Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

A primeira boiada – Por Serafim Derenzi

Vista de Vitória, 1860 - Foto: Victor Frond

Foi de festa o dia 22 de julho de 1820, quando o mineiro Antônio Alexandre Eloy de Carvalho, chegou, com a primeira boiada, ao porto de Itacibá. Marcava o término da construção e o início do comércio entre as duas Capitanias limítrofes. Mas Vitória não tinha consumo de carne, que justificasse a caminhada de rebanhos mineiros, e a importação de sal, para Mariana e Vila Rica, não atingia ao volume necessário à manutenção de tropas regulares e de lotes de burro, a trilharem as perigosas léguas do percurso. As condições econômicas e comerciais de Minas e Espírito Santo não alimentaram o tráfego da estrada. As despesas de fiscalização pesavam e o Visconde de Alcântara, em 9 de março de 1831, oficiou ao Presidente Gabriel Getúlio de Mendonça, alegando que as três boiadas, que por lá transitaram até então, não justificavam o custeio dos quartéis. E por economia se abandonou a estrada, fintando a boa fé dos colonos, que se internaram, fiados nos favores fiscais, concedidos aos lavradores tributários da Estrada.

Foi útil, contudo, ao povoamento do sertão. Possibilitou a penetração do homem pelas cabeceiras do Santa Maria e do Braço Norte do Jucu.

Rubim compreendeu a fatalidade da interiorização da capitania. Era preciso construir estradas. Dar transporte para atrair colonos. Ligou o povoado de Viana à estrada de Vila Rica, construiu a ligação Piuma-ltapemirim, prolongando-o até a Fazenda Cachoeira Alegre. Organizou a "Companhia de Navegação do Rio Doce", cujos frutos temporões amadureceram tardiamente, nascidos de árvore pobre. A capacidade de Francisco Alberto Rubim excedia em muito aos recursos da Capitania e ao interesse teórico da Metrópole. Monarquista convicto, festejou com pompa, nove dias de luminárias, Te Deum e festa de igreja, a elevação do Brasil a Reino, em 16 de dezembro de 1815. Transferido para governar o Ceará, comenta Cezar Marques: "embora considerado arbitrário e déspota, por alguns atos cometidos, mas força é confessar que foi ele o que mais trabalhou".

 

Fonte: Biografia de uma ilha, 1965
Autor: Luiz Serafim Derenzi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2017

Curiosidades

Anchieta e o Milagre da Laje no Morro do Moreno - Por Elmo Elton

Anchieta e o Milagre da Laje no Morro do Moreno - Por Elmo Elton

Tempo havia que desejava este homem aquela laje para mesa de sua oficina, mas era de moderada grandeza e toda gente, que possuía, não podia movê-la

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Geognosia e metalurgia na Província do ES

Nas margens do rio Guandu; na montanha do Mestre Álvaro, no município da Serra; na montanha da Fonte Grande

Ver Artigo
A Lagoa Juparanã – Por Monsenhor Pedrinha, em 1891

Juparanã, Juparanã, deu-te tudo a natureza, só te não deu lágrimas para chorares o desprezo dos teus!...

Ver Artigo
Viajantes Estrangeiros ao ES – Wied, Freyreiss e Sellow

Pouco antes de iniciarem excursão pelas províncias do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, chegou à Corte, em meados de junho de 1815, Maximiliano Alexandre Philipp, Prinz von Wied-Neuwied

Ver Artigo
Os açorianos em Viana/ES – Favores fiscais

A povoação foi oficialmente instalada a quinze de fevereiro de 1813

Ver Artigo
A transição para o caminhão – Por Ormando Moraes

O caminhão foi entrando mais lentamente, devido à falta de estradas, a partir da década de 20

Ver Artigo