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Vitória a Capital dos Negócios – Nestor Gomes

Rua Nestor Gomes

A eufórica situação financeira, desfrutada pelo Estado, e os planos anunciados por Nestor Gomes, focalizaram atenções especiais para a Capital. A cidade se tumultua.

Fornecedores, empreiteiros, viajantes, concessionários de terras, divertem-se em "cabarets" improvisados, onde o pano verde apara apostas até o dia raiar. Vitória era uma miniatura de Babilônia. Fisionomias estranhas, homens de má catadura, capangas armados, jogadores profissionais, pistoleiros sem vítimas em mira, artistas de café-concerto, carteadores internacionais atravancam os hotéis e pensões sem higiene e sem acomodações. Nestor quer concluir as obras programadas em seu governo. Mal o tempo conspira e ele sabe que, no término de seu mandato, só restará a ação das picaretas demolidoras. Articula, pois, os políticos para possível reforma da Constituição. Almeja mais um quatriênio para terminar o programa vulcânico. Desencadeia-se caliginosa tempestade nos arraiais de "Domingos Martins". Explodem violências que o líder Cristiano Lopes, o "Garrucha", não consegue dominar. A paz se conspurca entre constitucionalistas e reformistas. Nestor recua. O engenheiro Florentino Ávidos, membro da família Monteiro, chefiava os "Serviços de Melhoramentos de Vitória". Era um órgão sem estrutura jurídica. Mas o Dr. Florentino Avidos, homem agressivamente honesto e franco, trabalhador intimorato, econômico e enérgico, conduz os trabalhos com austeridade. A política se divide em grupos. Nestor os vencerá tranqüilamente. Despista e se ausenta do governo por meses seguidos, passando o exercício ao Sr. João Rodrigues de Deus Neto. Escreveu um nome e fecha-o em sobrecarta lacrada, confiando-a ao Desembargador José Batalha Ribeiro: — "Aí está o candidato a Presidente do Estado". Entre os namorados à sucessão havia o Desembargador Cassiano Castelo, com muitas possibilidades e merecimento. Membro de numerosa família e de apreciável influência política, ninguém podia duvidar que não fosse o nome colimado para a alta investidura. Batalha Ribeiro guardou sua curiosidade. O segredo não o acossara. Se Nestor o fizera depositário, ele estava seguro de que outro nome não podia ser, senão, o do colega da Supremo Corte. Dois anos depois, instalada a convenção do Partido Republicano, após vários dias de confabulação, surge o nome do engenheiro Florentino Ávidos, como candidato unânime das forças políticas do Estado. Foi surpresa estarrecedora para o depositário judicial da carta segredo: o nome-mistério coincidia com o da Convenção.

O Coronel Nestor garantiu a continuidade do programa, na pessoa do seu grande e melhor auxiliar.

Os pardieiros, que se aglomeravam na Rua Santos Pinto e Ladeira do Chafariz, viela tortuosa e empenada que comunicava a Rua Duque de Caxias, Ladeira da Misericórdia e o topo da escadaria do Palácio, foi transformada em rua, que o povo batizou de Boa Idéia. Fácil foi fazê-la descer até o canto do Café "José de Almeida", antiga Padaria Rezende, no começo da República, esquina da Rua General Osório com a Rua do Comércio. A Prefeitura, em elementar Justiça, deu a esse logradouro o nome de Rua Nestor Gomes.

Apesar de estreita, foi melhoramento de relevo, não só para a higiene, como para as comunicações entre as partes, baixa e altas da cidade. A Avenida Capixaba ficou perfeitamente definida, com os alinhamentos marginais desembaraçados do casario pobre e vexatório, que constituíam a Rua Cristóvão Colombo, Praça Marechal Floriano Peixoto, Rua Pereira Pinto e prolongamento das colonialíssimas Ruas do Sacramento, São Manoel e General Câmara. Abriu-se aos olhos, desde o cais do Imperador até a chácara do Barão de Monjardim, belíssima perspectiva, inédita até então. Em matéria de urbanismo, os técnicos do Espírito Santo foram sempre parcimoniosos no dimensionar a largura dos logradouros.

A nova artéria, espinha dorsal das comunicações Leste-Oeste, da cidade, não podia ter largura inferior a trinta metros.

O porto é uma ameaça permanente ao tráfego, que crescerá na razão do volume cambiado com os navios. Assiste-me o direito à crítica, porquanto, quando diretor de Obras e Viação da Prefeitura, projetei a Avenida Vitória, com trinta metros, e, se não lhe dei maior gabarito, foi devido ao ponderável obstáculo oferecido pelo morro do Forte São João.

O Governador Santos Neves corrigiu essa lacuna grave, projetando e construindo parte da ligação oceânica da Avenida Princesa Isabel à ponta Bento Ferreira.

Nestor Gomes teve a mesma sorte política de Henrique Coutinho. Esquecido por todos, curtiu o mais absoluto ostracismo.

 

Fonte: Biografia de uma ilha, 1965
Autor: Luiz Serafim Derenzi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2016



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