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Adelpho Poli Monjardim

Adelpho Poli Monjardim

O escritor comumente pretende criar a forma perfeita de expressão, a palavra mágica capaz de lhe abrir as portas do universo da compreensão e a justificativa ética para os ideais motivadores de sua realização. O autor, disse Flaubert, em sua obra, deve ser como Deus no Universo: o onipresente e invisível.

ADELPHO POLI MONJARDIM, escritor, homem público, figura humana, descende de uma das mais nobres famílias do Estado, Barão de Monjardim, sendo considerado um dos intelectuais de maior cultura e relevo no Espírito Santo. Ele encarna exatamente aquelas virtudes de que falava Flaubert no contexto brilhante de sua obra.

Filho de Alpheu Adelpho de Almeida e Andrade Monjardim e Beatrice Poli Monjardim, nasceu Adelpho, no dia 16 de setembro de 1903, na Capital do Estado.

Alpheu Adelpho de Andrade e Almeida Monjardim teve a honra de ser titular do Império, foi político militante e grande proprietário de terras, herdadas dos seus antepassados. Foi inspetor da Alfândega do Espírito Santo, cargo em que se aposentou. Durante mais de meio século liderou a política capixaba. No Império foi muitas vezes Presidente da Província. No período republicano foi o primeiro Presidente Constitucional do Estado, em 1891. Seu último mandato político deu-se como Deputado Federal (1910-1913). Deixou para os filhos suas grandes qualidade e virtudes, além de um imenso acervo de experiências, sendo evidente o grande orgulho que o escritor ADELPHO POLI MONJARDIM sente do pai e de tudo que ele realizou. Na verdade ele busca acrescentar, com sua obra, alguma coisa a mais no já imenso acervo histórico dos Monjardim.

Com sete anos de idade, ADELPHO, conhecido familiarmente por Bium, alfabetizou-se no Rio de Janeiro, matriculando-se em seguida no Ginásio Cruzeiro, do conhecido Cônego Osório. Em Vitória completou o secundário, no então Ginásio Espírito-Santense, atualmente Colégio estadual. Por motivos de força maior deixou de formar-se em Direito como desejava.

O seu relacionamento com os pais foi sempre muito afetivo, embora pautados dentro de um regime austero e de costumes conservadores, uma vez que era seu pai muito rigoroso. Zelava com muito critério pela educação e formação moral da família. Carinhosa e amiga, sua mãe era para ele um anjo de bondade.

Para ADELPHO POLI MONJARDIM conservar a amizade dos amigos de infância e juventude é como um sacerdócio, pois considera que um amigo é como um irmão.

Quando criança, aos quatro anos de idade, seu sonho era voar, o que o tornaria como o herói da mitologia grega, Ícaro, um ser fora da realidade de sua época, uma vez que Santos Dumont ainda nem havia inventado o avião, o que aconteceria em 1906. Entretanto, alimentado o sonho do pequenino ADELPHO seu pai lhe prometia trazer do Rio de janeiro umas asas de condor. Embora não tenha conseguido concretizar seu sonho de voar, como escritor, ADELPHO voaria nas asas de sua fértil imaginação.

Sentados à beira da cama do pai, que lhe ouvia as histórias e relatos que lhe fazia das ocorrências do dia, libertava sua vocação para a literatura, levando Alpheu Monjardim a profetizar que o filho seria um escritor, ou um grande mentiroso.

A sua mocidade, “Bium” viveu-a numa época de grande transição. O progresso, como todos sabemos, é arma de dois gumes. As pessoas com as quais conviveu eram muito formais e ele as admirava com o respeito que a autoridade impõe. O Dr. Afonso Cláudio de Freitas Rosa causou-lhe sempre profunda impressão. Era um talento, uma cultura polimorfa. Gostava de dissertar sobre os jesuítas. Com sua voz macia e grave ADELPHO ouvindo-o falar, comparava-o por sua bela estampa, ao Barão do Rio Branco.

Outra pessoa que causou profunda impressão a ADELPHO POLI MONJARDIM foi o Dr. Jonas Meira Bezerra Montenegro, seu professor no Ginásio Espírito-Santense. Temido e respeitado pelos alunos, todavia compreensivo e justiceiro, gostava de passar descrições aos alunos, descrições que seriam lidas na aula seguinte. Invariavelmente ele tomava zero, até que um dia seu irmão Manuel Monjardim, muito amigo do professor, quis saber a razão. A resposta foi simples: “porque sei que é você quem faz as descrições”. Rindo, respondeu-lhe o irmão de ADELPHO: “Fossem feitas por mim, sim, você poderia dar zero”. Na próxima aula, a pretexto de uma dor de cabeça, em vez de dar aula passou uma descrição para ser feita ali. E que descrição venenosa – a cobra – que ele fez rapidamente a tempo ainda de socorrer um colega fazendo também a sua. Ganhou, então, nove e o colega sete. Desde então, só ganhou dez.

O seu primeiro livro e a sua primeira experiência como Prefeito da Capital marcaram a vida de ADELPHO POLI MONJARDIM. No segundo caso pode conhecer e compreender a alma humana.

Muitas das suas lembranças, as suas recordações, tristes e alegres, são marcadas pelas perdas de entes queridos e pelo sucesso em sua vida literária.

O desabrochar do amor é o mesmo em todos os corações. ADELPHO tem em alta opinião o casamento. É o passo mais sério que um casal pode dar. A fidelidade em primeiro lugar; o respeito mútuo e a compreensão. A educação e futuro dos filhos a grande meta, o problema máximo, mormente nos dia de hoje. Ele costuma dizer, entretanto, que não devemos nos esquecer que casa de pais é escola de filhos.

Na oportunidade de enfrentar o mundo sozinho, o fez com coragem e decisão. Como César, o grande Imperador Romano, ele acredita que Veio, Viu e Venceu!

Dentre os grandes amigos que teve e alguns ainda os tem, começa pelos irmãos. Alguns já ingressaram na eternidade, como Carlos Nicoletti Madeira e Antônio Feu Rosa. Os vivos evita citá-los para evitar as omissões involuntárias, sempre desagradáveis.

Sua vida profissional não se caracterizou por nenhum fato importante. Monótona para ele, obrigado a fazer aquilo que era a negação dos seus sentimentos, das suas inclinações naturais. Primeiramente foi funcionário de um banco inglês, o London And River Plate Ltd, avesso como é aos números, péssimo aluno que foi de matemática. Durante trinta anos exerceu o cargo de Tesoureiro da Prefeitura Municipal de Vitória. Evidentemente, não foram experiências felizes para o brilhante intelectual que ele é.

A vida no lar é feliz, continuando até hoje solteiro. Até o momento, derrotas propriamente não as teve; vitórias algumas. Para ADELPHO o que é mais importante é um bom nome, uma reputação ilibada. O seu maior objetivo PE ser um escritor. Óbvios são os motivos. A sua filosofia para vencer na vida é deixar que ela venha a nós.

Com respeito a ter ou não ter dinheiro, “Bium” diz que o vil metal nem sempre é importante para o êxito das pessoas. Dá status quando adquirido honestamente. Lutou muito para ter a sua estabilidade econômica, ele que, praticamente, nasceu rico. Na mocidade sofreu gravíssimos prejuízos, quando chegou a perder o seu patrimônio.

A compreensão e o amparo da família ajudaram-no a vencer na vida, Não tem predileção por comida ou por roupas e mesmo por carros. Gosta imensamente da casa onde reside. Jamais pensou ter carro. Até hoje não sofreu influência intelectual de ninguém. É a sua própria imaginação, o seu próprio estilo criador.

Uma mensagem que deixaria aos jovens: Sejam mais brasileiros!

Um fato que ADELPHO não consegue esquecer sucedeu em sua infância e do qual guarda profunda impressão: o aparecimento do cometa de Halley. Moravam os Monjardim na Casa Grande da Fazenda de Jucutuquara, hoje Museu Estadual. Seriam duas horas da madrugada quando sua mãe os despertou para verem uma coisa extraordinária. Dormiam no sótão. Ele abriu a janela que dá para leste e ele, de espanto, quase caiu de costas: uma enorme estrela, com imensa cauda, tomava quase toda a região do céu. A luminosidade era tão grande que ofuscava o brilho das estrelas e uma luz esverdeada iluminava a terra fastasmagoricamente. Jamais, em sua vida, viu coisa tão bela.

Naquele ano de 1910, era crença mundial que o mundo iria se acabar devido ao encontro do cometa com a Terra. De medo muita gente se suicidou. Aqui se deu um fato curioso, conta ADELPHO MONJARDIM. Certo indivíduo, temendo a catástrofe iminente, nas vésperas do dia fatal, fugiu para a Serra...

ADELPHO POLI MONJARDIM tem o seguintes livros publicados: O tesouro da Ilha da Trindade, Novelas Sombrias, Vitória Física, A Torre do Silêncio, Um Mergulho na Pré-História, Bolívar e Caxias, paralelo Entre Duas Vidas, O Exército Visto por um Civil, Sob o Céu de Ísis, O Imigrante, O Grande Almirante, além dos livros que vão entrar no prelo: A Entrevista de Guayaquil, O Ícaro-Brasileiro e o Espírito Santo na Lenda e no Folclore.

Detém sete prêmios literários, sendo cinco de âmbito nacional.

Possui as seguintes condecorações: Medalha do Pacificador (Exército), Medalha do Mérito Tamandaré (Marinha), Estrela da Solidariedade Italiana (Governo da Itália), Crachá Amigo da Cidade de São Paulo (Concedido pela Prefeitura de São Paulo), Medalha de Ouro, oferecida pelo povo de Vitória, quando seu primeiro Prefeito eleito, Láurea Cívica Medalha André de Negreiros, Grau Grande Oficial, Medalha Regente Feijó, Medalha Legião do Mérito Presidente Antônio Carlos, Grande Oficial.

ADELPHO exerceu os seguintes cargos: Representante do Chefe de Polícia do Distrito federal, para o Espírito Santo, durante o Estado Novo; Vice-Presidente da Associação de Prefeitos das Capitais; Membro do Conselho de Cultura do Estado (ex); Corretor Oficial de Café; Tesoureiro Geral da PMV; Diretor da Receita da PMV; Diretor da Fazenda (idem); Diretor da Administração (idem); Prefeito Municipal por duas vezes, sendo o seu primeiro Prefeito eleito. Pertence às seguintes agremiações culturais: Academia Espírito-Santense de Letras; Academia de Letras Humberto de Campos; Academia Diocésia de Letras, de Natal; Academia de Letras do Rio de Janeiro (Membro Correspondente); Academia Santista de Letras; Membro do Instituto Histórico e Geográfico Cearense (Correspondente); foi deputado estadual; foi fundador da Associação Espírito-Santense de Imprensa, juntamente com Carlos Nicoletti Madeira e Dan Takimiroff.

ADELPHO POLI MONJARDIM é um símbolo de capacidade e de inteligência. Sua obra imortal estará sempre renascendo e chegará triunfal, temos certeza, aos dias gloriosos do futuro.

 

Livro: Personalidades do Espírito Santo, 1980
Autora: Maria Nilce
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março /2012 

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