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Começo de tudo – Por Marílio Cabral

Sob as ordens de Chiquinho

Melhor escola de formação no jornalismo local que O DIÁRIO representou na época, impossível. Os mais velhos recebiam e encaminhavam da maneira mais acolhedora os que chegavam com vontade de se integrar à profissão até mesmo com grande dose de paternalismo, não seria exagero dizer.

Quem chegava vinha quase somente pelo ideal, cheio de vontade de escrever: três ou quatro jornalistas eram suficientes para fazer um jornal de oito ou doze páginas, como eram os de então em Vitória; um na parte política, outro na policial e mais um ou dois nos esportes. O DIÁRIO, A Gazeta e A Tribuna eram praticamente feitos assim, de 1955 a 70, contando com colaboradores esparsos.

Antes de mais nada, é bom registrar que eram eminentemente políticos esses jornais. Defendiam interesses de seus donos, ora se colocando em aliança com o Governo, ora na oposição. Quase sem perceber, com isso o jornalista acabava sendo rotulado de pessedista, petebista ou udenista, partidos dominantes nesse tempo. Mesmo que não fosse de nenhum deles e só gostasse de escrever.

Dentro dessa imagem, ficou uma lembrança da instabilidade política reinante na imprensa: diretor de um jornal, então pertencente a um grupo ligado à UDN, preparava-me por volta das 22 horas para fechar a edição quando chegam de surpresa seis ou sete pessoas, comandadas por um líder do PTB, exibindo provas documentais de que acabavam de adquirir o controle do órgão. Restou o trabalho de descer à oficina, anunciar a nova posição acionária, recolhe manchete, o artigo de fundo e algumas notícias de primeira página. Que se achavam prestes a entrar no chumbo, malhando "os adversários": nem mais nem menos que os novos proprietários da casa...

Foi nO DIÁRIO, a partir dos 17 anos, que também comecei a me formar no jornalismo. Designaram-me logo no primeiro dia para a cobertura parlamentar da Assembléia Legislativa e a produção de uma coluna política diária. Sem nunca ter antes escrito absolutamente nada para jornal, acabei descobrindo que sabia fazê-lo, "achando" uma profissão que terminou por me conduzir a tudo de bom que a vida pode proporcionar.

Resumindo: foi tão proveitoso e útil o início pelo jornal, que por vezes fico a imaginar que ponto da estrada da vida teria logrado atingir, não fosse a passagem pela escola chamada O DIÁRIO.

 

Fonte: O Diário da Rua Sete – 40 versões de uma paixão, 1ª edição, Vitória – 1998.

Projeto, coordenação e edição: Antonio de Padua Gurgel

Autora: Fernando Jakes Teubner

Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2018

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