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Moisés, um campeão - Por Jorge Rodrigues Buery

Time posado do Botafogo campeão Brasileiro de 1995. Da esquerda para direita: Em pé: Guto, Wilson Goiano, Gonçalves, Beto, Gottardo e Wagner Agachados: Túlio Maravilha, Dozinete, Moisés, Sérgio Manoel e Leandro Ávila

Desta vez, me perdoem os esnobes, o morro teve vez, sim senhor! Um garoto humilde, criado meio em casa pela família, meio na concentração de um clube a 600 quilômetros de sua cidade natal, venceu. Foi além do que muitos conseguiram em dezenas de anos de existência. Foi campeão brasileiro. Isto mesmo. Campeão brasileiro de futebol. No país tetracampeão mundial.

Mas não venham dizer que Moisés, filho de seu Osvaldo e dona Maria da Penha, chegou "lá" por acaso. Longe disso. Moisés batalhou firme para um dia poder carregar em suas mãos o troféu de campeão nacional. Ele é exemplo vivo da trajetória de inúmeros garotos humildes deste Brasil nem sempre justo com os seus pequeninos. Moisés é alguém que, apaixonado pelo futebol, sonhava dia e noite em vestir a camisa de um grande clube. Sonhou amparado pelo pai e desafiando a preocupação da mãe, gente humilde do bairro Consolação, em Vitória.

Sim, porque quando deixou a Desportiva Ferroviária com destino ao Botafogo, o pequeno capixaba da ilha de Vitória só tinha 12 anos. Dona Maria da Penha sentiu no peito o que era ver o filho partir com tão pouca idade. Logo para o Rio de Janeiro, lugar de tantos problemas, que ela via diariamente pela televisão. Mas seu Osvaldo queria que o filho fosse jogador de futebol, e incentivou Moisés a viajar.

No início, as saudades eram grandes. O garoto experimentava o sentimento de viver longe dos pais e irmãos, numa grande cidade. Seu lema, então, foi treinar e treinar. Obstinado, Moisés lutou o quanto pôde para um dia se profissionalizar. Em meio a tantas feras, o capixaba venceu. Na final do Campeonato Brasileiro de 1995, ele era um dos botafoguenses campeões. Mas a vida nem sempre reserva aos bravos e predestinados, como Moisés, somente alegrias. Falecido um ano antes, o pai do jogador, seu Osvaldo, logo ele, o grande incentivador, não viu o filho levantar a taça de campeão do Brasil. Mais uma vez, Moisés, o capixaba, teve de se superar. A consagração naquela tarde de domingo no Pacaembu fez o jovem de 23 anos passar em flashback toda a sua vida. A conquista era dele, de seu Osvaldo, de dona Maria da Penha, dos irmãos, dos incentivadores, dos capixabas, dos capixabas que torceram por ele, no bairro Consolação e em todo o Espírito Santo.

Recebido com pompas de herói pelos vizinhos, Moisés virou cidadão ilustre ao ganhar uma placa do prefeito de sua cidade natal. E entrou para a galeria dos grandes craques capixabas que fizeram fama no futebol nacional.



Informações da foto: time posado do Botafogo campeão Brasileiro de 1995.
Da esquerda para direita:
Em pé: Guto, Wilson Goiano, Gonçalves, Beto, Gottardo e Wagner
Agachados: Túlio Maravilha, Dozinete, Moisés, Sérgio Manoel e Leandro Ávila.

 


ESCRITOS DE VITÓRIA — Uma publicação da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Vitória-ES.
Prefeito Municipal - Paulo Hartung
Secretário Municipal de Cultura e Turismo - Jorge Alencar
Diretor do Departamento de Cultura - Rogerio Borges De Oliveira
Coordenadora do Projeto - Silvia Helena Selvátici
Conselho Editorial - Álvaro Jose Silva, José Valporto Tatagiba, Maria Helena Hees Alves, Renato Pacheco
Bibliotecárias - Lígia Maria Mello Nagato, Elizete Terezinha Caser Rocha, Lourdes Badke Ferreira
Revisão - Reinaldo Santos Neves, Miguel Marvilla
Capa - Remadores do barco Oito do Álvares Cabral, comemorando a vitória Baía de Vitória - 1992 Foto: Chico Guedes
Editoração - Eletrônica Edson Malfez Heringer
Impressão - Gráfica Ita
Fonte: Escritos de Vitória, nº 13 – Esportes- Prefeitura Municipal de Vitória e Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, 1996
Autor: Jorge Rodrigues Buery.
Nascido em Vitória (ES). Jornalista.
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2020

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