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Novo Arrabalde - Por Celso Luiz Caus

Saturnino De Brito

Em 1896, ainda no governo Muniz Freire, a meta era a expansão urbana norteada pelos princípios de higiene e salubridade adotados em São Paulo e Rio de Janeiro. Por isso, criou-se a Comissão de Melhoramentos da Capital. Para coordenar os trabalhos, contratou-se o engenheiro sanitarista Francisco Saturnino de Brito que iniciou o levantamento topográfico da área litorânea do nordeste da Ilha. Chamado de "Projeto de um Novo Arrabalde" pretendia ampliar a mancha urbana habitacional de Vitória, com a ocupação das praias. O projeto incluiu estudos específicos sobre saneamento, como abastecimento de água e drenagem.

Para o sistema de esgoto, inicialmente definiu-se um sistema separador de coleta mas, logo em seguida, o autor adotou um sistema unitário, indicando um sistema de propulsão mecânica e a abertura de um canal axial à grande avenida.

"O abastecimento d'água ao Novo Arrabalde importa em um volume de cerca de 4.500.000 litros, tomando a base de 300 litros por habitante”, com população estimada em 15 mil habitantes e vazão de 53 litros por segundo. A captação estudada era do córrego de Jucutuquara, onde duas nascentes produziam 4,7 litros por segundo. Adotaram-se para estudo e segurança, 4,4 litros por segundo para abastecer somente 1.267 habitantes. As nascentes ficavam nas cotas de 90 e de 68,8 metros e foram reunidas na cota de 68,8 metros e numa tubulação de 100 milímetros de aço até o reservatório de Jucutuquara. O autor do projeto fez ainda referência a uma possível captação nas cabeceiras do Rio "Fonte Limpa", na Serra do Mestre Álvaro, com vazão de 55 litros por segundo, medida por flutuador. Por segurança, sugeriu 20 litros por segundo. O comprimento da adutora seria de aproximados 12.500 metros.

Desses estudos não foi possível identificar até que ponto houve fidelidade ao projeto ao longo dos trabalhos de urbanização do Novo Arrabalde. Sabe-se que, na década de 1920, houve captação no Córrego Jucutuquara.

Saturnino de Brito (Campos, 1864 — Pelotas, 1929) é considerado pioneiro da engenharia sanitária e ambiental no Brasil. Foi responsável por importantes projetos urbanísticos de cidades brasileiras, como Vitória, Santos, Petrópolis. Campos, Recife, Natal, Pelotas e Rio de Janeiro. Entre 1896 e 1929, realizou projetos para mais de 40 cidades de diferentes regiões do país. Tinha preocupação com as condições sanitárias e ambientais causadoras de graves surtos epidêmicos humanos. Em 1930, as capitais com sistemas de água e esgotos, em parte, deveu-se aos seus esforços. Foi eleito patrono da engenharia sanitária brasileira pelo Congresso da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. Em 1996, completaram-se 100 anos do "Projeto de um Novo Arrabalde para Vitória (ES)", elaborado por Saturnino de Brito.

Em 1901, Vitória ainda era abastecida por cinco chafarizes. A população havia passado para cerca de 12 mil pessoas. Em 1905, no Governo de Arístides Navarro, passou-se a fornecer um barril por família a preço variável, com água vinda do Rio Jucu.

Entre 1905 e 1907, com a mancha urbana se expandindo, os chafarizes já não ficavam tão próximos das novas áreas, por isso, o transporte de água era feito por bondes movidos a tração animal.

O primeiro sistema de abastecimento de água da capital vindo das cabeceiras do Rio Duas Bocas, de Cariacica, foi implantado entre 1909 e 1912. Em seu trajeto, a adutora de cerca de 18 Km transpunha obstáculos, inclusive a travessia no fundo da baía de Vitória. Naquela época, não havia a Ponte Florentino Avidos (Cinco Pontes), inaugurada em 1928. A água chegava, então, ao reservatório construído no final da ladeira Santa Clara, com grandes blocos de pedra e rejuntado com óleo de baleia, com volume de 3.600 metros cúbicos, concluído somente em 1909, no Governo Jerônimo Monteiro.

 

Fonte:  Das Fontes e Chafarizes às Águas Limpas – Evolução do Saneamento no Espírito Santo – Cesan, 2012
Autor: Celso Luiz Caus
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2019

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