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Ilha dos Bentos

Vista parcial da Cidade de Vila Velha, 1985

O antigo sítio Ilha dos Bentos é hoje um bairro com o mesmo nome. Confronta com os bairros Boa Vista (antiga sesmaria) e Vila Nova, em Vila Velha. No local ainda existe um córrego parcialmente coberto por manilhas. A parte descoberta é protegida por pequeno muro gabião. Pessoas antigas informam que além do regato, hoje totalmente poluído, a pequena elevação era circundada por terrenos alagadiços. Daí o nome de ilha. Por se tratar de um bairro bem populoso, torna-se difícil ou até impossível encontrar ali qualquer ruína ou vestígios de construção com mais de 400 anos.

O Mosteiro

Em 1589, no governo de Luíza Grinalda, aqui chegaram, vindos da Bahia, dois beneditinos, o frei Damião Fonseca e o irmão-donato de nome Basílio. Acalentavam o propósito de construir um mosteiro em Vila Velha. Muito bem recebidos pela governadora, esta lhes ofereceu uma casa construída numa elevação situada na sesmaria Boa Vista, recebida por doação de seu marido Vasco Filho. Depois de o mosteiro ser ali instalado, a elevação passou a ter o nome de Ilha dos Bentos. Mais tarde, em 1594, todo o sítio, inclusive a Ilha dos Bentos, foi oficialmente doado à ordem dos beneditinos. Talvez a grande distância entre a propriedade rural e a sede da Capitania haja desencorajado os religiosos a permanecer no local, pois na vila de Vitória a ordem havia iniciado a construção de um convento em terras também doadas pela governadora. O certo é que, tempos depois, a sesmaria Boa Vista com a Ilha dos Bentos passou para o domínio dos franciscanos que arrendaram o sítio a terceiros.

Em petição dirigida ao imperador Pedro II, no ano de 1874, a Ordem Franciscana do Rio de Janeiro requereu providências ao monarca para que o governo da Província do Espírito Santo não permitisse a doação do citado sítio a determinada pessoa que alegava tratar-se de terrenos devolutos.

Em dezembro de 1591, a mesma governadora fizera à Igreja doação da colina em cujo topo de granito foi elevada a ermida da Penha com “todo o chão e terra desde o pé do dito monte até o cume...”

A Petição

Petição manuscrita por 
Francisco de Almeida e Silva ao imperador Pedro II

"Senhor.

O Padre Provincial da Ordem Franciscana do Rio de Janeiro, vem respeitosamente perante Vossa Majestade Imperial Requerer providências e a cautella d’uma parte do seu patrimônio ameaçada de usurpação por meio sub-repticio.

Desde tempo imemorial a Ordem é senhora e possuidora d’uns terrenos situados na Província do Espírito Santo, junto a villa do mesmo nome, denominada Ilha dos Bentos. Trouxe-os quase sempre arrendados e recebeu a renda sem duvida nem contestação de differentes arrendatários. Ultimamente o Suppte leo na Gazeta Espírito Santense publicada na Capital d’aquella Provincia na parte do expediente do Governo, em resumo, a petição de Francisco d’Almeida e Silva, requerendo que lhe fossem dados aquelles terrenos reputando-os devolutos assim como viu o Suppte o despacho mandado ouvir a Câmara Municipal e como pela legislação em vigor incumbe ao Governo Imperial defender o patrimônio das ordens Religiosas, vem o Suppte não só denunciar o facto, que prova com o documento junto, como implorar as necessárias providenciais afim de prevenir o esbulho premeditado.

O Suppte beija as mãos de Vossa Majestade Imperial.
E.P. Mce

Comtº de Stº Antº da Costa (ilegível) outubro de 1874.
Fr. João do Amor Divino Costa
"

 

Fonte: VILA VELHA - Seu passado e sua gente, 2002
Autor: Dijairo Gonçalves Lima
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2013

 




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Bairros e Ruas

Ponta da Fruta

Ponta da Fruta

No passado, essa aldeia estava ligada à da Barra do Jucu pela orla marítima e depois por uma trilha que varava pastos, mata de restinga, pequenas lagoas, areias e trechos alagadiços onde vicejava rica variedade de árvores frutíferas nativas 

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