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Rua Barão de Monjardim (ex-rua São João ou das Pedreiras)

Chafariz da Fonte da Capixaba

Esta rua, até 1896, era chamada de São João ou das Pedreiras, sendo que a mudança de nome se deve ao intendente Joaquim Corrêa de Lyrio, que entendeu de homenagear o Barão de Monjardim (1836-1924) pelos múltiplos serviços prestados por este ao Espírito Santo, visto ter sido ele, por duas vezes, presidente do Estado, no Império e na República, além de morador mais antigo da referida artéria.

A rua, antes de sua abertura, o alinhamento data de 1894, fazia parte da chácara da família Monjardim, indo de onde hoje se encontra o prédio da Capitania dos Portos até o Forte de São João. Não tinha ainda calçamento, dispunha de pouquíssimas casas, quase todas já desaparecidas, restando apenas três delas, que datam do final do século passado, os estabelecimentos comerciais de quase nenhuma importância, isto é, quitandas e botequins, toda a área sombreada de floresta densa, com muitas fruteiras.

O escritor Adelpho Poli Monjardim, filho do Barão de Monjardim, em recente entrevista publicada em A Gazeta, referindo-se a esta via pública, onde reside, conta:

— "Por essa rua, até o ano de 1910, nós tínhamos uma atração que foi considerada das melhores do nosso tempo. Tratava-se do bonde com tração animal. Esse bonde, puxado por dois burros, saía da Vila Rubim e passava pelo largo da Conceição (Praça Costa Pereira), ruas do Rosário, Cristóvão Colombo, Barão de Monjardim, indo até a Praia Comprida. Ele trafegava diariamente e sempre que passava despertava a atenção de todos.

Dito bonde, em determinadas ocasiões, deixava de funcionar, quase sempre por greve dos motoristas, que enchiam os trilhos de capim, os burros paravam para comer, daí que nem mesmo as chibatadas faziam com que eles voltassem ao trabalho."

Até os primeiros anos da República, era essa rua um reduto de tradição política, já que ali se situava a sede do Partido Liberal, contando com a presença, quase diária, de vários políticos de renome, tais como Moniz Freire, Aristides Guaraná e o próprio Barão de Monjardim, além de muitos outros, de forma que, no local, os liberais firmaram muitas decisões em favor do Espírito Santo.

Acrescenta o escritor que a rua chegou a ser palco de acontecimentos "menos recomendáveis", visto que, no período do governo de Henrique Coutinho, pistoleiros de outros Estados se postavam frente à casa do Barão, e, fingindo que estavam marchando, pois pareciam militares, o que procuravam era uma oportunidade para matar as pessoas da família Monjardim.

Mas a rua não era só política, tanto assim que, no princípio do século, começou a receber seus primeiros pontos de diversão, ali tendo sede o Clube Pastinha, em cujo salão, conta Adelpho, "fazíamos nosso carnaval, cujos preparativos se iniciavam com três meses de antecedência. Era um clube bonito e animado, onde se reuniam os moradores de todo o centro da cidade e de bairros, existentes na época, como Santo Antônio, Jucutuquara e Praia do Suá. Também as festas juninas se realizavam no local, animadíssimas".

As casas antigas construídas nessa artéria, no século passado, que ainda estão de pé, pertenceram a Mirabeau Pimentel, à viúva Copolilo e a José Áureo Monjardim. O prédio em que hoje funciona a Capitania dos Portos era propriedade do senador Manoel Silvino Monjardim, o Duquinha, e era aí que se refugiavam os Monjardim durante os ataques dos pistoleiros contratados pelos inimigos políticos da família, sendo que o imóvel onde funcionou o antigo Ginásio Espírito-santense fora antes residência do general Aristides Guaraná.

Quando menino, estive muitas vezes nos terrenos da família Monjardim, ao final da Avenida Capixaba, área em que se armavam parques de diversões e grandes circos chegados a Vitória, sendo que num deles assisti às pantomimas de Piolin, o notável palhaço.

A partir da década de 50, com a aceleração do movimento comercial no centro da cidade, a Rua Barão de Monjardim começou a sofrer suas primeiras transformações, tornando-se agitada por causa dos ônibus procedentes da região norte de Vitória. Agora esses ônibus mudaram o trajeto para a vizinha Rua Henrique de Novaes.

A Barão de Monjardim ostenta à entrada um chafariz, lembrança de Vitória antiga, datando o mesmo de 1828, construído por ordem do bacharel Inácio Acióli de Vasconcelos, primeiro presidente provincial do Espírito Santo. A obra teve início a 12 de fevereiro e o executor foi Francisco Pinto de Jesus, mestre pedreiro. "A água era abundante. fresca e pura. com a mata que vicejava, no desfiladeiro do morro do Vigia, a garantir-lhe a perenidade." Esse chafariz, agora desativado, foi muito freqüentado pelos moradores da Capixaba. Em 1938 o prefeito Américo Poli Monjardim mandou restaurá-lo, observando rigorosamente seu desenho original, nele colocando duas artísticas torneiras de bronze, roubadas logo depois.

 

Fonte: Logradouros antigos de Vitória, 1999 – EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2017

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