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Romarias e Festas da Penha

Foto: Guilherme Santos Neves

Pode-se dizer que desde a entronização da Imagem de Nossa Senhora no alto da Penha - aquela Santa Imagem que aqui nos chegou para a primeira Festa da Penha em 1570 - desde essa recuada época se iniciou a longa e infindável peregrinação de romeiros e devotos que subiam e sobem até ao Santuário, para render graças à Virgem da Penha, cumprir ou pagar promessas e invocar o santo poder de sua proteção, do seu socorro pio e maternal.

Na carta que Anchieta escreveu em 1584 há referência expressa a romarias à Penha: "Na capitania do Espírito Santo há duas vilas de Portugueses perto uma da outra meia légua por mar. Em uma delas, que está na barra e chamam Vila Velha, por ser a primeira que ali se fez, está num monte mui alto e em um grande penedo uma ermida de abóbada que se chama Nossa Senhora da Penha, que se vê de longe do mar e é grande refrigério e devoção dos navegantes e quase todos vêm a ela em romaria, cumprindo as promessas que fazem nas tormentas, sentindo particular ajuda na Virgem Nossa Senhora."

Em 1585, escrevia Fernão Cardim a respeito da capela da Penha: "Aqui fomos em romaria dia de S. André, e todos dissemos missa com muita consolação."

O jesuíta Jacome Monteiro, em sua Relação da Província do Brasil, escrevia, em 1610, com relação à Penha: "Aqui fizemos nossa romaria, com alguma devoção e boa música, em favor da Virgem, quando vínhamos do Rio para a Bahia."

O cronista Simão de Vasconcelos (1597-1671), na sua Vida do Venerável Padre José de Anchieta [volume II, p. 133], falando sobre a Penha, diz ser ela "romaria contínua de devotos, que vão ali ter suas novenas à Virgem S. Nossa, cuja invocação tem."

"Sobre o movimento de romeiros escreve Frei Apolinário que no seu tempo (1730) Nossa Senhora continuava a operar prodígios e acrescenta piedosamente que por este motivo 'concorrem os habitantes de todos os estados a visitar a sua sagrada Imagem, uns a pedir, outros a agradecer; e nenhum deixa de se elevar na sua presença, parecendo-lhe estaria já de posse da bem-aventurança e que quem logra esta, não tem mais que apetecer: quem chegou a gostar da assistência neste devoto Santuário parece-lhe que no mundo não há mais que desejar'."

Não diz outra coisa o povo, à sua maneira e no seu lirismo religioso, expresso nesta trova cantada pelos congueiros de Caieira Velha (Aracruz):

Fui ao Convento da Penha Visitar
Mamãe querida
Agora posso dizer
 Que já fui ao Céu em vida...

 

OS MUTIRÕES DE NOSSA SENHORA

Os romeiros vinham de toda a parte a nos dias de festa ou nos dias comuns. Muitos deles -principalmente de Campos - "vinham, em romaria, 'pagar promessa'. Demoravam-se às vezes seis meses pais e filhos - entregues aos mais rudes trabalhos: amassar barro, cavoucar, derribar mato, desbastar madeira, transportar materiais para o cume etc."

Eram verdadeiros mutirões ou ajutórios que congregavam, no monte sagrado, ou suas redondezas, devotos de todos os recantos, trabalhando contritos para Nossa Senhora da Penha.

 

AS CASAS DOS ROMEIROS

Tal a afluência de romeiros que foi necessário levantarem-se, no alto da Penha, várias casas para alojá-los. O Livro do Tombo do Convento da Penha feito no ano de 1786 [Extratos, p. 267] menciona "6 casas pequenas para os romeiros" que se fizeram "numa planície chamada vulgarmente - o jogo."

Que essas casinhas datavam de longa antiguidade indica-o na Relação da Província do Brasil o Padre Jacome: "Junto à barra desta Capitania [Espírito Santo] está um monte, que pode competir com o Olímpio, o alto do qual se remata com um penedo, que terá de círculo trezentas e mais braças, onde está edificada uma ermida da invocação de N. S. da Penha, a melhor e de mais devoção que há em todo o Brasil, e com os nomeados deste Reino pode entrar a contenda. É de abóbada a capela, o corpo da ermida de arcos abertos, por causa das tempestades, tem vista sobre o mar e terra até os olhos mais não alcançarem; ao pé do penedo tem umas casas mui boas para se recolherem os romeiros. " 

Gomes Neto (1888) ainda faz referência às ruínas dessas casinhas, no seguinte tópico de seu livro As maravilhas da Penha [p. 119]: "Na pequena chapada do monte da Penha, e lugar chamado Campinho no tempo em que no convento residiam alguns religiosos franciscanos com seu guardião, havia para os exercícios do corpo os jogos da bola, da pela, e outros ginásticos; como em cima para os do espírito não faltavam as matinas, as vésperas, as ladainhas e outras práticas piedosas. Também ali estava constantemente aberta uma casa para a hospedagem dos romeiros vulgares, cuja concorrência crescera depois da assistência dos frades.

"No dia da festividade da Senhora da Penha era tão numerosa a afluência dos peregrinos, que de propósito para eles foram construídas as seis casinhas de porta e janela ainda ali existentes, posto que arruinadas."

 

Autor: Guilherme Santos Neves
Fonte: História Popular do Convento da Penha - 3ª edição, 2008 

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