Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando desde 2000 a Cultura e História Capixaba

Luiz Buaiz - Subindo nas pesquisas

Emescam

O cardiologista Shariff Moisés, formado em 1965 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fala do amigo Luiz Buaiz como um dos responsáveis pela sua fixação na capital. E como uma pessoa com visão clara dos problemas da área médica:

“Em janeiro de 1966 eu ia para os Estados Unidos e antes vim a Vitória, me despedir dos meus pais. Conheci o Sanatório Getúlio Vargas e decidi ficar porque não tinha cirurgião de tórax na capital.

Vim com o Dr. Marcelo Camargo, nós havíamos estudado Medicina na mesma turma, e começamos logo a trabalhar. Até então eu não conhecia Luiz Buaiz.

Em setembro de 65 eu atendi um acidente de anestesia e naquela ocasião só quem fazia traqueostomia era cirurgião de tórax. Fiz e fiquei cuidando, dia e noite. A mulher em coma. Dois meses depois ela saiu do coma. O marido, Táti, queria pagar, mas não tinha dinheiro. O Instituto dele era o IAPC, dirigido por Luiz Buaiz. Ele disse: ‘Eu vou falar com o Dr. Luiz Buaiz.’ E o Dr. Luiz me ligou e me disse: ‘Você precisa receber esses dois meses de trabalho...’ Como eu insistisse que deixasse pra lá, ele decidiu dizendo assim: ‘Vou te prometer uma coisa. Em abril de 67 vai haver a unificação dos institutos IAPC, IAPI, Iapfest. Eu vou ser o superintendente e você vai ser o primeiro contratado’.

Quem me contratou foi o Dr. Ivan Wanderley, a mando do Dr. Luiz. Mas eu fiz uma exigência, queria o emprego também para o meu amigo Marcelo Camargo. Em abril ele me ligou e disse: ‘Vem, que você vai assinar o primeiro contrato.’ E eu insisti: ‘Só vou com o Marcelo Camargo.’ O Dr. Luiz me disse: ‘Olha... vê bem o que você pensa...’

E aí ele nos contratou. Fomos os primeiros contratados da unificação dos institutos.

Eu atendia no IAPC todos os dias. Atendia ainda no Pronto-Socorro da Santa Casa. Lá, dava um plantão em que operava. E operava no Sanatório Getúlio Vargas, que em 67 mesmo já começava a ser preparado para ser Hospital Universitário.

Em 67 ainda começamos o trabalho para formar a Emescam, porque não conseguíamos entrar na Federal, lá só os velhos davam aula. O primeiro vestibular da Emescam quem deu fomos eu e Marcelo Camargo.

Nesse momento eu iria compreender as ponderações do Dr. Luiz, em relação às exigências que fiz. Tive um atrito com Marcelo Camargo, porque nós não sabíamos operar coração e havíamos combinado que iríamos, os dois, fazer um curso de cirurgia cardíaca em São Paulo. Um de nós iria, faria o curso e quando voltasse iria o outro. Ele disse que não iria mais, que iria aprender nos livros como operar coração. E eu não concordei. Aí rompemos.

Então fui para São Paulo em 1969, em janeiro. Mas existia um entrave... Eu era funcionário federal. Foi quando Mariazinha Lucas e Luiz Buaiz disseram: ‘Vá’. Sem romper o vínculo! Eles me possibilitaram fazer o curso.

Aí a amizade com Luiz se estreitava cada vez mais. Nos finais de semana eu almoçava na casa dele. Como eu me destaquei em São Paulo, o Dr. Adib Jatene queria que eu ficasse. E que eu passasse quatro anos no Alabama, me especializando em cirurgia cardíaca pediátrica.

Mas o sonho meu era fazer um Centro Cardiológico aqui no Espírito Santo, que a Vale, a CST e o Governo ajudassem. Hoje nós teríamos o maior centro cardiológico do país. Naquela época o dinheiro não faltava, porque vinha da Previdência Social e hoje vem do Ministério da Saúde. O setor recebe 20 bilhões de dólares. Divulga-se que gastamos 8,8% do Orçamento da União, mas gastamos 5%. Os Estados Unidos, que estão com o setor de Saúde em crise, gastam 20% do Orçamento da União.

Eu voltei da especialização em cirurgia, em janeiro de 70, para realizar cirurgia cardíaca. No dia 16 de janeiro de 1970 foi realizada a primeira cirurgia cardíaca, com circulação extracorpórea, dentro dos princípios científicos, no Espírito Santo. E quem era o superintendente do INPS? Marcelo Camargo, ocupando o lugar de Luiz Buaiz. Eu disse ao Luiz: ‘deixa!’

Em 1971, 3 de janeiro, Luiz Buaiz foi meu padrinho de casamento, em Cachoeiro. E criou-se uma amizade muito grande.

Luiz Buaiz voltou a ser presidente do INPS, com Mariazinha Lucas como Chefe de Gabinete. Aí fundamos o Instituto de Cardiologia do Espírito Santo. Em 1973 ele me chamou e me disse: Você vai ter que assumir a Emescam, como professor de Cardiologia, porque os que estão lá não têm a titulação necessária. Lá fiquei de 1973 a 1975, junto com Laélio Lucas e a Emescam foi reconhecida com os títulos que eu tinha, de Cardiologia.

Nossa amizade continuou até que em 1984 ele me chamou para assumir o Serviço de Cirurgia Cardíaca na Santa Casa. Foi montado o serviço até 1994, mais ou menos. Quando saí de lá, estava operando dois doentes por dia. Ele é uma pessoa que resolvia os problemas da Santa Casa, dos pobres. Tratava o pobre e o rico com o mesmo gasto, com o mesmo custo, com os mesmos materiais.

Nessa fase almoçava com ele diariamente, ali na casa dele, em cima, na Santa Clara. E mesmo tendo saído de lá, a nossa amizade permaneceu. Ele era tranquilo, a porta do seu gabinete estava sempre aberta, a qualquer hora. Em qualquer lugar: INPS, Santa Casa... Onde assumisse a chefia a porta não fechava.

Na sua campanha para prefeito, ele me procurou. E fui com ele lá para o Morro da Fonte Grande, onde eu nasci. Subimos a Fonte Grande, ele sendo apresentado a todos e aclamado. A popularidade dele pulou de 2% para 28%.

Luiz é médico até hoje. Atende no consultório e na Unimed.

Em 1999 eu estive doente. Luiz Buaiz me disse: ‘Shariff, você não me procura!’ E eu respondi: ‘Luiz, eu vou te procurar no dia em que eu precisar, não puder mais trabalhar.’ Já se passaram 12 anos e eu estou aqui.”

 

PRODUÇÃO

 

Copyright by © Luiz Buaiz – 2012

 

Coordenação do Projeto: Angela Buaiz

 

Captação de Recursos: ABZ Projetos

 

Texto e Edição: Sandra Medeiros

 

Colaboraram nas entrevistas:

Leonardo Quarto

Angela Buaiz

Ruth Vieira Gabriel

 

Revisão: Herbert Farias

 

Projeto e Edição Gráfica: Sandra Medeiros

 

Editoração Eletrônica: Rafael Teixeira e Sandra Medeiros

 

Digitalização: Shan Med

 

Tratamento de Imagens: TrioStudio; Shan Med

 

Fonte: Luiz Buaiz, biografia de um homem incomum – Vitória, ES – 2012.
Autora: Sandra Medeiros
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2020

Variedades

A História do Carnaval

A História do Carnaval

Foi em fins do século XIX e início do séc. XX que o carnaval do Brasil começou a conquistar fisionomia própria: nessa época já declinava o carnaval europeu

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Vitória (Em passado próximo) - Seus passeios e atrações turísticas

O Centro da Capital (Cidade alta). Atrações: - a Catedral Arquidiocesana com o seu rendilhado gótico

Ver Artigo
Compositores da Moderna Canção Popular - Os 10 mais conhecidos

Na Guanabara consolidou o prestigio de compositor com a marcha-rancho “Depois do Carnaval”. Chico Lessa figura hoje como uma das grandes figuras da mú­sica popular brasileira

Ver Artigo
Sítio da Família Batalha – Por Edward Athayde D’Alcântara

Constituído de uma pequena gleba de terras de um pouco mais de três alqueires e meio (173.400,00 m²), fica localizado às margens do Rio da Costa

Ver Artigo
Frases de Caminhão - Por Eurípedes Queiroz do Valle

As 10 mais espirituosas Frase de Caminhão do Espírito Santo, 1971

Ver Artigo
Hugo Viola - Por Cesar Viola

Em 24 de abril de 1949, o jornalista Waldyr Menezes escreveu em A Tribuna uma reportagem sob o título: "Jardim América, um milagre residencial para Vitória".

Ver Artigo