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Livro que dá razão do Estado do Brasil

Mapa de João Teixeira Albernaz I, em 1612, é considerado como “o mais antigo atlas especial, hoje conhecido, de um território americano

Em outubro de 1855, Sua Majestade o Imperador D. Pedro II doou ao Instituto Histórico e Geográfico um precioso manuscrito, contendo vinte e duas cartas geográficas a cores, compreendendo províncias da costa do Brasil, incluindo o Espírito Santo.

Esse documento, cópia fiel do original desenhado pelo “Cosmógrafo de Sua Majestade” portuguesa, João Teixeira Albernaz I, em 1612, é considerado como “o mais antigo atlas especial, hoje conhecido, de um território americano”.

Na questão de limites Bahia-Espírito Santo, o Prof. Braz do Amaral procurou engrossar um arrazoado, impresso em 1917, com alegações a favor da Bahia, de que o “Livro que dá Razão” demonstra ter sido o rio Doce divisa entre as capitanias de Porto Seguro e Espírito Santo.

A alegação, nada convincente, teria exercido influência no desinteresse de historiógrafos capixabas pelo documento, desprezando, assim, um dos mais autênticos cimélios da nossa história colonial.

Em 1955, ao completar, precisamente, um século em que foi feita a doação do Imperador, o Arquivo Público do Estado de Pernambuco editou um volume de apreciação crítica, com introdução e notas de Hélio Viana, do aludido “Livro que dá Razão”.

Graças à dedicação do amigo Norbertino Bahiense que me presenteou um exemplar do volume crítico, posso transcrever e comentar parte alusiva à nossa província capixaba que, na ocasião em que foi desenhado o atlas, estava separada do governo de D. Diogo de Menezes e agrupada ao Rio de Janeiro e São Vicente. Por tal motivo, a carta da costa compreendendo Bahia e Espírito Santo, não foi acompanhada de textos especiais.

Menciona a publicação do Arquivo pernambucano que uma das mais antigas utilizações do “Livro que dá Razão do Estado do Brasil” foi feita por Braz da Costa Rubim, em sessão do Instituto Histórico Brasileiro, no ano de 1859.

Vale transcrever a legenda da carta 2ª, do volume a cores, presenteado ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro: “Demonstração da Capitania do Espírito Santo, até a ponta da barra do rio Doce, no qual parte com Porto Seguro. Mostra-se a aldeia dos Reis Magos, que administram os padres da Companhia. E do dito rio para o norte corre a costa como se mostra, até o rio das Caravelas, tudo despovoado, com muitos portos para navios da costa e muitas matas de pau-brasil. Mostra-se pelo rio Doce o caminho que se faz para a serra das Esmeraldas, passando o rio Gualici e mais avante como se entra no rio Una e dele caminhando pouca terra entra-se na lagoa do ponto. E, da qual desembocam e sobem a serra das Esmeraldas, tudo conforme a viagem que fez Marcos de Azevedo”.

Em sua erudita análise, Hélio Viana reconhece difícil a identificação dos rios Gualici, Gualicimiri e Una e faz comentários sobre o tão discutido roteiro do bandeirante das esmeraldas levando a crer que Marcos de Azevedo teria alcançado a região da atual cidade de Teófilo Otoni.

Cita o analista que esse mapa tão antigo do Espírito Santo já foi publicado, parcialmente, por Serafim Leite, na sua “História da Companhia de Jesus no Brasil” e também reproduzido na “História da Expansão Portuguesa no Mundo”.

Conhecemos outra reprodução, feita por José Teixeira de Oliveira, na “História do Estado do Espírito Santo”, editada em 1951.

Desejamos registrar com o maior entusiasmo e louvores, a edição comemorativa do V centenário de nascimento de Pedro Álvares Cabral, do “Livro que dá Razão do Estado do Brasil”, feita pelo Instituto Nacional do Livro (Ministério da Educação), em 1968. Magnífica reprodução, em fac-simile, a cores, do manuscrito do século XVII, exemplar doado pelo Imperador D. Pedro II, o mesmo que tive a emoção de manusear um dia e que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro guarda, com merecido zelo, bem guardado, em seus arcanos.

 

Fonte: De Vasco Coutinho aos Contemporâneos, 1977
Autor: Levy Rocha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2012

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