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Praça Misael Pena (ex-praça do Quartel)

Antigo Quartel inaugurado em 1896, demolido em 1956

O Presidente Afonso Cláudio de Freitas Rosa, em 1890, encarregou ao tenente coronel Carlos Eugênio traçar o plano de um quartel de Polícia, no aterro do Campinho, sendo a construção iniciada em 1892, já no governo do Barão de Monjardim. Foi inaugurado, a 23 de maio de 1896, por Moniz Freire. Seu primeiro comandante: Orozimbo Corrêa de Lyrio.

No governo do coronel Marcondes de Souza (1912 – 1916), que substituiu Jerônimo Monteiro, como complemento às obras do Quartel, construiu-se, em suas imediações, a Vila Militar, dando-se assim, moradias limpas a oficiais e sargentos. Foram construtores Miranda & Derenzi, daí surgindo as ruas: Funcionários (atual Soldado Antônio faria, capixaba sacrificado na 2ª Guerra Mundial, na Itália), Bernardino Monteiro (ex-presidente do Estado, no quatriênio 1916 – 1920), Norte (atual Washington Pessoa, ex-prefeito de Vitória – 1914 – 1916), Dona Júlia (atual Henrique Coutinho. D. Júlia era a esposa do patrono dessa artéria) e Marcondes de Souza, acima referido.

No começo do século, quando o comércio de Vitória funcionava das seis da manhã às oito da noite, na referida praça, o disparo de um foguetão, “o tiro das oito”, marcava a hora do fechamento das casas comerciais.

Na Interventoria do Capitão João Punaro Bley, o quartel foi desativado, vista a inauguração de um outro, em Maruípe, tendo, no antigo prédio, se instalado, a 29 de outubro de 1939, o Museu Capixaba, transferido, depois, para o Solar Monjardim, em Jucutuquara.

O antigo quartel da Polícia Militar, todo de pedra, de traçado elegantíssimo, tendo à frente duas palmeiras imperiais, ainda existentes, foi das mais sólidas construções da cidade, datando sua demolição de 1956, quando bem podia ter sido aproveitado para sede de um centro de cultura. Infelizmente, no local, foi construído imóvel de nenhum valor arquitetônico, a que o povo chama de “caixote”.

A 1945 a praça do Quartel passou a denominar-se Misael Pena, tendo o prefeito Carlos Von Schilgen, em 1982, inaugurado nessa área um jardim em substituição à Estação Rodoviária, que ali funcionou, por alguns anos, precariamente.

O patrono do logradouro, Misael Ferreira Pena, nasceu em Minas Gerais, a 23 de março de 1848, mas desde os dois anos passou a viver no Espírito Santo, já que os pais o trouxeram para a comarca de Alegre, onde se fixaram como abastados fazendeiros. Diplomou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo, tendo exercido, no Espírito Santo, terra que ele adotara como berço, cargos de magistratura e de eleição popular. Foi deputado provincial no biênio de 1874-1876. Publicou: Discurso proferido na libertadora Primeiro de Janeiro, em prol dos escravos, 1874; Discurso proferido na Assembleia Provincial, em favor da moção ao Gabinete de 7 de março, Vitória, 1873; Conferência nas escolas da Glória, realizada a 12 de novembro de 1874, com a assistência do Imperador, sobre o tema Presente e Futuro do Espírito Santo, Rio, 1875, e História da província do Espírito Santo, Rio, 1878, além de um opúsculo sobre a Reforma Judiciária de 1871. Colaborou assiduamente, na imprensa de Vitória, algumas vezes com o pseudônimo de Philemon, seus artigos sempre despertando a curiosidade da população pelo que continha de crítica jocosa e assuntos ligados à cidade. A História da província do Espírito Santo é dividida em duas partes: a primeira, tratando do governo dos donatários, de 1535 a 1718; a segunda, dos capitães-mores, 1718 a 1743, encerrando, em apêndices, documentos comprobatórios da narrativa histórica.

MFP faleceu, tragicamente, a 19 de outubro de 1881, na cidade do Rio de janeiro, onde se encontrava desde 1878, ali se dedicando, a princípio, à advocacia e, depois, ao comércio. Tinha, ao falecer, apenas 33 anos de idade. Patrono da cadeira nº 22 da Academia Espírito-santense de Letras.

 

Fonte: Logradouros Antigos de Vitória, 1999
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2012 

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