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Rios Iconha e Novo: união faz a diferença

Rio Piúma, onde a atividade pesqueira tem papel de destaque

A Bacia Hidrográfica do Rio Novo tem uma característica à parte: é formada pela junção dos rios Iconha e Novo, que recebe o nome de rio Piúma após uma bifurcação no distrito de Itaputanga, no município litorâneo.

O Rio Novo nasce no sopé da Serra do Richmond, em Vargem Alta, e deságua em Piúma após um percurso de 30Km. A bacia cobre os municípios de Rio Novo do Sul e parte de Iconha, Itapemirim, Piúma e Vargem Alta.

De acordo com o assessor da Diretoria de Operação Metropolitana da Cesan, o engenheiro Celso Luiz Caus, os rios Novo e Iconha têm característica diferentes e, por isso mesmo, se complementam.

"O rio Iconha é um rio mais de montanha. Sua qualidade de água é melhor do que a encontrada no Rio Novo, já que, devido às quedas d' água, há uma certa oxigenação", explicou.

Segundo ele, já o Novo é um rio mais de planície e, no seu trecho final, possui muita matéria orgânica." As folhas e raízes, após entrarem em decomposição, consomem oxigênio da água. O rio Piúma, que é a junção dos dois, busca justamente manter o equilíbrio", contou.

Ele explica que, enquanto o Rio Novo tem uma vazão mínima de 1,8m3/s, o rio Iconha possui 1,2m3/s. Juntos, em Piúma, eles atingem 3m3/s.

"Antes, Piúma era só abastecida por um afluente do rio Benevente, o Pongal. Mas, com o crescimento da cidade, a Cesan passou a buscar água no rio Iconha para atender o município", contou, lembrando que é retirado em média 0,1m3/s no período de verão.

De acordo com o gerente de Recursos Hídricos do Iema, Fábio Ahnert, a Bacia do Rio Novo tem boa parte da sua economia voltada para a pecuária de corte e leite, destacando ainda as culturas da banana e do café e as atividades de extração e beneficiamento de mármore e granito.

Um dos fundadores do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio Novo, Vanderli Miranda, conta que foi elaborado um diagnóstico para a região em que foram enumeradas ações para mitigar os principais problemas. Uma ação recente foi a criação do Instituto Água, presidido pelo membro dos comitês do Benevente e Rio Novo, Maurício Vieira Gomes, que visa elaborar projetos para minimizar os impactos ambientais na região.

 

INFORMAÇÕES GERAIS

Bacia Hidrográfica do Rio Novo

Área: 706 Km2

Principais afluentes: rios Iconha, Concórdia, São Francisco, Campinho, Itapoama e córregos Guiomar, Richmond, São Benedito, São Vicente de Baixo, São Caetano, Bonfim, Pedra Lisa, Inhaúma, Santo Antônio, Campinho, Palmital, Solidão, da Comporta, Piabanha do Norte, Várzea Grande, Itinga e Ibitiba

Gerenciamento: rio de domínio estadual

Extensão: a rede de drenagem abrange uma malha de cerca de 440 Km

Nascente: Serra do Richmond, em Vargem Alta

Foz: Na sede do município de Piúma

Municípios cobertos pela bacia: Rio Novo do Sul e parte dos municípios de Iconha, Itapemirim, Piúma e Vargem Alta

Atividades econômicas: pecuária de corte e leite; agricultura, destaque para as culturas de banana e café; turismo; pesca; artesanato e industrial – beneficiamento de mármore, granito e calcário.

Principais problemas:

• Assoreamento

• Poluição dos recursos hídricos devido à disposição inadequada de resíduos sólidos e lançamento de efluentes sem tratamento;

• Desmatamento generalizado e em Áreas de Preservação Permanente;

• Deterioração dos recursos hídricos devido à evolução desordenada da ocupação do solo, das atividades agrícolas e da extração de mármore e granito;

• Conflito entre usuários de água.

Fontes: Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e engenheiro da Companhia Estadual de Saneamento (Cesan) Celso Luiz Caus.

Forte influência italiana

O território que hoje compõe a Bacia Hidrográfica do Rio Novo começou a ser desbravado a partir de Piúma, antes município de Iconha, mas que durante muitos anos foi um dos distritos mais ativos da região.

De acordo com o professor de História e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Iconha Olimar Garcia Biancardi, a colonização se espalhou ao longo dos rios e ganhou consistência a partir da imigração italiana para o Espírito Santo, iniciada em 1877.

Os registros históricos revelam que o primeiro desbravador da região montanhosa da bacia foi o imigrante Henrique Francisco Christiano Bourguignon; a primeira concessão de terras foi feita à firma inglesa Rodacanak&Cia., com sede em Londres, que montou uma serraria em Piúma e outras ao longo do vale, em Monte Belo (Iconha) e Cachoeirinha (Rio Novo do Sul), para exportação de madeira serrada para Europa.

“O rio Iconha até o mar, no passado, era navegável, pois nele trafegavam canoas, botes e vaporzinho a motor. Por ele escoavam todos os produtos da terra, principalmente o café, que era embarcado em navios no porto de Piúma e enviado para outras regiões do Brasil e do mundo”, destacou Biancardi.

Polêmica na abertura de canal

Uma polêmica que se arrasta há anos na Justiça, em torno da abertura ou não do Canal de Itaputanga, em Piúma, marca a região da Bacia do Rio Novo.

Esse é um dos dois canais que dá acesso do Rio Novo ao mar. Sua obstrução causou enchentes, já que as águas da chuva não podiam ser drenadas para o mar, causando perdas de espécies da fauna e da flora e destruição das pastagens.

“O Vale do Rio Novo, que engloba o Vale do Orobó, Canal do Pinto e Rio São Francisco, já foi responsável por 30% da pecuária do Estado”, afirmou a tesoureira da Associação de Agropecuaristas do Vale do Orobó (Asvale), Rozeli Coelho Silva, que ainda comemora a decisão dada pela Justiça no ano passado para a reabertura do canal.

Os comerciantes de Piúma, porém, apontam prejuízos ao turismo, já que a água do mar fica com coloração mais escura.

Algumas características da Bacia

Enchentes - A ocupação desordenada das margens do rio - as cidades crescem em áreas inundáveis – tem ocasionado enchentes nos municípios de Iconha e Rio Novo do Sul.

“As construções indevidas, os aterros e a retirada da mata ciliar fizeram com que o rio sofresse um alto grau de assoreamento. Esse processo agrava quando há enchentes e trombas d' água em Iconha e Rio Novo do Sul”, explica o professor de Educação Ambiental da Ufes, Antonio Sérgio Ferreira Mendonça.

Segundo ele, a saída está na realização de zoneamentos, não permitindo a ocupação das margens do rio, além de consciência ambiental para reduzir o processo de degradação.

Canais - Para aproveitar melhor a água do Rio Novo em plantações e pastagens foram feitos muitos canais de drenagens ao longo de toda a bacia hidrográfica.

“Por um lado isso é positivo, já que elimina inundações no período das chuvas, mas, por outro, diminui o lençol freático e, com isso, há queda de produtividade”, analisa o professor de Engenharia Ambiental da Ufes.

Assoreamento - A foz do rio Piúma é do tipo estuário, estando bastante prejudicada pelo assoreamento, o que provoca grandes transtornos para os pescadores que precisam colocar suas embarcações no rio.

A situação vem se tornando um verdadeiro tormento para os pescadores que têm suas casas em Itaputanga, Bairro União e Invasão I e II, em Piúma, pois, nesses pontos do rio, os barcos só chegam com marés muito altas, não havendo passagem para barcos de médio porte.

Mangues – A diversidade animal mais abundante é encontrada nos mangues que, apesar da má conservação, ainda servem de abrigo para muitos tipos de aves, principalmente as garças (Egretta tula), que os utilizam como berçários e fonte de alimentação.

Os manguezais são formados por duas pequenas ilhas e um trecho ribeirinho dentro do perímetro urbano de Piúma, somando em torno de 10 hectares.

Chuvas - A pluviosidade cresce regularmente de sul para norte, ou seja, em direção as encostas, desde 1.000 a 1.700mm anuais, variação esta muito acentuada para uma bacia relativamente pequena.

A época chuvosa é o verão amplo, e a seca é o inverno, mas, a medida em que se avança para as cabeceiras, a estação seca vai enfraquecendo e no extremo norte da bacia quase não há período seco.

 

Fonte: A Tribuna, Suplemento Especial Navegando os Rios Capixabas – Rios de Guarapari, Rio Benevente e Rio Novo  09/09/2007
Autor: Gleberson Nascimento
Expediente: Joel Soprani
Subeditor: Gleberson Nascimento
Colaborador de texto: Flávia Martins
Diagramação: Carlos Marciel Pinheiro
Edição de fotografia: Sérgio Venturin
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2016

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