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Reivindicando – Domingos José Martins

Placa em homenagem a Domingos Martins, na Assembléia Legislativa em Vitória

Já hoje ninguém, ou, talvez minguadíssimo número, duvida ou ignora ter nascido na então Província do Espírito Santo e não na da Bahia, o mártir republicano de 1817, Domingos José Martins, pelo familiar de Bem-Bem conhecido em sua terra natal, por ser também tratado seu pai, o velho e honrado comerciante da casa sobradada do nº 16 da Rua das Flores desta capital por esse mesmo apelido popular.

Injustiça lhe faz, entretanto, grande parte do povo em o supor homem do vulgo sem nome espécie de fascinado fanático que, ignorante das leis mais corriqueiras da conveniência se haja exaltado demasiadamente ao ponto de se comprometer a si e aos mais implicados na organização da malograda revolução republicana de 1817.

Natural do Itapemirim, para onde foram seus pais D. Joanna Martins e Joaquim Ribeiro Martins, por ser este, então nomeado oficial da 1ª linha daquela guarnição, como ele, naquela cidade nasceram também seus irmãos, mais novos do que o poeta e republicano, Francisco, André, Joanna, Luiza e Maria.

Ao tornar a capital, daqui se partiu por estudos em Portugal e, em vez do sapateiro que alguém supôs, ao Espírito Santo Domingos Martins voltava, ao fim de poucos anos, o moço elegante e delicado, poeta a quem todos os salões se abriam com o maior gosto.

A inclinação pela vida do comércio furtou-o à Victoria, levando-o para a Bahia em 1812 e dai para o Recife em 1814, não por desamor ao berço, antes sim porque os centros comerciais do Norte maior vantagem ofereciam, como se verifica da igual partida de seu pai para S. Salvador, a convite de seus tios maternos — abastados fazendeiros e negociantes ali.

E, porque era homem de ação e de trabalho cujo esforço fizera o comerciante rico não se pejara o abastado comerciante de Recife Bento José da Costa de o tomar por genro, nem seus companheiros de ideal lhe negaram o lugar de destaque no Governo Provisório e tais reuniões.

Verdade é que muito mal lhe valeu tal destaque, quando os sucessivos artigos de correspondência para o Times procuraram alijar de alguns espertos o peso maior de uma responsabilidade grave atirada sobre os ombros másculos do herói Espírito-Santense.

Dos seus irmãos, sabe-se que não ocuparam na sociedade situações indignas, e sim, ao contrário, si se tem em vista a escolha da raça e da honradez a que se procedia com relação aos que pretendiam a vida clerical ou monástica, ou os altos postos do exercito: Francisco Martins, irmão do herói, foi ordenado sacerdote; suas duas irmãs Luiza e Maria tomaram o véu das Carmelitas e André conseguiu subir ao elevado posto de Tenente-Coronel do Exercito.

Só a desolação provocada pela notícia da execução de Domingos Marfins causou a mudança do apelido de Martins para o de Carneiro, num justo receio de possíveis perseguições da metrópole vingativa.

Honrado de caráter e altivo sonhador da liberdade, Domingos Martins foi, contudo, ao invés do que já se tem querido afirmar, o homem calmo e prudente, de vastíssimo coração e bondade extrema, o que lhe mereceu de seus íntimos e dos que o rodearam em Pernambuco, o sonoro e suave cognome de Anjo da Paz.

 

Victoria, em 12 de Junho de 1917.

J. M. B. Montenegro.

 

Fonte 1: Revista Nº 1 – Anno I do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, 1917
Fonte 2: Edição fac-similar da edição Nº 1, 2017
Texto: J. M. B. Montenegro
Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, 2017
Presidente: Getúlio Marcos Pereira Neves
Vice-Presidente: Paulo Stuck Moraes
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3º Vice-Presidente: Gelson Loiola
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Tesoureiro Adjunto: Manoel Goes da Silva Neto
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Conselho Editorial: Getúlio Marcos Pereira Neves, Francisco Aurélio Ribeiro, Karulliny Silverol Siqueira Viana, Eliana Barbosa de Souza.
Jornalista Responsável: Álvaro José dos Santos Silva
Editoração: Priscila Guarnier
Revisão dos textos: pelos autores dos artigos.
Compilação de acordo com a nova ortografia: Walter de Aguiar Filho, agosto/2018

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