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Histórias Capixabas de Francisco Aurélio Ribeiro - Por Getúlio Marcos Pereira Neves

Capa do Livro: Francisco Aurélio Ribeiro, ilustração de Érlon Ramos

Ao propor a instalação do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Carlos Xavier Paes Barreto advertia para o fato de serem inúmeras as tradições locais que passavam quase obscuramente, quase a ponto de serem esquecidas. A reação a esse estado de coisas foi o móvel da fundação, em 1916, da Casa mais que centenária. E, felizmente, tem sido ao longo do tempo o móvel de pesquisadores, profissionais e amadores, que se dedicam a levantar e registrar fatos e vultos de relevo, de modo a não deixar que se apague a memória de nossas tradições.

Por este motivo é sempre alvissareiro o lançamento de livro versando sobre fatos históricos da nossa terra, qualquer que seja a abordagem metodológica e o gênero literário. É fato que, a seu turno, a produção acadêmica é bastante significativa. Mas ao público em geral, ao que não tem acesso a essa produção, atinge-se por meio de obras de divulgação – ou, ainda, por meio de obras de ficção. Contos e romances históricos, epopeias, crônicas, “causos”, têm a simpatia do leitor e são consumidos mais amiúde, o que se constata das estatísticas.

Dentre esse público destaca-se o que se pode considerar “em formação”. É o público infantil e infanto-juvenil, a quem está sendo incutido ou reforçado nas escolas o hábito da leitura. Obras didáticas e outras de complementação de conteúdo têm grande importância na formação do leitor e no tormentoso processo de cativá-lo para a leitura. Unindo uma ponta a outra, acaba de lançar mais um livro o professor Francisco Aurelio Ribeiro, presidente da Academia Espírito-santense de Letras e especialista em literatura infanto-juvenil: Histórias Capixabas, destinado a esse público e, como informa o subtítulo, reunindo lendas e relatos da nossa História.

São doze histórias, ricas em informações que, passadas sem intenção professoral, situam o leitor na trama que se vai narrar. Dentre estas, fatos históricos, como a Insurreição de Queimado, as desavenças entre Caramurus e Peroás, devotos de São Benedito, a construção do Convento da Penha; vultos históricos, como o próprio donatário Vasco Fernandes Coutinho e o cacique temiminó Maracajaguaçu, exilado por estas bandas. E também lendas e tradições recontadas livremente, como o tesouro da Pedra dos Olhos, o fantasma do Palácio Anchieta, a convocação de Santo Antônio para integrar nossa tropa de linha, o ouro da bengala do Barão de Monjardim, as avós índias “pegas a laço”. Tudo fatos e tradições passadas de geração em geração e que, algumas, corriam risco de passar quase obscuramente, como vaticinava meio pessimista o intelectual Carlos Xavier Paes Barreto.

Graças também ao esforço de Francisco Aurelio Ribeiro, podemos augurar a esse material histórico/afetivo uma sobrevida cuja duração não nos arrisquemos a vaticinar. A memória do povo tem razões que não podemos perscrutar, nem é caso disso. Antes, vamos à leitura do Histórias Capixabas, que garanto ser agradável, e comemoremos o fato de um pesquisador consagrado se dedicar a registrar esses “causos”, essas histórias, e generosamente passá-los adiante em linguagem apropriada para a juventude. Pois é a esses novos leitores que devemos confiar o futuro, onde inserida está a sobrevivência da memória capixaba.

 

SOBRE O AUTOR

Francisco Aurélio Ribeiro (1955) é capixaba de Ibitirama, na Serra do Caparaó. Escritor e professor em Literatura. Formou-se em Letras e Direito, com doutorado em Literatura Comparada. É pesquisador de Literatura e História do Espírito Santo e das questões da alteridade. É professor há 46 anos, tendo atuado em todos os níveis de ensino. Sua paixão, no entanto, é formar leitores. Possui mais de 50 livros publicados, sendo vinte e dois de literatura infanto-juvenil e os demais de crônicas, historiografia e crítica literária, além de dezenas de artigos publicados em revistas e jornais. Pertence à Academia Espírito-Santense de Letras e ao IHGES. É cronista/articulista de jornal A Gazeta. Pai da Flávia e do Aurélio, é avô da Clarissa, do Vicente, da Luísa e do Antônio.

 

SOBRE O ILUSTRADOR

Érlon Ramos é formado em Artes Plásticas pela UFES. Atua como professor de arte, artista plástico, ilustrador e cartunista. Entre os trabalhos de destaque estão a exposição individual JAZZSUS, realizada no centro de artes da UFES, que retrata o ambiente do jazz através da acrílicas sobre tela, e a HQ RÉVI MÉTAU: FRUSTRAÇÃO, BIRITA E MÚSICA DOIDA, publicada através de edital Secult.

 

Fonte: Revista da Academia Espírito-santense de Letras / Comemorativo ao 98° Aniversário da AEL
Autor do Texto: Getúlio Marcos Pereira Neves
Cadeira n°33 da Academia Espírito-santense de Letras
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2022

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