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Homenagem ao Tenente Coronel João Antunes Barbosa Brandão

O Governador Carlos Lindenberg, o Comandante Suzano Guamar, do Navio Escola Guanabara, fala aos presentes, no velho cemitério da Igreja do Rosário, ante o túmulo do Tenente-coronel honorário do Exército João Antunes Barbosa Brandão, sobre a vida desse gr

Oração pronunciada pelo Capitão Abdon Rodrigues Cavalcanti, em nome da Polícia Militar do Estado, no túmulo do Tenente Coronel Honorário do Exército João Antunes Barbosa Brandão, no velho cemitério da Igreja do Rosário, desta Capital, no dia 12 de junho de 1949.

 

Exmo. Sr. Governadore do Estado;

Exmas. Autoridades civis e militares;

Senhores e senhoras.

 

Ocorrendo hoje o octogésimo quarto aniversário desse memorável feito que foi a batalha naval do Riachuelo, onde tanto se cobriu de glórias a esquadra brasileira, sob o comando do bravo almirante Francisco Manoel Barroso da Silva, Barão do Amazonas, é com grata satisfação que a Polícia Militar deste Estado, aqui representada  pelo seu comandante e outros oficiais, se congratula com a valorosa Marinha de guerra nacional, pela passagem desta grande data de nossa História Militar.

Constitui motivo de muita honra, para todos nós, essa significativa homenagem que a Marinha vem de prestar à memória do nosso digno patrono, capitão João Antunes Barbosa Brandão, o qual, à frente de um contingente da milícia desta então província do Espírito Santo, foi mandado aos campos de luta do Paraguai, onde, com seus subordinados, teve opprtunidade de tomar parte na grande Batalha do Riachuelo, cuja data aniversaria hoje transcorre, e, ainda, sob o comando de Osório e Caxias, em vários outros combates, entre eles Tuiuti, Estero Belaco e Itapiru, portando-se em todas as circunstâncias como verdadeiro soldado, o que lhe valeu ser posteriormente agraciado com a Comenda de Cavalheiro da Ordem Rosa, e bem assim nomeado Tenente Coronel Honorário do Exército, pelos bons serviços prestados à pátria.

O Capitão João Antunes Barbosa Brandão era natural desta cidade de Vitória, tendo aqui nascido aos 02 de fevereiro do ano de 1836. Comandou a Polícia Provincial por três vezes e reformou-se nesse cargo a 06 de julho de 1883, vindo a falecer nove anos depois, isto é, a 30 de julho de 1902, nesta mesma cidade, que lhe serviu assim de berço e de túmulo. Partira para a Guerra do Paraguai aos 03 de fevereiro de 1865, chefiando os intrépidos soldados capixabas que ali se foram bater e derramar o seu sangue em defesa da pátria estremecida, só regressando aos 24 de julho de 1870, depois de terminada a luta. No decorrer da guerra, teve eficiente atuação também como ajudante de ordens do quartel Mestre General do Comando em Chefe, em cujas funções desempenhou os mais assinalados serviços, sendo elogiado na Ordem do dia nº 151, pela coragem e sangue frio com que se portara durante a ação, na cruenta batalha de Tuiuti, travada em território paraguaio aos 24 de maio de 1865.

Por todos estes fatos, que constituem um exemplo digno de ser seguido pelos que exercem a nobilitante porém árdua missão policiais-militares, como também para que sua memória seja eternamente cultuada através dos tempos, é que o Governo do Estado, em muito boa hora, instituiu patrono de nossa secular Corporação esse bravo espírito-santense, capitão João Antunes Barbosa Brandão, pelo Decreto nº 7, de 06 de agosto de 1947, assinado pelo atual governador desta unidade federativa, o Exmo. Dr. Dr. Carlos Fernando Monteiro Lindenberg.

À valorosa Marinha de Guerra do Brasil, pois, os mais sinceros agradecimentos de nossa Polícia Militar, por esse gesto nobre e cavalheiresco com que a vem de distinguir, homenageando a memória deste seu ilustre e grande patrono, cujos restos mortais aqui jazem há longos anos, aguardando agora a oportunidade de serem trasladados para a capela a ser construída brevemente em nosso quartel, conforme já é cogitação do Comando Geral.

Aos senhores oficiais e às praças do glorioso Exército nacional, aqui presentes, também a nossa mui sincera gratidão, por haverem colaborando para o maior brilhantismo desta solenidade.

Tenho dito

Abdon R. Cavalcanti

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Nº 65, 1949 (Edição 2011)
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2012 



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