertenceu à Leopoldina Relaway, sendo depois transferido para a Companhia de Pesca do Espírito Santo (Copesa), hoje infelizmente extinta, devido às más administrações, dada a inaptidão das pessoas que foram nomeadas para dirigi-la e as fraudes. Mas voltemos à Chefatura de Polícia. Os problemas carcerários continuaram e só se reduziram após a construção da Casa de Detenção. No entanto, muitos problemas por lá acontecem.

Antes de continuar caminhando pela Graciano Neves, retornarei à sua entrada, onde vamos encontrar a Padaria Expressa, de propriedade de Armando Bortoluzzi. Este sobrenome bem que já merecia ser inserido em algum logradouro de nossa capital. No entanto, alguém pode estar perguntando o porquê. A maioria da população de Vitória não sabe dos acontecimentos do dia 17 de agosto de 1942, quando cinco navios da marinha mercante do Brasil foram afundados pelos submarinos da esquadra alemã, cujos nomes já declinei em páginas anteriores. E alguns simpatizantes do Partido Comunista, como Celso Bonfim, Sílvio Cunha, Benjamim Campos, Manoel Santana e outros, tendo instigado a população, foram os grandes responsáveis pela selvageria contra os italianos e alemães e seus descendentes que moravam em Vitória. Como o caso especifico do Sr. Mansueto Bortoluzzi, que era casado com Dona Ada e pai de Armando, Léa e Mansueto Jr. Eles moravam na avenida Capixaba e tinham uma fábrica de ladrilhos para pisos, na rua Henrique de Novais, que dava fundos para o mar. Ali nas proximidades do Edifício Março, na época não existiam os fogões a gás, havendo apenas alguns fogões elétricos, que também não funcionavam bem, devido à pouca força elétrica, fornecida pela Central Brasileira de Força Elétrica. O Sr. Bortoluzzi bolou uma entrega em domicílio de lenha, efetuado por carroças puxadas a tração animal. Possuíam dois machados movidos a eletricidade, que, depois de receber os tocos já serrados em tamanhos uniformes, lascavam-nos. Empregava 20 pessoas. Porém a insensatez dos populares não deu valor a estes predicados e, na fúria até sanguinária, quase mataram um animal, só não realizando o fato graças à intervenção de vizinhos, que tiraram os animais das mãos dos "furiosos". No entanto, a estância de lenha e a fábrica de ladrilhos não escaparam das chamas, e tudo virou um amontoado de carvão e cinzas. O Sr. Bortoluzzi refugiou-se no morro da Capixaba, ficando escondido por três dias em uma caverna de pedra, onde depois entregou-se à polícia e foi conduzido e detido para o Hospital Getúlio Vargas, onde já se encontravam outros alemães e italianos. Depois de alguns meses, todos foram liberados. Alguns, aborrecidos, mudaram-se de nosso Estado e outros, como o Sr. Mansueto Bortoluzzi, resolveram enfrentar o início de nova vida, novamente no Brasil, para onde migrara com sua querida Ada. Ambos, com a ajuda dos filhos e parentes e ex-funcionários, começaram a recolher o que poderia ser aproveitado. Daí passaram a reerguer o que havia sido consumido pelo fogo. Quanto à estância de lenha, não pôde ser reaproveitada, porém a fábrica de ladrilhos foi montada em uma loja em frente, onde hoje está instalada a C&A. Em pouco tempo o sr. Bortoluzzi ia recomeçando sua nova vida e ingressando em outra atividade, construção civil, Dentre suas obras estão a construção do valão de saneamento na Gurigica, um armazém para estocagem de café no mesmo bairro, um prédio de dois andares, na Barão de Monjardim, onde ocupou um andar com sua família, como moradia. Na Praça José Silvino Monjardim, ex-praça do Trabalho, adquiriu dos herdeiros de Olívio Fraga uma antiga casa e ali levantou um prédio de seis andares, que atualmente é ocupado pela Secretaria de Justiça do Espírito Santo. Tudo isso, após ter sofrido o golpe do "quebra-quebra". Mais tarde, procurando diminuir o desgastes físico, resolveu partir para a indústria de panificação, adquirindo a padaria Expressa, que fica na entrada da Graciano Neves. Depois de permanecer à frente da indústria, como sempre, com a colaboração de Dona Ada, Léa e Armando, mais tarde contou com grande incentivo de Zelinda, esposa do Armando, além do Mansueto Junior, que passou a gerir outra padaria, na Rua Araribóia. Com esse conjunto "afinado" de trabalho o "velho Bortoluzzi, depois de mais de 60 anos de trabalhos, resolveu pendurar as ferramentas. As tarefas relativas à direção da empresa foram distribuídas, e, sob a supervisão do Armando, a empresa começou a diversificar-se, cada vez mais produzindo o melhor. Hoje, além da panificação, trabalha com confecção de bolos, tortas e salgados e um maravilhoso self-service, que, sem dúvida, é um dos melhores de Vitória. No entanto, esse homem, que faleceu há dois anos e tanto fez por nossa capital, mostrando que acreditava nela, jamais foi reconhecido com uma homenagem, numa cidade onde até apontador de jogo de bicho tem nome de rua. Mas deixo a minha homenagem a este homem que jamais nos deu uma bronca quando em nosso tempo de garotos (eu, César Mendonça, José Cláudio, meu irmão, Marinho, Raul e Alysio Monjardim, Délio Fraga, Saul, José Luís Mendonça, Aron Afomado e outros) ficávamos aguardando o retorno das carroças que distribuíam lenha pela cidade, para numa carona irmos até a estância de lenha. Homem que sempre apreciei, a quem eu encontrava com satisfação na porta da padaria ou em outra parte de Vitória, principalmente quando estavam juntos os senhores Vitorino Cardoso, Ruph e meu saudoso pai, mostrando o significado da amizade daqueles que um dia tiveram a felicidade de morar nas ruas Barão de Monjardim, Henrique de Novais e Capixaba. A sapataria de consertos do Roberto ficava num porão com janelas para a rua onde fora o restaurante do Pazzolini. Ali funcionava também uma oficina de reparos de relógios do Juvenal. Já o Sr, Carlinhos, um homem com seus 60 anos, um flamenguista que ficava muito mal-humorado quando seu time perdia um jogo para uma equipe pequena, tinha como especialidade a cutelaria. Logo após vinha a residência dos Matioli, cujo morador mais conhecido era o Celso, que era tesoureiro do Banco do Brasil.

Pelo lado da padaria Expressa moravam os Firme Coelho, em seguida vinha a entrada da Rua do Rosário, por uma pequena passagem, a família Carneiro habitava uma casinha bem velha e logo depois a casa do Sr. Valadão, prático da baía de Vitória, casado com Dona Dolores, pais de Luiz, Marina Dagmar, casada com o ex-controlador de vôo da FAB, Gilberto Martins. A família de Rufininha Clarice e Antonico Campos eram primos do ex-vereador Itobal Campos. Clarice era casada com o motorista de carro de Praça Darcy Xavier, que ficou conhecido devido ao fato de usar no vidro traseiro de seu carro as suas iniciais DX. Não era muito sociável. Junto com João Félix fazia uma boa dupla do mal humor. Mas talvez a família mais antiga da rua é a do saudoso Pedrinho de Jesus, pai da pianista Oneida e tem como irmãos Joel, Olga e Odete. Já pelo lado da Chefatura de Polícia morava a família de Dona Odete Seba, mãe de Homero Seba, e a sogra do Dr. Carlos Cunha. Era comerciante no ramo de "armarinhos". Também ali morou a família Judice, que tinha um filho, Geraldo, "barra pesada" na época. Outras famílias como Fundão, Tristão, do saudoso Maurício Tristão, o nosso "Bombom", Aurino Quintais, esposo de Dona Rita Tozzi, que foi por muitos anos diretora da Escola Normal Pedro II, hoje Maria Ortiz, Avancini, Pandolpho Barbosa, de Dona Mocinha, mãe do desportista Newton, Oswaldo Pandolpho, Modesto de Sá Cavalcante, casado com dona Oscarina, pais de José Carlos, o "Cacau", Paulinho, Marcelo (meu padrinho de casamento), Regina e Roberto. Dr. Hermes Curry Carneiro, pai do nosso saudoso José Curry, Dr. Cid Dessaune, pai de Marília e Marcelo. Este, infelizmente falecido, foi presidente do Fluminensinho FC. e do CR. Saldanha da Gama, Dona Cidonia, a maior quituteira da região, com destaque para a "cocada-puxa" e a perfeição com que engomava um terno de linho taylor 120 (moda da época) ou uma camisa, Sr. Alberto Marins, pai de uma prole bem grande, tendo um de seus filhos se destacado como um dos melhores centroavantes do futebol capixaba, defendendo a seleção do estado ou o Vitória FC, formando um dos maiores trio-atacantes juntamente com Darly, o Mickey, e Gerval, que chegou a ser titular do Flamengo, ao lado de Zizinho e Pirilo. A família de Dionísio Abaurre e sua esposa Dona Lourdes Benezath, pais de Marcos, Márcia, Marcelo, Gláucia e Valéria. Ainda com relação à família Marins, mencionem-se Alberto Filho, o Betinho, Elcie, que foi minha colega de Academia de Comércio de Vitória, casada com o ex-bancário e aposentado Abílio Pinto, Branca, casada com Rui Benezath, Toninho, excelente técnico de futebol de salão, e Elza. Infelizmente esqueço o nome dos outros componentes da família, a quem peço desculpas. Ainda na entrada da Graciano Neves, por cima da padaria Expressa, morava o Sr. Darcy Passos, fiscal da Receita Estadual e casado com Dona Ormy Miranda, pais de Maria Antonieta, Maria Elisa e Maria Helena, casada com Gabriel Rodrigues, hoje provedor da Santa Casa de Misericórdia de Vitória. Num terraço em cima da casa existia uma rinha de briga de canários da terra, que movimentavam as manhãs de domingos, dada a frequência dos apreciadores dos maltratos dos "bichinhos".

Saindo da Graciano Neves, a rua mais importante de Vitória, a Rua Sete de Setembro. Ali logo na entrada, a Casa Bancária de Asdrubal Peixoto, depois o Centro Espírita. A sapataria Renné, de Francisco Mussielo, e ao lado um bar de sua propriedade, onde os notívagos faziam suas compensações alimentares com as famosas maioneses preparadas por sua esposa. A alfaiataria do inesquecível Jayme Reis, que era ponto de encontro para diversas pessoas, onde à tarde os mais íntimos apreciavam sempre uma cachacinha nova, vinda de qualquer lugar deste país. Ali se deixavam recados para os outros, se usava o telefone, discutiam-se política, esporte, moda, e até a vida alheia. Tudo isso com o Jayme ouvindo e nada falando. Para mim o Jayme era um grande conselheiro, a quem eu respeitava muito, e suas interferências sobre minha pessoa chegavam ao ponto de eu lhe confiar meu dinheiro, que ele guardava em seu cofre-forte. O pessoal que ali fazia ponto era: Rubens da Silva Nunes, o Barduial da Burrinha, César Loureiro, Gastão Americano, Ciro Nunes, Roberto Oliveira, o Gifu, Dr. Lucilo Borges Sant'Anna, comissário Lins, Mauro Soeiro Banhos, Manoel da Silva Nunes, Dr. Sasso, Dr. José Valls, Ari "Coqueiro", Bibi da Rocha, José Buaiz, Jorge Buery, Carlos Orlando, o Baianinho, e seu irmão Luiz "Veneno" Viana, Armando Bortoluzzi, Pedro Souza, José Nunes Coelho, General Frota, Ademar Martins, Jairo Maia, Aroldo Trinchet e outros. Jayme foi um amigo que nos deixou saudades. A casa de Lídio Leite Cunha, comerciante de secos e molhados, pai de Marly, ex-miss Espírito Santo, Dr. Victor Masiglia, a mercearia do Américo índio, O American Bob's, dos irmãos Ewando, Valter e Evanildo. Um ponto da juventude dos anos 60 era o Restaurante Beduíno, de Abdo Saad, especializado em comidas sírias, preparadas por sua esposa Dona Nair. A casa de dona Zaira Manhães, professora de canto orfeônico. Mais tarde apareceu a Doll Sporte, do lusitano Francisco Pereira Azevedo, o Chico da Doll. No Edifício Manhães, construído onde era a residência de Dona Zaíra, até hoje mora a minha tia Odete, com seus 97 anos de idade, sendo talvez a moradora mais velha da Rua Sete de Setembro.

Na esquina da Sete de Setembro com a Professor Baltazar, ficava o armazém da Dona Paulina Gianordolli, outra família antiga da rua. Ela era genitora de Camilo, Atílio, Floriano, Ranulpho. Camilo foi o responsável pela construção do Estádio Gov. Bley, que ele dirigiu. Ranulpho foi alto funcionário da firma inglesa Hard Hand, grande exportadora de café. Já Floriano, o Tilinho, e Atílio, o Pito, sucederam a mãe à frente do armazém. Ali era outro ponto de encontro de uma turma que fazia aperitivo após o fechamento do comércio. Os irmãos Ailson, Aécio e Asdúbral Cabral, o Dudu, e mais um grupo que frequentava o Jayme Reis, partilhavam do aperitivo. Detalhe, o Tilinho era Fluminense, Saldanha da Gama e Vitória FC, já o Pito era Flamengo, Álvares Cabral e Rio Branco. Por ocasião de um confronto entre um e outro clube, se o time do Pito fosse o perdedor e alguém passasse e fizesse uma gozação, era a conta para ele parar de servir o cliente e formar uma discussão, fazendo com que o Tilinho chamasse a sua atenção, acabando os dois por discutir também. Em fronte ficava o Instituto Médico Legal. Ao lado ficava a residência do professor João Nunes Coelho, pai de José Nunes, funcionário do Patrimônio da União, e Maria.

A Rua Professor Baltazar atravessava a Sete de Setembro, Ali formava um largo denominado Largo da Dona Paulina. Na esquina ficava o prédio de Calixto Queiroz, pai de Guilherme Queiroz, o Lelé, e Ronaldo. Sendo que Lelé foi um dos maiores criadores de canários hamburgueses e belgas, que eram premiadíssimos em exposições. Em baixo do prédio funcionava a barbearia por onde barbeiros famosos de Vitória passavam, como: Clemir Rebelo, Pacheco e José, o botafoguense. Em fronte, pela Rua Sete de Setembro, vinha a padaria de seu Minininho Pessoa, que mais tarde passou para o Sr. Pimentel. Ao lado, a tinturaria Chi Lee, a residência de Osmundo Pandolpho, pai de Rubens, o Churrasco, e Carlinhos, ambos excelentes jogadores de basquete do Saldanha da Gama. Ainda com respeito à Professor Baltazar, moravam ali o Sr. José Beiriz, proprietário da Firma Duarte & Beiriz e pai de Dail e José Beiriz Filho. De fronte morava Giubert Ramos, pai de Delmar e Otto, a casa de Dr. Oswaldo Guimarães, com suas árvores frutíferas, era uma tentação para a garotada. Já fazendo esquina com a rua 13 de Maio, morava a família Helal, de Johann, Constantino e George. Por volta da década de 60, Luiggi Simmoni alugou o casarão e o transformou numa cantina italiana, servindo pratos típicos da Itália, que transformou-se na "coqueluche" da cidade.

Voltando à Rua Sete de Setembro, vamos encontrar a residência dos Vianna, formada pelo casal Joaquim e Alzira e com os filhos Paulo, casado com Alyde (este nome em homenagem a minha mãe), Anita, casada com Antônio Barros, Irene, esposa de Carlos Barros. Interessante é que eram dois irmãos casados com duas irmãs. Eles possuíram um caldo-de-cana na Praça Costa Pereira, que mais tarde passou para o Sr. Severino, e os irmãos abriram um caldo-de-cana na subida da escadaria Maria Hortiz, onde funciona hoje o Cartório Nelson Monteiro. César, já falecido, era funcionário do antigo Departamento Nacional do Café (DNC) e timoneiro das guarnições de remo do Saldanha. Carlos Orlando, o Baianinho, era grande desportista capixaba, fundador do famoso Fluminensinho, compositor, alto funcionário do antigo Banco de Crédito e Agrícola do Espirito Santo e grande disciplinador da juventude. Grande figura! Domingos da Silva Lima, o Minguinho, representante comercial e dotado de um espírito de alegria contagiante. Carmem, que era funcionária (contadora) da firma Dalla Bernardina, faleceu cedo. Luiz, casado com Teresa Maia, filha do José Maia, era o homem a quem eu e Zé Luiz Mendonça vendíamos gambás, que ele saboreava em seus aperitivos ali no Mercado da Capixaba. Luiz é sócio de uma gráfica, além de ser um ótimo conhecedor do comércio do gráfico. Sem dúvida, uma família de primeira linha e que faz com que a Rua Sete de Setembro seja, como disse, a mais importante de Vitória. Em frente à residência do Dr. Proença e ao lado dos Vianna, a Prefeitura Municipal de Vitória construiu um lindo prédio que acabou sendo demolido para dar lugar a uma praça de lazer, que levou o nome do grande professor Ubaldo Ramalhete, da mesma família do jurista Clóvis Ramalhete, autor da lei das 200 milhas marítimas, que estipulou os nossos limites no mar. No prédio da prefeitura, além da parte burocrática, ainda funcionava a Câmara Municipal de Vitória. Em fronte, a residência de Delfim da Silva Nunes, casado com Dona Esperança, pais do Dr. Mário, juiz de Direito, Ciro, Haroldo, Rubens da Silva Nunes, o Barduil da Burrinha, Manoel da Silva Nunes, o Mané Diabo, Dolores e Joaquim da Silva Nunes, médico psiquiatra radicado no Rio de Janeiro. Família muito religiosa e ligada à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e Assumpção. Ali também morava a família do Dr. Costa Gama. Ao lado, a Serraria de Celestino e Guilherme Abaurre. O Sr. Celestino era casado com Dona Amélia. Eram filhos do casal: Guilherme, Gilberto, César, Fernando, Alba e Amelinha. Já o Sr. Guilherme era casado com dona Ziza, uma costureira especialista em confecção de camisas. Do outro lado da rua a casa da Josefa, de idoneidade duvidosa. A padaria União, de seu Manoel Morais, pai de Jair, Jarbas e Lurdinha, a coisa mais linda da época. Incluo a filha de Gilberto Paixão já citado, mas tenho que inserir o nome de sua Merinha, que esqueci da primeira vez. Do outro lado, o Sr. Fritz, pai do engenhoso Hamse. Moravam no primeiro andar, e no térreo ficava a oficina de reparo de rádios. Ao lado, o Dr. Aristides Freire, que chegou a ser interventor do Estado e Presidente do Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo. Seu vizinho era o construtor italiano André Carloni, casado com Dona Clementina. O Sr. André Carloni era um imigrante italiano que chegou a Vitória no início do século. De seu casamento vieram os filhos Olga, Hélida e Hermes. Hélida foi casada com o grande desportista de fama nacional, Julinho Azevedo, que foi diretor e atleta do Vitória FC e diretor do Botafogo R Regatas, do Rio de Janeiro. O Sr. Carloni era um excelente construtor e entendia um pouco de arquitetura e teve seu nome inserido na construção da Catedral Metropolitana de Vitória e na do teatro Melpômene, construído em 1925 e destruído por um incêndio, tendo-se erguido mais tarde no mesmo local o atual Teatro Carlos Gomes. Outras obras seguiram as suas orientações. Um detalhe interessante é que o Melpômene foi construído todo em madeira de lei. Hoje o nome de André Carloni torna-se inesquecível, não pelos serviços prestados em nossa capital, mas devido à homenagem que o município da Serra prestou-lhe ao colocar seu nome num conjunto residencial de Carapina, onde moram mais de 30 mil pessoas. A casa de Laurentino Proença, casado com Dona Mazinha, pais de Gil e Ivo.

Em frente à residência de Laurentino Proença ficava a casa mais popular da Sete de Setembro, a de número 145, residência dos Goulart Grijó, que era comandada por Francisco Amálio Grijó e Otilia Goulart. Pais de 18 filhos, dos quais passo falar, a começar pelos do sexo masculino. Adhemar Grijó, médico formado pela Faculdade de Medicina de Florianópolis, foi diretor do Instituto de Readaptação Social de Pedra D'água, hoje Jair Etienne Dessaune. Na primeira visita do Dr. Getúlio Vargas a Vitória, na época do Estado Novo, foi convidado a participar do banquete em homenagem ao Estadista, no Clube Vitória, e logo ao tomar acento à mesa, sentiu uma forte emoção e acabou sofrendo um infarto fulminante, vindo a falecer no local, Odilon, o Nenê Grijó, foi sem dúvidas um dos homens mais populares da cidade. Solteirão, era responsável pelos serviços de parques e jardins de Vitória (que por sinal eram muito bonitos e bem tratados). Grande cozinheiro, especialista em moquecas, torta capixaba, feijoada e a famosíssima roupa velha. Boêmio 100%, dormindo geralmente depois das quatro da matina. Frequentava grandes rodas e tinha amigos como o ex-ministro Galotti e o ex-presidente da República Nereu Ramos, do qual foi colega de turma no Ginásio de Florianópolis, quando por lá morou. Seu "hobby" era uma flor na lapela do paletó e com um detalhe: só andava de terno e gravata. Adorava uma mesa de campista, pôquer, buraco, canastra e uma tabela de víspora. Morreu na casa dos 80 anos. Nos clubes gostava de fazer saudações e dançava muito bem, e as quadrilhas marcadas por ele nas festas juninas marcavam época, assim como ele marcou a ilha. Francisco Amálio, o Chico Grijó, era funcionário graduado (como se dizia na época) dos Correios e Telégrafos. Ainda com alusão ao Nenem Grijó, quando das farras e festas de que participava, entoava uma canção de sua autoria intitulada "Freiras de Santa Clara", que dizia mais ou menos assim e era repetida pelos presentes: "Ei-las, as Freiras de Santa Clara, de Santa Clara, de Santa Clara, quando sobem lá pro coro, dizem umas para outras (repetia-se três vezes) quem me dera um namoro (repetia-se). Cebolorum, Cebolorum, resina de alho bem batido para curar os calos. Aleluia..." Isso todos cantavam. Ary foi funcionário da capatazia da firma Antenor Guimarães, outro solteirão e que gostava de uma boêmia. Seu ponto de encontro era no Café Moderno, também chamado de Bar dos Condutores e Motorneiros. Mário foi funcionário do IBC. Gostava de carnaval e tinha uma turma que frequentava os bares noturnos e da madrugada, como Hamburgo, Globo, Petrópolis, Estrela no Centro e o Formigueiro, na Praia do Suá. Sua turma era: Ataliba Cabral, Jorge Lopes, Dário Derenzzi, Fernando Pinto Doido e Fernando Calazans. O caçula era o Darcy, conhecido nos meios esportivos como Garrafa, foi um excelente jogador de basquete, remador, e como nadador seu grande feito foi a vitória na prova de cinco mil metros no percurso de Piratininga ao Penedo. Foi professor de Educação Física e funcionário do IBC, casado com Nadir Castro. Pai do músico Marco Antônio e Juliana Maria. Morreu muito cedo, com apenas 33 anos.

Pelo lado feminino temos em primeiro lugar Ilda, professora até hoje lembrada por muitas pessoas da atualidade. Odete, casada com Alfredo Gomes, era grande costureira e hoje, viúva, está com 96 anos. Alyde, minha mãe, casada com Rufino Antônio de Azevedo Jr. Eram pais de Guilherme Frederico, Reginaldo, o Indo (falecido), Fernando, eu, José Cláudio, Regina e Teresa Cláudio, falecida. Faleceu com 60 anos. Geny, professora, foi a primeira Assistente Social de Vitória, tendo fundado o Serviço Social do SESI em Vitória. Perdeu uma eleição para vereadora para Eliana Pignataro, por ter feito uma "gentileza" votando na adversária. A diferença entre as duas foi de um voto. Morreu aos 92 anos. Maria da Penha, a Mariinha, era mãe de Angela Maria, que mora em São Paulo, foi funcionária muitos anos da Companhia Central Brasileira de Forças Elétricas. Faleceu aos 84 anos. Hoje só estão vivos Odete e Newton, ex-funcionário de Anglo-Méxican de Petróleo e aposentado pela Vale do Rio Doce. Está com 90 anos. Como se nota, é uma família com uma tradição de 200 anos enraizados na ilha. Devido ao número de componentes entranhados em diversas áreas da sociedade, tornou-se muito popular e com grande conhecimento na vida da cidade. Minha avó, Otília, era uma criatura com um lado voltado para a pobreza. Além de seus afazeres familiares, ainda encontrou um tempo para fundar a Associação das Damas de Caridade e, juntamente com outras senhoras, prestava relevantes serviços ao povo carente. Para tal, juntamente com Dona Maroquinha Miranda, Mayrilandi Ayres, Rita Tozzi, Olímpia Nascimento, Laura Neves e Anita Ayres, rodavam o comércio pedindo doações para os necessitados. Durante um surto de febre espanhola a atuação das Damas de Caridade foi de suma importância na ajuda ao combate à epidemia. Cozinheira de mão-cheia, dedilhava um teclado de piano. Sua maior bronca culinária era quanto ao uso de bacalhau na torta capixaba e alegava para tal repúdio que o bacalhau não era de origem capixaba, abominava o uso do azeite e azeitonas, porém, como no Sul do país já existiam plantações de oliveiras e já se industrializavam as azeitonas, ela chegava a admitir tais intromissões. Sua receita de torta capixaba era assim: não admitia quantidades específicas, usando a quantidade de mariscos, crustáceos, moluscos e peixes salgados o peixe salpreso, e fresco. Os temperos usados eram: cebola, alho, coentro, limão branco, limão-galego, pimenta-malagueta, cominho, banha de porco (não existia o óleo de soja), azeite de oliva, azeitonas pretas e brancas, sal, ovos, tudo a gosto, cozidos em panela de barro. Um tempero muito usado em sua residência era a pimenta-malagueta. O Plínio Bruzzi, que era um grande gozador e muito amigo da família, contava em tom de piada que certo dia, ao chegar a hora do almoço e ao adentrar a sala, deparou com uma cena que o assustou. Todos sentados em volta da mesa e com os olhos vermelhos e lágrimas caindo dos olhos. Parou e ficou observando o ritual, aí tomou coragem de perguntar o que estava acontecendo. Foi quando alguém respondeu: "O Neném errou na dosagem da pimenta na moqueca de peixe salpreso". De fato o pessoal era barra pesada numa pimenta. Uma pessoa que pode testemunhar o que digo é o professor Orlando Ferrari, que logo que veio de Santa Teresa, ou melhor, do distrito de Tabocas, morou por muitos anos na casa da vovó. Era um amigo inseparável do Darcy, o Garrafa. Outro detalhe: o almoço saía impreterivelmente às 12h30min, estivesse quem estivesse na hora. Nos sábados o horário era às duas horas. Raro era o sábado que não tivesse dois ou três convidados para o almoço, geralmente uma feijoada, um cozido, moqueca de peixe salpreso com banana-da-terra ou peixe fresco, tudo preparado por Dona Otília e no fogão de lenha. Outro detalhe: todos os descendentes da família falam em um tom de voz alto, o que fazia com que os menos avisados, ao passarem pela rua nas proximidades da residência, pensassem estar ocorrendo aí uma terrível briga. Hoje, o local abriga um centro comercial.

Outra família de tradição na Rua Sete de Setembro era a família Adnet, que tem como expoente máximos a professora de piano Áurea Adnet e a grande pianista internacional Carmen Vits Adnet, vencedora de um concurso em Varsóvia, orgulho de seu pai Clodomir Adnet. Já o professor Archimino Mattos morava na esquina com a Basílio Daemon, Era pai do desportista Dr. Domingos Mattos, conhecido nos meios esportivos como Dr. do Bucho. Grande figura. Hoje no local onde moravam está o Edifício Gaivota, do outro lado, a casa de dona Ziza, já citada. Logo adiante vinha a creche Menino Jesus, mantida pela prefeitura e administrada pelas Irmãs de Caridade do Colégio do Carmo. Em frente, fazendo esquina com as ruas Graciano Neves e Sete de Setembro, ficava a casa de Michel e Selika Filgueiras Sarkis, pais de Sérgio e Miguel. Casal totalmente integrado à sociedade. Ele vivia de administração de seus imóveis, gostava de modas e decorações como "hobby". O Michel era notívago da turma de meu tio Mário, portanto, não dormia cedo, Em frente a sua residência pelo lado da Basílio Daemon, morava o Sr. Gasparini, pai do Victor Hugo, que possuía uma araponga de causar inveja a qualquer bigorna. Cinco horas da manhã e ela já estava em ação. O Michel, que estava a essa altura pegando no sono, acabava enlouquecendo com o canto do pássaro. Certo dia, sem ter como dar fim ao caso, chamou o Sr. Ellias, um libanês aparentado de seu pai, oferecendo-lhe cinquenta cruzeiros pela araponga, o que foi aceito no ato. Momentos depois a araponga era vítima de um afogamento em um tanque. Dias depois, o Sr. Gasparini batia à porta de Michel e dizia para ele: "Seu Michel, trouxe uma outra de Santa Teresa, que canta muito mais que a outra. Faço o mesmo preço.

Na esquina da Rua Sete com a Coronel Monjardim, morava a professora Ricardina Stamato Castro, casada com o Dr. Honório Castro, pais de Luiz Carlos e Atharé, sendo o primeiro dentista e pianista; já o Atharé era violinista. Foi uma das figuras mais populares de Vitória, pois participava de shows, era componente de orquestras, foi rei momo, vereador e era um tremendo boêmio. Um dia apareceu assassinado em seu apartamento. Na confluência das mesmas ruas ficavam as oficinas dos bondes e os geradores da Central Brasileira, que faziam um barulho de despertar qualquer surdo, porém ali morava a família do Sr. Philogonio Pacheco, casado com dona Valentina Costa, pais de Rogério, dentista e excelente adepto da caça submarina, Renato, folclorista e historiador, com diversos livros publicados sobre nosso estado, Carlos Augusto, engenheiro aposentado da Cia, Vale do Rio Doce. Um detalhe marcava a convivência dessa família no local: era que, quando por um ou outro motivo os geradores paravam de funcionar, à noite eles sentiam a falta do barulho e perdiam o sono. Subindo a ladeira, moravam Jacob Saad, pai de Toninho e Janeth, seu Antônio Saad, pai de César, Carlos Augusto, o Katuia, e Celso; este último é odontólogo, César e Katuia, advogados. Seu Antônio era proprietário da casa de tecidos A Libanesa, uma das mais tradicionais casas do ramo em Vitória, hoje na Praia do Canto dirigida por Norma Lacourt Saad, viúva de César.

Do outro lado da rua ficavam as oficinas de O Diário, jornal de linha independente e que servia de escola para muitos repórteres e jornalistas, pois por ali passaram diversos cobras de nossa imprensa, como: Plínio Marchini, Setembrino Pelissari, Clóvis Stenzzel e outros, que serviam de professores para os iniciantes. Um repórter que marcou época em O Diário foi o Enésio, mais conhecido como Diabo Louro, por ser muito louro. Fazia um dublê de Rádio Espírito Santo e do jornal, além da cobertura esportiva e de trabalhos em outras áreas da profissão. Era um repórter eclético. Mas um ponto marcou sua vida profissional: Enéas, seguindo o exemplo de um repórter da Rede Globo, que ficou conhecido em todo o Brasil como Mário Bermuda por usar esse tipo de vestimenta, também aderiu ao tipo de roupa. E assim, como seu colega do Rio de Janeiro, foi duramente criticado pela própria imprensa e torcedores, que achavam uma falta de respeito um profissional se apresentar vestido daquela forma para o trabalho. Mas pouco ligou para as críticas e foi em frente. Venceu. Em O Diário também iniciou uma carreira vitoriosa o hoje famoso colunista social brasileiro o odontólogo Hélio de Oliveira Dórea. Vindo de Feira de Santana (BA), no final da década de 50, prestou vestibular para a Faculdade de Odontologia, tendo se formado na década de 60. Durante o tempo em que cursou a faculdade, sempre esteve à frente dos interesses de seus colegas, tendo sido presidente do diretório. Nesse cargo promoveu os chamados bailes e domingueiras na "Odontologia", como eram conhecidos, que marcaram época em Vitória. Ali frequentavam tanto os futuros odontólogos como outras pessoas de nossa sociedade, e tinha uma coisa gozada: suas festas faziam concorrência com as dos principais clubes de Vitória. Nestes as festas só se animavam após o encerramento do baile da "Odontologia", que ia até a uma da madrugada. Outro detalhe: a música ali tocada era produzida pelas "vitrolas mágicas" do radialista Jairo Maia, que mantém um programa de rádio há 38 anos no ar. Coisa muito difícil de acontecer. Foi sem dúvida um lançador desse tipo de animação em festas, principalmente aqui em nosso Estado. Depois, o Hélio tentou o jornalismo, mas pretendia exercer a função que escolhera e assim passou a atender como dentista no Serviço Social da Indústria e da Prefeitura Municipal de Vitória. Já com alguma infiltração na sociedade, foi convidado pelo Dr. Élcio Álvares, que também era jornalista de "O Diário", para fundar um tablóide social. Aí ele já passava além de oficial de Gabinete do prefeito Mário Gurgel e entrou para a área de corretagem de anúncios de jornal. O jornal concorrente A Gazeta convidou o Hélio para ingressar em seu quadro de funcionários, oferecendo-lhe o dobro do que ganhava em O Diário. Isso em 1961. Na nova casa passou a coordenar os trabalhos, além de trabalhar na corretagem da coluna social. Foi, no período do governo Christiano Dias Lopes, chefe de Cerimonial do Palácio Anchieta. Sua coluna "Hélio Dórea" é publicada diariamente no jornal A Gazeta há 38 anos. Hélio já foi condecorado com 12 títulos de cidadania, como: espírito-santense, vilavelhense, vitoriense, martinense, guarapariense, teresense, barrense, leopoldinense, cariaciquense, cachoeirense, aracruzense e sócio benemérito do Clube de Diretores dos Lojistas de Vitória. Recebeu medalhas de Anchieta, conferida pelo Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, medalha da Inconfidência, conferida pelo governo de Minas Gerais, medalha do Pacificador, homenagem do Exército Brasileiro, medalha do Mérito Judiciário, do Tribunal Superior do Trabalho, medalhas de Amigo da Marinha e Tibúrcio, do 38º BI, medalha Vasco Fernandes Coutinho, pela Polícia Militar do Estado, medalha do Cinquentenário de Baixo Guandu e do Mérito Universitário, pela UFES. Jornalista profissional desde 1955, foi colunista de O Diário por cinco anos, fundador da Revista Capixaba e de outros órgãos da imprensa capixaba. Hoje é diretor das empresas HRD, Corretora de Seguros, Corretora de Imóveis e Publicidades, e jornalista atuante em A Gazeta, da qual é sócio. Casado há 38 anos com Dona Regina Celi Dalla Broto, pais de Miguel, Hélia Regina e Helina Maria. Hoje já são vovós. Detalhe: os integrantes de suas empresas são sua esposa e seus filhos. Faço registro com a maior satisfação por ter acompanhado a vida deste baiano de Feira de Santana que chegou jovem em nossa terra com seus vinte e poucos anos e hoje aos 68 anos é motivo de orgulho para a minha Vitória, que conheci e convivi. Como ele gosta de dizer: "Hélio é bacana." Já que falei em imprensa, devo citar jornais e revistas que circularam em Vitória e que, por motivos vários, encerraram suas atividades, como: Vida Capixaba, Sete Dias, Cannaã, Folha do Povo, Folha Capixaba, Folha dos Esportes, O Diário, sendo que passaram por este último, além dos jornalistas mais renomados da época, Rogério Medeiros, Marien Calixte, José Carlos Monjardim, o Cacau, Sérgio Rocio, Sérgio Egito, Amilton de Almeida, Chico Pardal, Rubinho Gomes e Geraldo Bulau, o Conde. Trocando em miúdo, O Diário foi um forjador de talentos de nossa imprensa.

Mas, continuando a subir a Sete de Setembro, a Escola de "dona Tutu", de Victorina Giovanotti Mannato, esposa do Sr. Humberto Mannato, pais de Heda Maria, Helena, Hélio e Heni. Dona Tutu, como era conhecida em nossa Capital, além de grande professora e uma disciplinadora de primeira linha, adotava os métodos rígidos para a disciplina, em que uma flecha e uma régua serviam de corretivos: no entanto, sem causar danos físicos, e eram mais intimidativos em comparação com outros métodos. Encarava o aluno com fisionomia séria, o que fazia com que ele se interessasse pela matéria e a levasse para a sala de aula em 100%. As sabatinas eram famosas: os alunos se interrogavam mutuamente sob a supervisão da mestra. O aluno que estudou com Dona Tutu jamais esqueceu os estados, países e suas capitais, aposto que ainda sabem. Aluno que não era muito chegado aos estudos, como eu, nada melhor do que o colégio de Dona Tutu. Mais para cima, a residência de Nilton Pimenta, antigo funcionário da Central Brasileira, grande conhecedor da vida antiga da Capixaba. Ao seu lado morava o Dr. Luiz Castelar da Silva, um dos médicos mais humanitário de Vitória. Era clínico-cirurgião e obstetra. Consultava na residência do paciente a qualquer hora do dia ou madrugada e muitas vezes sem cobrar nada do cliente. Era irmão de Dório Silva, que também adotava a mesma conduta de seu "Mano". Dr. Luiz era casado com dona Heloísa, uma das mulheres mais bonitas e elegantes de nossa capital e de uma simplicidade fora do comum. Seus filhos: Yolanda, Yedda, Yara e Edmundo. Tudo gente finíssima... Esta era a Rua Sete de Setembro que eu conhecia.

 

Fonte: A Ilha de Vitória que Conheci e com que Convivi, vol. 6 – Coleção José Costa PMV, 2001
Autor: Délio Grijó de Azevedo
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2019

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