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De bonde com Grijó - Santo Antônio

Bonde circulando por Santo Antônio - Fonte: Fotos e Vídeos antigos do Espírito Santo

E embarco no bonde para chegar até Santo Antônio. Mas antes, passo pela Volta do Rabayole, nome atribuído a este local devido a uma família que era praticamente dona do lugar, além de ser uma família tradicional da ilha. Logo a seguir vinha a serraria do Sr. Zico Santos (Santos Sr Companhia). Ele era pai de Darly Santos, o poeta, cronista, locutor eclético, jornalista e um excelente jogador de futebol e um grande amigo meu, Guilherme, Roberto, Paulo, o popular "Patesquinho", outro cobra do futebol, todos jogaram pelo Vitória FC. Na esquina, a sede do Santo Antônio FC, time de futebol que chegou a ser bicampeão invicto, sem pontos perdidos. Aliás, com alusão ao Santo Antônio, existe uma passagem que foi muito comentada na ilha e aconteceu quando o Sr. Rubens Gomes era seu presidente. Na ânsia de sempre apresentar novidades no plantel do clube, resolveu consultar o Santos FC, o da Vila Belmiro, para ver se o clube santista tinha algum jogador da chamada categoria de baixo (antigamente aspirantes). Dias após a solicitação recebeu uma resposta: temos Cyro e Pelé. Em outro telegrama o Sr. Rubens Gomes foi taxativo: mande o Cyro. Veio Cyro, um ponta direita, que até chegou a integrar a seleção capixaba. Era um bom jogador, mais tarde passou a ser funcionário da Caixa Econômica Federal, tendo se aposentado como caixa. Boa gente. E o Pelé, que foi rejeitado, é o atleta do século. Coisas do futebol. Mas o Santo Antônio foi um orgulho do nosso futebol. Do outro lado da rua, a Fábrica de Sabão Iori, de propriedade de Antônio Cruz, um dos baluartes do Santo Antônio FC. Tomando rumo ao mar vinha o Didroporto, que recebia os famosos clippers da Panair do Brasil. sobre os quais já comentei anteriormente. Num plano mais elevado do bairro, dando frente para os cemitérios, a residência do comissário de Polícia Correia Lima, pai do atual desembargador Geraldo Correia Lima. Em frente aos cemitérios o bonde fazia o ponto Silva Rodrigues, o China, meu colega de banco por tantos anos e que nos deixou tão cedo. Cadinhos, filho de Casemiro da Fonseca, o maior torcedor do Santo Antônio FC. Caso ele estivesse sentado na arquibancada, por perto dele a área ficava vazia, pois ele chutava tudo o que estivesse em sua volta. Aliás, não era só ele que dava chutes no ar assistindo a seu time jogar. O empresário Aldo Amigo, quando assistia ao jogo do Rio Branco, pobre de quem estivesse na cadeira da frente, os chutes comiam soltos. Mas, voltando ao Casemiro, ele não tinha paciência de assistir ao jogo sentado. Ia à beira do alambrado e ficava correndo ao lado dele. Era um show à parte, pois tinha um "grito de guerra" que divertia a todos. Outro que morava no bairro era o Eleison de Almeida, que gostava de servir uma cabritada, como gostava de dizer, depois que terminavam as festas do Saldanha. Serginho Sarkis, Marcelo Monjardim Bachour, o mano Zé Cláudio, mais outros moradores e eu íamos comer a famosa cabritada, que só terminava por volta das seis da matina. Tempo bom... Aqui termino o itinerário do bonde vindo da Praia do Canto até Santo Antônio, que foi percorrido focalizando a vida de Vitória que conheci, dos anos 30 até o final da década de 50.

 

Fonte: A Ilha de Vitória que Conheci e com que Convivi, vol. 6 – Coleção José Costa PMV, 2001
Autor: Délio Grijó de Azevedo             
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2019

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