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Rolo compressor – Por José Miguel Feu Rosa

Sob as ordens de Chiquinho

De vez em quando lemos e ouvimos comentários de intelectuais e curiosos acerca do movimento revolucionário de 1964, que perdurou até 1983.

Uns dizem que não teria havido mais que simples golpe militar. Outros sustentam enfaticamente que houve, na realidade, uma revolução, com profundas transformações na vida social, política, econômica e administrativa do País.

Não pretendemos entrar no âmago da tormentosa questão. O que percebemos, no entanto, é que, se em todos os demais setores teria havido golpe ou contragolpe, uma área onde se realizou, sem dúvida alguma, verdadeira revolução, foi a comunicação social.

Antes de 64 existiam no nosso País, em todos os Estados, centenas e milhares de jornais. Aqui na Grande Vitória, onde nossa população era cerca de dez por cento da atual, podemos recordar: A Gazeta, A Tribuna, O DIÁRIO, Folha Capixaba, Sete Dias, Folha do Povo - todos jornais de primeira ordem; sem se falar na chamada imprensa nanica.

A partir de 64, poderosos grupos econômicos incrustrados no Governo passaram a criar as maiores dificuldades para a imprensa em geral. Iniciaram, então, um processo maquiavélico, ostensivamente contrário aos interesses nacionais: compravam o que havia de melhor em nossa imprensa, apenas para extingui-lo.

Excelentes jornais, mas que se mostravam independentes e corajosos, eram adquiridos por "forças ocultas" e feneciam aos poucos - iam diminuindo o número de páginas, deixavam de sair, os repórteres iam sendo despedidos aos poucos, até que fechavam suas portas.

Isso foi o que aconteceu com o Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário Carioca, O Jornal, Última Hora e tantos outros órgãos da imprensa, muitos deles com mais de 100 anos de existência, e que - pode-se dizer - já constituíam verdadeiro patrimônio cultural do País.

A partir de então, o que vemos? Depois dessa autêntica e profunda revolução, existe no Brasil, a bem dizer, verdadeiro monopólio da informação. Toda a imprensa falada, escrita e televisionada diz quase que tão-só e apenas a mesma coisa. Com poucas e pequenas variações relativas a colocações periféricas, no geral todos os órgãos informativos acham-se plenamente identificados.

Nosso querido e saudoso O DIÁRIO não resistiu à avalanche demolidora. Foi arrastado de roldão. Por mais que proprietários, jornalistas e operários o tentassem, nenhuma força humana seria capaz de suportar tão violentas pressões. O jornal morreu de inanição.

Foi um excelente jornal. Criação maravilhosa de Christiano Dias Lopes e Alvino Gatti. Naquela época A Gazeta, A Tribuna e O DIÁRIO pode-se dizer que se igualavam, ou, se havia supremacia de A Gazeta, não era tanta assim.

Durante muitos anos fui jornalista dO DIÁRIO. Quando era diretor, o Sr. Armênio Clóvis Jouvin contratou-me para fazer a crônica parlamentar. Eu era taquígrafo da Assembléia Legislativa. Fornecia-lhe diariamente a reportagem, e uma vez por semana (aos domingos) saía um comentário mais amplo e geral.

Depois, durante a direção de Plínio Marchini, passei a escrever um comentário político, que saía duas ou três vezes por semana.

O DIÁRIO acolheu em suas páginas uma brilhante geração intelectual capixaba: Christiano Dias Lopes, Alvino Gatti, Setembrino Pelissari, Plínio Marchini, José Carlos Fonseca, Eloy Nogueira da Silva, José Tristão Fernandes, e, como representante das idéias esquerdistas, em moda naquela época, o querido amigo Mário Gurgel.

José Carlos de Oliveira, o jovem capixaba que depois foi trabalhar no Jornal do Brasil e se tornou cronista de fama nacional, saiu daquela fornada dO DIÁRIO.

 

Fonte: O Diário da Rua Sete – 40 versões de uma paixão, 1ª edição, Vitória – 1998.

Projeto, coordenação e edição: Antonio de Padua Gurgel

Autora: Fernando Jakes Teubner

Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2018

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