Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Por que ler os autores capixabas?

A I Feira Capixaba do Livro, que será realizada de 15 a 18 deste mês, na Praça do Papa, é uma excelente oportunidade para conhecer melhor a literatura feita no Estado

A literatura feita por capixabas ou no Estado precisa ser mais conhecida por várias razões. A primeira delas é porque tem qualidade e nossos melhores escritores são tão bons quanto quaisquer outros autores brasileiros ou estrangeiros. A segunda é porque, lendo os autores capixabas, conhecemos melhor a nossa cultura, nossa formação histórica e reforçamos nossa identidade.

O Espírito Santo tem realidades específicas, se compararmos sua transformação histórica do século XVI, quando surge como unidade política, ao século XXI. No primeiro século de colonização, nasceu como capitania promissora, a “mais bem dotada de todas as da terra”, conforme Gandavo, um “Vilão Farto”, segundo seu primeiro donatário, Vasco Fernandes Coutinho. Aqui, o aparelho ideológico dos jesuítas criou as bases da cultura capixaba, com a catequização dos nativos.

A exploração da madeira nativa, até sua quase extinção, no século XX, do açúcar, em que foi necessária a mão-de-obra escrava de origem africana, e a busca ininterrupta das riquezas minerais formaram os alicerces da capitania dos Coutinho. Do século XVII ao XIX, por 300 anos, o Espírito Santo serviu de escudo natural de proteção às riquezas das Minas Gerais, o que permitiu a existência de inúmeros grupos indígenas nas matas nativas, até o final do século XIX, quando se incentivou a imigração de colonos europeus e asiáticos, para as terras antes ocupadas pelos silvícolas.

O Espírito Santo, a partir do século XIX, torna-se um caldeirão étnico, com uma diversidade cultural inexistente em qualquer Estado brasileiro, alicerçado na cultura do café, base de sua economia por mais de cem anos. A maior parte da população capixaba nunca estudou a história do Espírito Santo, nada sabe de seus personagens e de seus atores históricos, pouco participa da cultura local.

Hoje, temos uma grande produção de livros de autores capixabas, tanto na Grande Vitória quanto nos centros regionais, Cachoeiro, Colatina e municípios. Há leis de incentivo à cultura que funcionam bem em Vitória, Cachoeiro, Serra, Cariacica e Vila Velha, o que proporcionou uma grande produção de livros. Calculo que, atualmente, exista uma publicação anual em torno de 300 títulos, dentre ficção, memória, poesia e informativos.

Em Vitória, temos lançamento de livro quase todo dia. No entanto, o grande problema é que esses livros não circulam e não chegam ao seu destinatário, o leitor. Existem poucas livrarias e pontos de venda que aceitam comercializar esses livros. As grandes livrarias que funcionam nos shoppings não comercializam livros de autores capixabas. Não existe nenhum espaço de venda em rodoviárias, aeroportos ou pontos turísticos. Enfim, o escritor capixaba escreve para os amigos, para familiares e pouca gente mais.

O que agrava o problema é que, há quase oitos anos, o governo estadual não compra livros de grandes autores capixabas para as escolas. O governo federal só compra os livros de grandes editoras ou das que vencem suas licitações e nenhuma é capixaba. As prefeituras municipais mal têm verba para manter suas escolas e a maioria não tem biblioteca. Se tiver, essa não possui bibliotecário. Acervo atualizado nem pensar, mesmo em prefeituras consideradas ricas, como a de Vitória. Por tudo isso, surge em boa hora a I Feira Capixaba do Livro, a ocorrer de 15 a 18 de maio deste mês, na Praça do Papa. É uma excelente oportunidade para que todos conheçam melhor a literatura feita em nosso Estado.

 

Fonte: Jornal A GAZETA de 03/05/2014
Autor: Francisco Aurélio Ribeiro

Variedades

Autobiografia de Massena

Autobiografia de Massena

Filho de capixaba, nascido em Barbacena, aos 6 meses de idade fui transportado para Vitória, de onde saí aos 5 anos para Juiz de Fora, onde iniciei os estudos primários

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Uma mensagem de Natal

A Mamãe Noel de Vila Velha me traz de volta o sentido de Natal, ao colocar uma roupa vermelha e um gorro vermelho e se transformar em puro encantamento

Ver Artigo
Cachaça Thimotina - Agroturismo Cultural

Fundada em 1915, por Francisco Thimóteo Dias, a Thimotina é considerada entre os apreciadores, uma das cachaças de maior qualidade do Brasil

Ver Artigo
Presidente Castello Branco na Assembleia Legislativa do ES (1964)

Adalberto Simão Nader, discursa: "o honroso título de “Cidadão Espírito-Santense” que vos foi concedido, por iniciativa do nobre deputado Setembrino Pelissari, nos oferece a oportunidade 

Ver Artigo
Em busca de uma resposta - Partido Comunista e as outras esquerdas

O partido acreditava em seu Comitê Central; este, em Luís Carlos Prestes; o Cavaleiro da Esperança confiava em Jango. No final das contas, todos ficaram a reboque de João Goulart

Ver Artigo
Emendas constitucionais no sistema jurídico brasileiro - Por Eurico Rezende

Art. 107. É vedado ao juiz, sob pena de perda do cargo judiciário

Ver Artigo