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Os clubes ou primus inter pares ou tempus fugit – Por Fernando Achiamé

Clube Saldanha da Gama, sem data exata

Tive acesso a um anteprojeto de pesquisa elaborado por professor da Ufes para se candidatar a uma bolsa de estudos em universidade inglesa. O trabalho foi depois desenvolvido pois irá servir de base a tese de doutorado. Naturalmente que não cabe reproduzir neste espaço todo o projeto do colega. Mas dele recebi autorização para (sem citar seu nome, já que o processo respectivo ainda está em tramitação nas instâncias burocráticas da Universidade) transcrever de forma resumida algumas partes do documento que considerar significativas, o que passo a fazer.

"Objetivo geral: (...) Objetivos específicos: (...) Justificativa: (...) O que despertou meu interesse por este tema foi uma ação banal. Ver inscrita em banheiro do Centro de Educação Física de nossa Universidade, como um desses famosos grafitos — alguns até espirituosos — a seguinte frase:

Mens insana in corpore incorpóreo (...)

Introdução: (...) Mais para frente nas minhas pesquisas com material bibliográfico e tomando como referência os trabalhos citados no final do item 5.2 pude concluir, com ajuda do orientador formal e apoio em consultorias por este último indicadas, em especial de professores da USP, que o presente estudo tem uma abordagem predominante de interesse social já que se trata de analisar fenômenos ligados a esportes de massa, que congregaram e congregam grande número de pessoas na cidade de Vitória, no atinente à prática esportiva propriamente dita e também no que se refere ao lazer moderno, fundamental para a qualidade de vida em nossa época. (...)

4.1 - clubes com predominância de esporte: Rio Branco, Vitória, Caxias, Santa Cruz (em Santa Lúcia) — consultar trabalho de Álvaro José Silva sobre o tema.

4.2 - os esquecidos, desaparecidos ou menores: Victoria Golf Club (no atual Campus de Goiabeiras); o Clube Caiçara (em Santo Antônio); Clube Centenário (de quê?); o Anchietinha (em Fradinhos).

4.3 - os étnicos: Libanês (Vitória-Vila Velha); Ítalo-Brasileiro.

4.4 - os tradicionais (com e sem esporte): Saldanha da Gama, Álvares Cabral (também étnico com este nome português?), Praia Tênis Clube, Náutico Brasil (étnico pela predominância de associados negros?), o ex-aristocrático Clube Vitória do ex-aristocrático Parque Moscoso, sic transit... (...)

5.6 - (...) a história das regatas em Vitória, sempre contada fragmentariamente.(...)

6.6 - A questão da rolha: o privado no público. Os burgueses e suas famílias comprando uma mesa para determinada festa e pagando ao clube uma taxa (a rolha) para poderem levar de casa a boa bebida que podiam mandar vir importada de procedência conhecida e controlada. (...)

6.9 Os clubes e grêmios sediados fora de Vitória, mas frequentados por seus moradores e pertencentes a associações profissionais ou de entidades públicas, corporações de ofícios ou associações de pessoal de empresas.

Conclusão: (...) sendo que um universitário definiu movimento social 'como aquele feito pelas ancas da morena em manhã ensolarada de Camburi, a rapaziada em volta babando' (...) estes e outros exemplos, descontada a gaiatice universitária, retratam o grau de alienação de parcela dos jovens privilegiados com acesso a curso superior.(...)"

 

Escritos de Vitória – Uma publicação da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Vitória-ES, 1996
Prefeito Municipal: Paulo Hartung
Secretária Municipal de Cultura e Turismo: Silvia Helena Selvátici
Sub-secretário Municipal de Cultura e Turismo: Rômulo Musiello Filho
Diretor do Departamento de Cultura: Rogério Borges de Oliveira
Diretoria do Departamento de Turismo: Rosemary Bebber Grigatto
Chefe da Biblioteca Adelpho Poli Monjardim: Lígia Maria Mello Nagato
Bibliotecárias: Elizete Terezinha Caser Rocha
Lourdes Badke Ferreira
Conselho Editorial: Álvaro José Silva, José Valporto Tatagiba, Maria Helena Hees Alves, Renato Pacheco
Revisão: Reinaldo Santos Neves, Miguel Marvilla
Capa: Vitória Propaganda
Editoração Eletrônica: Edson Maltez Heringer
Impressão: Gráfica e Encadernadora Sodré

 

Fonte: Escritos de Vitória, nº 16 Movimentos Sociais, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo – PMV, 1996
Texto: Fernando Achiamé
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2018

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