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Aventura no topo do Guajuru - Por Sônia Aguiar

Guajuru

Uma enorme lasca de pedra eriçada de cactos era o Guajuru, que virou o Morro do Cruzeiro quando o tempo passou. Os meninos mais arteiros e os jovens aventureiros tinham como hábito subir até o topo da pedra, pela Rua Moacir Avidos — onde hoje está instalado o Colégio Nacional —, para olhar o mar aberto, casas grandes que ficavam pequenas a seus pés.

Contam antigos moradores que, um dia, Frei Pedro Sanches, vigário da paróquia de Santa Rita, e os padres passionistas Luca da Apresentação e e Gregório da Virgem Dolorosa tiveram a ideia de colocar uma enorme cruz lá em cima. A história foi reproduzida pelo escritor Reinaldo Santos Neves, através de uma entrevista feita com o fotógrafo Augusto Azevedo, para a revista Você, há alguns anos.

Duas peças de sucupira (30 x 30 cm de diâmetro) foram cedidas pela Serraria Santa Helena, na Praia do Suá, de propriedade de José Maria Vivacqua Santos. Uma com dez, outra com quatro metros de altura. Um marceneiro, Casto Mombrini, e um cavouqueiro, Antônio Bom Filho, trataram de fazer a base de pedra para a cruz. Muita gente participou do mutirão, inclusive frei Pedro, que carregou cimento para o ponto mais alto do morro.

Cruz pronta em 27 de março de 1955, saiu da igreja, levada em procissão nos ombros do povo. Colocaram-na em pé, no lugar certo, funcionários da Central Brasileira, como o faziam com os postes de luz. A propósito: seis lâmpadas foram instaladas no madeiro e Augusto Azevedo puxou a fiação de sua própria casa para iluminar o cruzeiro. Depois da procissão, missa na pedra, 18 horas, a hora mais sagrada, rezada pelo bispo D. José Joaquim Gonçalves. Desde então, o Guajuru ganhou outro nome.

A iluminação definitiva, com 74 lâmpadas, veio pouco tempo depois, por iniciativa do fotógrafo. No início, a pedra ficava iluminada de 18 horas até 21 horas, mas depois, a pedido de pescadores que usavam o cruzeiro iluminado como ponto de orientação em alto-mar o horário foi estendido até meia-noite.

Por 35 anos a primeira cruz permaneceu no local. Não se sabe como nem por quê, ao certo, um dia pegou fogo. Substituiu-a uma de ferro. Obra de um rapaz doente, desenganado pelos médicos, que ao ver o cruzeiro em chamas fez a seguinte promessa: se voltasse a andar, não deixaria o morro nu, sem sua principal referência.

A cruz da promessa foi roubada da pedra, ainda eriçada de cactos, e vendida como ferro velho. A Prefeitura de Vitória recolocou uma cruz de ferro no topo do Guajuru, que lá, de braços abertos permanece abençoando a Praia do Canto.

 

Fonte: Praia do Canto – Coleção Elmo Elton nº 4 – Projeto Adelpho Poli Monjardim, 2000 – Secretaria Municipal de Vitória, ES
Prefeito Municipal: Luiz Paulo Vellozo Lucas
Secretária de Cultura: Cláudia Cabral
Subsecretária de Cultura: Verônica Gomes
Diretor do Departamento de Cultura: Joca Simonetti
Administradora da Biblioteca Adelpho Poli Monjardim: Lígia Mª Mello Nagato
Conselho Editorial: Adilson Vilaça, Condebaldes de Menezes Borges, Joca Simonetti, Elizete Terezinha Caser Rocha, Lígia Mª Mello Nagato e Lourdes Badke Ferreira
Editor: Adilson Vilaça
Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Cristina Xavier
Revisão: Djalma Vazzoler
Impressão: Gráfica Santo Antônio
Texto: Sandra Aguiar
Fotos: Cláudia Pedrinha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2020

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