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Anchieta - De como foi enviado ao Brasil

Santo Padre José de Anchieta

Não tendo já os médicos o que fazer e tendo novas dos Padres da Companhia, da terra do Brasil, que a terra era muito sadia, determinaram, com parecer também dos médicos, que fosse enviado a ela e que poderia ser que com um novo céu, nova terra, novos ares e novo mantimentos houvesse nele e, em sua disposição, nova mudança. Parece que por estes meios quis o Senhor nesta terra transplantar esta generosa planta, onde desse mais excelente e copioso fruto, do que pudera dar em Portugal, ainda que tivera [acolá tivesse] perfeita saúde. Assim para bem de muitos veio em companhia do Pe. Luís da Grã no ano de 1553, onde pela misericórdia do Senhor com a benignidade do clima, favor dos ares mais puros, facilidade dos mantimentos, cobrou perfeita saúde, qual em corpo tão desengonçado se podia esperar, e nele viveu 44 anos com grandes trabalhos e incomodidades e notável falta de coisas necessárias para a vida humana, como, em parte, se verá desta relação.

Entrando no navio lançou logo mão do fogão e cozinha, assim como da despensa dos Nossos,(2) com que a todos veio servindo, começando nosso Senhor a lhe dar esperanças de melhor disposição, que lhe havia de conceder, pois ele assim o mostrava que havia de se aproveitar dela e empregá-la em servir a Deus como sempre fez.

Chegando à Bahia, em que esteve pouco tempo nela, foi enviado à Capitania de S. Vicente, onde residia a maior parte dos da Companhia que estavam no Brasil. Aí achou o Pe. Manuel da Nóbrega, o qual conhecendo a muita virtude do Irmão [Anchieta] e as muitas partes [qualidades] que nele havia, para se poder ajudar dele, lançou mão dele e o teve por companheiro quase em todos os seus trabalhos e ocupações, em especial depois que chegou a saber [conhecer] a língua do Brasil, que em tudo lhe servia de interprete.

 

NOTAS

(2) Quando fala dos "Nossos", se entendem os companheiros jesuítas

 

Fonte: Anchieta: um santo desconhecido? – 2014
Organização: Padre Illário Govoni
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2020
Onde comprar o livro: Santuário de Anchieta, Anchieta/ES ou Marques Editora, Belém-PA

 

 

 

 

 

 

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