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Muralha Capixaba

A descoberta de ouro no interior do País ao final do século XVII e sua exploração até o início do século XVIII criou um grande empecilho ao desenvolvimento da Capitania do Espírito Santo. É que a Coroa portuguesa tomou a decisão de usar o nosso território como uma espécie de muralha para a proteção e defesa daquelas riquezas.

A Coroa baixou ordenações que impediam a construção de vias que ligassem o litoral capixaba à Capitania de Minas Gerais, impedindo também o acesso através de rios. As restrições evitavam que estrangeiros planejassem ataques, atrapalhava o contrabando e facilitava o controle da produção para a cobrança de impostos.

Em 1674, a Capitania do Espírito Santo foi vendida à Capitania da Bahia. O Forte de Piratininga teve sua edificação iniciada em 1702. Localizado de frente para o canal de entrada das embarcações, teve papel estratégico de proteção durante o período colonial. Abrigou os primeiros grupos de infantaria formados na Capitania.

Em 1708, a Capitania do Espírito Santo foi recomprada pela Coroa portuguesa e o distrito da Vila do Espírito Santo foi criado em 1750. Dessa época, um marco de desenvolvimento é a Fazenda de Araçatiba, dos jesuítas. Apesar da sede ficar em Viana, seu complexo se estendia até a Barra do Jucu e a Ponta da Fruta. Produzia boa quantidade de açúcar e tinha bastante gado. Foi tomado dos jesuítas em 1760, depois que o Marquês de Pombal expulsou aquela ordem religiosa tanto de Portugal quanto de suas colônias. Abandonada, teve suas terras retalhadas. Mas sua existência influenciou os legisladores de três séculos mais tarde.

Em 1943, quando o município de Vila Velha foi extinto pela segunda vez, seu território acabou dividido. A parte Norte, que margeia o canal de acesso ao Porto, foi incorporada ao município de Vitória. E toda aquela área que correspondia à antiga Fazenda de Araçatiba, ao município de Jabaeté, antigo nome de Cariacica.


Fonte: Política Econômica de Vila Velha – Vitória ES, 2010
Autor: Antônio de Pádua Gurgel – Coordenação e texto final

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