Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando desde 2000 a Cultura e História Capixaba

As Cruzes da Estrada – Por Adelpho Monjardim

Capa do Livro: O Espírito Santo Na História, Na Lenda e No Folclore

Quem passar pela rodovia que liga Ibatiba, às margens da BR-262, à sede do município de Iuna, notará, não sem espanto, e íntima interrogação, as cruzes que enxameiam à beira da estrada. Cemitério? É a impressão, logo desfeita pela ausência dos requisitos de um Campo Santo. Refeita a mente do primeiro choque, da primeira impressão, compreende-se a razão daquelas cruzes — a vindita, o crime organizado; o braço assassino a soldo para silenciar um importuno. É a violência imperando, tanto no campo como nos grandes centros, desafiando a Lei e a Justiça. É o sindicato do crime, contrafação cabocla da Máfia e da Camorra.

Acobertados pelas trevas noturnas, favorecidos pela cumplicidade do ermo, os sicários executam as nefandas tarefas, dirimindo pela via mais rápida questões de terceiros. Na maioria os casos se prendem a questões de terras, de família ou dívidas.

Pelas estradas as cruzes se vão multiplicando como desmentido à civilização, retorno à barbárie.

Segundo a lei natural de que nada se perde e tudo se transforma, aquelas cruzes, que não foram testemunhas, mas assinalam a consumação de crimes, ingressaram no folclore local.

Curioso! Naquela zona conflagrada, sacudida pela violência, onde matar faz parte do cardápio diário; onde os homens não temem a morte, por coisa alguma os mais bravos se aventuram, às horas mortas, por aquela estrada.

É a voz corrente que, nas caladas da noite, os ali enterrados abandonam as covas e vagueiam pela estrada, aterrorizando mesmo os irracionais.

Contam que certo valentão resolveu tirar a limpo a versão, pois não acreditava em assombração, em almas d'outro mundo e quejandos. Chamava-se Pedro. Foi, é certo, mas não voltou. Nunca mais se soube dele. É o único que não tem cruz ali.

 

Fonte: O Espírito Santo na História, na Lenda e no Folclore, 1983
Autor: Adelpho Poli Monjardim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2016

Folclore e Lendas Capixabas

A Pedra dos Sete Pecados – Por Maria Stella de Novaes

A Pedra dos Sete Pecados – Por Maria Stella de Novaes

Dizem que as pessoas, em pecado, ficam presas, na fenda proveniente de um raio, enquanto as de alma pura atravessam-na incólumes

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

O Frade e a Freira - A Lenda por Estêvão Zizzi

Essa é a versão mais próxima da realidade...

Ver Artigo
O Caparaó e a lenda – Por Adelpho Monjardim

Como judiciosamente observou Funchal Garcia, a realidade vem sempre acabar “com o que existe de melhor na nossa vida: a fantasia”

Ver Artigo
A Igreja de São Tiago e a lenda do tesouro dos Jesuítas

Um edifício como o Palácio Anchieta devia apresentar-se cheio de lendas, com os fantasmas dos jesuítas passeando à meia-noite pelos corredores

Ver Artigo
Alcunhas e Apelidos - Os 10 mais conhecidos de origem capixaba

Edifício Nicoletti. É um prédio que fica na Avenida Jerônimo Monteiro, em Vitória. Aparenta uma fachada de três andares mas na realidade tem apenas dois. O último é falso e ...

Ver Artigo
A Academia de Seu Antenor - Por Nelson Abel de Almeida

Era a firma Antenor Guimarães a que explorava, em geral, esse comércio de transporte aqui nesta santa terrinha

Ver Artigo