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Nova Onda de Violências – Por Plínio Marchini

Capa do Livro: O Diário da Rua Sete – 40 versões de uma paixão, 1998 - Capa: Anderson Marques

Dois episódios ocorrem em pontos diferentes do Estado para que se possa provar, mais uma vez, a sanha perseguidora do Sr. Carlos Lindenberg e o clima de violência que o seu Governo inspira, levando o pânico a populações pacatas.

Em Afonso Cláudio, considerando meio duro o deputado oposicionista Sebastião Cypriano do Nascimento, a polícia não teve coragem de lhe por a mão. Pegou então o seu motorista e moeu-o de pancadas.

Na Serra, um bandoleiro de gravata, artista dos fóruns, lambaz devorador dos direitos alheios, arrebanha uma guarnição da Rádio Patrulha, invade uma propriedade particular em Nova Almeida e arranca-lhe as benfeitorias ali realizadas pela Prefeitura Municipal. Recorde-se que há algum tempo atrás essa mesma polícia inspirada pelo mesmíssimo Sr. Robinson Leão Castello, passou uma noite dando salvas de fuzil e aterrorizando a população. E embora todas as provas dessa baderna tivessem sido colhidas e exibidas às autoridades como ao secretário do Interior, nada foi feito.

O resultado aí está: os bandoleiros da família Castello e aqueles colocados ao seu aluguel político vão novamente à carga, invadem o patrimônio na Municipalidade, certos de que no final serão protegidos pela mão amiga de um Governo que vive de perseguições e medra entre as violências.

Por quais caminhos o Sr. Lindenberg está querendo caminhar? Esse homem, que se diz cristão e freqüenta as sacristias, esse homem encanecido pelo tempo e vergado pelos anos - esse homem devia ter mais respeito pela vida alheia; mais amor às leis de Deus. Quem é ele, na verdade? É o chefe, direto ou indireto, das quadrilhas de assassinos armados que fazem aqui e ali uma vítima, deixando um rastro de sangue que nunca se apagará, mas para o qual os líderes governistas olharão com profundo desprezo - desumano desprezo pela vida alheia.

O Sr. Carlos Lindenberg é diretamente responsável por tudo quanto tem acontecido de violências policiais, durante o seu Governo. Da sua inspiração política, dos exemplos de perseguição que tem dado, da proteção que está dispensando a esses beleguins policiais - de tudo isto é que nasce e se revigora o clima de terror e de morte.

Já temos denunciado que em Iúna os adversários do PSD vêm tendo a cabeça raspada. Em vários municípios do Norte, onde a Justiça é precária e os centros maiores estão distantes, vários casos de assassinato se registram. Agora é o motorista de um deputado de oposição que é agredido barbaramente. É uma força policial que se põe ao lado de um político e vai destruir os bens municipais serranos.

Contra tudo isto - o que faz o Sr. Lindenberg? Dá apenas um sorriso, consciente de que os seus alunos estão aprendendo bem o sistema. Há um clima de pavor no interior, mas o Palácio está contente. Há uma população que sofre e há viúvas que choram, mas a posição política do PSD vai bem, obrigado.

Mas o Sr. Lindenberg é - repetimos - responsável por tudo isto. A sua omissão é criminosa e mesmo fugindo ao julgamento ordinário, vai merecer amanhã o julgamento soberano das urnas. E os votos vingarão os que tombaram, secarão as lágrimas das esposas que ainda choram.

Só tememos pensar que a paciência dos oposicionistas, pressionados pelo fuzil policial, tangidos pelas balas e cercados pelo ódio, finalmente se esgote. Pois a verdade é que, se a Oposição fosse usar as mesmas armas do Governo e fosse responder com balas aos insultos que a bala são feitos, já se teria transformado este território num grande mar de sangue, onde a violência puniria a violência, onde o crime exemplaria o crime.

Neste problema deve pensar o Sr. Carlos Lindenberg, principal responsável do regime agora vigente no pacato Espírito Santo. A principal responsabilidade lhe pertence, ele que é o comandante supremo da Polícia que está matando e perseguindo, por esse interior afora.

 

Fonte: O Diário da Rua Sete – 40 versões de uma paixão, 1ª edição, Vitória – 1998.
Projeto, coordenação e edição: Antonio de Padua Gurgel
Autor: Plínio Marchini
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2018

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