Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

A lenda do judeu pescador

Rua Duque de Caxias

Contavam os macróbios capixabas que existiu, outrora, na Vila da Vitória, um judeu pescador que conhecia um bom pesqueiro em alto mar, onde colhia tamanha provisão de pescado que ele sozinho abastecia a povoação, enquanto os outros pescadores voltavam no “ora veja”, com as suas canoas vazias. Bafejado, assim, pela fortuna, o pescador Braz Gomes edificou uma elegante casinha de pedra e cal no meio da vila e mais dois casebres na margem do lameirão, dando começo à rua que se chamou da Praia, depois, do Ouvidor e, por último, Duque de Caxias.

O judeu, natural do Algarve, era católico, e atribuía a sua boa sorte à devoção de São Tiago e Santa Marta, cujas imagens mantinha num oratório, ao qual pretendia juntar um crucifixo que conservava guardado numa caixa de madeira, enquanto aguardava um “rico resplendor que já havia encomendado a um ourives”. Mas, deram outra versão à sua prosperidade: espalharam que ele fizera trato com o Diabo, o qual enxotava os peixes para o seu anzol; denunciaram-no ao Santo Ofício, com o agravo de que ele usava a caixa de madeira, onde encerrava o crucifixo, para se assentar.

Metido a ferros, Braz Gomes foi levado para Lisboa, submetido aos Autos da Fé e condenado à “fogueira de lenha benta”.

Alguns fatos parecem provar que existiu mesmo um “Braz Gomes de Siqueira, parte de Cristão novo, mercador; natural de vila de Santos e morador da Capitania do Espírito Santo, Bispado do Rio de Janeiro; convicto e pertinaz”, condenado pela Inquisição de Lisboa, segundo transcrição de um Auto de Fé, publicado no Tomo Sétimo da Revista do Instituto Histórico Brasileiro.

Até fins do último século, constava existir na sacristia da Igreja Matriz de Vitória, um quadro, enviado de Portugal, pela Inquisição, representando o suplício do judeu pescador. Tal pintura, já bastante arruinada, teria sido levada para a Matriz de N. S. do Desterro, em Florianópolis. E o crucifixo, que dera causa à acusação de heresia, seria conservado, em Vitória, pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.


Fonte: De Vasco Coutinho aos Contemporâneos, 1977
Autor: Levy Rocha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2011

 


Links Relacionados:

>> A lenda do Frade e a Freira




GALERIA:

📷
📷


Matérias Especiais

Praia ou Montanha?

Praia ou Montanha?

No Espírito Santo, você pode escolher entre passar uma temporada na praia ou curtir o clima de montanha. Ou os dois, afinal, em 30 minutos você pode ir de uma região para outra.

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Paisagens da Ilha do Mel - Por Maria Isabel Perini Muniz

A paisagem vista e interpretada através da arte nos mostra aspectos que se escondem do nosso olhar descuidado e muitas vezes indiferente

Ver Artigo
Guarapari de ontem

"Quem passasse pela ruazinha tranqüila, aquela ruazinha varrida pelo vento sul e cujo solo barrento todo se cobria de regatinhos formados pelas chuvaradas de verão, invariavelmente descobriria a velha rendeira curvada sobre a almofada, trocando os bilros, atenta ao trabalho e de toda alheia ao bulício e à agitação exteriores ..."

Ver Artigo
General das Artes

Conheci, na casa de Homero Massena, anos 60, um amigo dele muito especial. Pessoa sensível, de fino trato, grande admirador da boa pintura e da Arte do mestre. Algumas vezes servi de mensageiro entre os dois, levando ao escritório do amigo, textos do Massena (muitas vezes assinados com pseudônimos: J. Prates, J. Carlos...) para que ele (diretor do jornal) providenciasse a publicação.

Ver Artigo
Festejos de Natal: Reis

O Reis foi introduzido em Vila Velha pelo Padre Antunes de Sequeira. Filho de Vitória, onde nascera a 3 de fevereiro de 1832

Ver Artigo
Ceia Natalina

A ceia natalina do Brasil e de outros países guardam muitas tradições em comum. Elas tem origem em velhos hábitos da Roma antiga

Ver Artigo