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O mais velho maçon do Brasil

Tenente Emílio Coelho da Rocha, o mais velho maçon do Brasil, da Loja Fraternidade e Luz, de Cachoeiro de Itapemirim

O tenente Emílio Coelho da Rocha – Tenente da Guarda Nacional – bem antes de completar os seus 92 anos, a 7 de agosto de 1975, já se considerava, orgulhosamente, como o maçon mais velho do Brasil.

Iniciado aos 25 anos de idade na Loja Fraternidade e Luz, de Cachoeiro de Itapemirim, galgou a mais elevada distinção: Grau 33, tendo recebido medalhas e honrarias a bem poucos conferidas.

É justo recordar, em traços ligeiros, a trajetória dessa vida impregnada de modéstia e toda dedicada à sua família. O seu pai, Capitão Joaquim Coelho da Rocha, natural de São Miguel de Ganhaes, Minas, veio moço para a Província do Espírito Santo, tendo se fixado na fazenda de café do Entre-Morros, em São João do Muqui, onde contraiu núpcias com Dona Júlia e lá faleceu, no ano de 1885.

O menino foi aluno do professor Quintiliano de Azevedo, muito lembrado pelo seu rigorismo, mas não teve a graça de ir além do curso primário. Iniciou-se no rude trabalho da fazenda como carreiro e com muito esforço, valendo-se dos ensinamentos do livro de Coelho de Souza, resolveu tornar-se dentista prático. Ele contava que treinou as obturações a ouro incrustando num cabo de osso de escova de dentes; e que laminava o ouro das libras esterlinas na linha: ao passar o trem da Leopoldina.

Abandonando a profissão, foi ser madeireiro por muitos anos, tendo possuído serrarias, Era um dos mais entendidos em madeiras no Espírito Santo. Distinguia as espécies no habitat das matas, ou quando serradas.

Na vida pública, guardou o título de 1º Prefeito de Muqui, onde também foi o 1º Delegado. Em São Felipe, hoje Atílio Vivaqua, foi sub-delegado e juiz distrital.

Casando-se em 1909 com Dona Vicência, tiveram a alegria de criar oito filhos e ele viu a geração se estender por 23 netos e 2 bisnetos.

Dotado de muita sensibilidade pelas leituras, vibrátil pelas coisas da vida, gostava de compor acrósticos para a família, a qual o rodeou com muito carinho e afeto, a 23 de gosto de 1975, em Cachoeiro – quando o Grande Arquiteto do Universo o convocou para a grande viagem, sendo sepultado, conforme o seu desejo, no cemitério da fazenda do Entre-Morros, em Muqui.

 

Fonte: De Vasco Coutinho aos contemporâneos, 1977
Autor: Levy Rocha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2012 

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