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Morte do Apóstolo do Brasil, em Anchieta – ES

Santuário Nacional de São José de Anchieta

O segundo grande fato ocorrido na governança de Miguel de Azeredo foi o falecimento, em Reritiba,(53) do padre José de Anchieta. Este jesuíta, que passou no Brasil quarenta e quatro anos, dos sessenta e três que viveu, recolhera-se ao Espírito Santo ao sentir a aproximação da morte. Reritiba, onde a Companhia possuía uma casa, era o pouso de sua predileção. Ali morreu o Apóstolo do Brasil(54) aos nove dias de junho de 1597.(55) Seu corpo foi trasladado para a vila da Vitória por um cortejo constituído de mais de trezentas pessoas, em maioria indígenas, sendo sepultado na igreja de Santiago.(56)

 

NOTAS

(53) - “Riri-tyba, o sítio das ostras; ostras em abundância, a ostreira” (SAMPAIO, O Tupi, 299).

(54) - Quando dos ofícios solenes celebrados em Vitória, por ocasião do sepultamento de Anchieta, ao padre Bartolomeu Simões Pereira, administrador eclesiástico do Rio de Janeiro, então residindo no Espírito Santo, coube fazer o necrológio, no decorrer do qual chamou ao morto de Apóstolo do Brasil (QUIRÍCIO CAXA, Breve Relação da Vida e Morte do Padre José de Anchieta, apud LEITE, Páginas, 171-2).

– Foi a primeira vez que se usou aquele cognome.

(55) - TEIXEIRA, Dicionário, 387.

(56) - SERAFIM LEITE escreveu na HCJB, II, 483, nota 2: “em julho de 1609, os seus restos mortais foram levados, em parte, para a Bahia, onde ficaram algum tempo no altar-mor, ao lado, até ao breve de Urbano VIII de non cultu e retiraram-se de lá, sendo dispersas as suas relíquias por várias casas e colégios, uma das quais foi para Roma. Mais tarde, colocou-se a seguinte inscrição tumular na igreja dos jesuítas, ao lado do palácio do governo, sito no antigo colégio [de Vitória]: HIC IACVIT VENE/RAB. P. IOSEPHUS / DE ANCHIETA SOC. / I. BRASILIAE APOS. / ET NOVI ORB. NO/VVS THAVMATVRG. / OBIIT RERITIBAE / DIE IX INV. ANN. / MDXCVII. Ignora-se o paradeiro das relíquias de Anchieta.”

– A onze de março de 1760, o marquês de Lavradio ordenava, em portaria, que o chanceler da Relação da Bahia “fizesse remeter para Lisboa as relíquias do padre Anchieta, que se encontravam no colégio que fora dos jesuítas” (ALMEIDA, Inventário, I, 393). E a doze de abril daquele mesmo ano o referido chanceler Tomás Rubi de Barros Barreto escrevia a el-rei D. José uma carta, na qual dizia: “e acompanha a dita remessa hum cofre de Jacarandá com sua ferragem de prata, em que vão as estimaveis reliquias do Veneravel Padre Anchieta e constão de quatro ossos das canellas e duas tunicas; o que tudo entregará o Capitam do Mar e guerra Antônio de Brito Freire” (ALMEIDA, op. cit, p. 389).

– Em ofício de vinte de junho de 1808, Manoel Vieira de Albuquerque Tovar, governador da capitania do Espírito Santo, comunicava a D. Fernando José de Portugal, haver “em poder do Reverendo Vigario da Vara desta Villa [da Vitória]”, além de objetos de prata que pertenciam à “Igreja do Collegio, que os extinctos Jezuitas tinhão nesta Villa [...] Hum Caixotinho deprata lavrada; tem dentro hua Canella do Veneravel Anchieta” (Gov ES, I, 4).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, junho/2017



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