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Pescadores apontam mudanças – Rio Doce

Laudir e Waldir são pescadores do rio Doce em Baixo Guandu - Foto: Nelson Gomes

O rio Doce tem sido ao longo dos anos fonte de sustento de inúmeras famílias, principalmente as que vivem às suas margens. Os que vivem dessa prática, porém, alertam que a poluição e o assoreamento estão reduzindo o número de peixes do rio.

No distrito de Mascarenhas, em Baixo Guandu, alguns pescadores até estão arrumando outro trabalho para sobreviver. É o caso de Laudir Pinto Lordes, de 39 anos. Pescador há 20, ele vem complementando sua renda trabalhando de vigia em uma empresa.

Laudir lembra que o gosto pela pesca lhe foi passado por seu irmão mais velho. Quando começou a atividade pesqueira, ele conta que a palavra crise não existia no dicionário dos pescadores.

Relata que dificilmente um pescador terminava o dia com menos de 40 quilos de peixes, das mais variadas espécies. Hoje esse número não chega a 10. Ao longo dos anos, o volume de peixes pescados sofreu uma redução drástica.

Na vila de pescadores de Mascarenhas, ele também virou perito em confeccionar cestos para apanhar lagostas. O amigo de Laudir, Waldir Quedevez Filho, 46, é um herói da resistência. Ele, que já tem 30 anos como pescador, ainda vem se mantendo apenas com essa atividade.

Waldir confirma o que o amigo relatou e diz que se recorda de uma época em que espécies de peixes, como robalo e cascudo, eram pescadas com facilidade no rio Doce. Hoje, eles não são mais vistos no rio há mais de 10 anos.

De acordo com Waldir, ainda são encontradas as espécies corimba, pacumã, dourado, piau e lagosta. Com a venda do pescado, ele tem um rendimento mensal que fica entre R$ 400,00 e R$ 600,00.

Em Linhares, o pescador Benedito Freitas, 61, que também possui uma peixaria instalada no Mercado Municipal, também lembra os bons tempos de fartura e as diferentes espécies de peixes que faziam a alegria de quem utilizava o rio Doce para o sustento da família.

Ele lembrou que espécies comuns há cerca de 10 anos hoje são raras nos anzóis e redes espalhados pelo rio. O resultado é que a carne saborosa desses peixes agora passa bem longe dos pratos dos capixabas. “Hoje, a gente vê que não tem mais a piabanha, o marobá, o jacundá. O dourado já é uma raridade. O que está dando mais é a piranha”, destacou Benedito.

O pescador diz que as espécies mais comuns, além da piranha, são o tucunaré, a traíra, o bagre e o robalo. Benedito acredita que seria preciso voltar a atenção das autoridades para a despoluição e a recuperação da flora às margens rio.

Pescaria de lixo para ajudar o rio

O pescador colatinense Antônio Correia, de 39 anos, resolveu dar a sua contribuição para ajudar a salvar o rio. Ele muitas vezes sai com seu barco não para pegar peixes ou passear. O seu objetivo é “pescar lixo e entulhos” jogados no rio.

“Chego a chorar vendo o descaso por parte das pessoas em relação ao rio Doce”, desabafa o pescador.

O rio também é atrativo turístico, ajudando na economia de muitas famílias. É que algumas lagoas são abastecidas pelas águas do Doce. Uma delas é a do Óleo, cuja beleza tem ajudado a manter a família de Claudiomar Rosi. Ele oferece uma estrutura aos turistas que vão pescar no local.

 

Fonte: A Tribuna, Suplemento Especial Navegando os Rios Capixabas – Rio Doce - 01/07/2007
Expediente: Joel Soprani
Subeditor: Gleberson Nascimento
Colaborador de texto: Nelson Gomes, Wilton Junior e Lívia Scandian
Diagramação: Carlos Marciel Pinheiro
Edição de fotografia: Sérgio Venturim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2016

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